Share

O Jogo de Poder

Penulis: Any Ferreira
last update Tanggal publikasi: 2026-03-08 01:30:18

Capítulo 4

Acordar com o braço de Gustavo Almeida prendendo meu corpo contra o dele foi o despertar mais amargo da minha vida. A luz da manhã de São Paulo filtrava-se pelas cortinas automáticas que se abriam lentamente, revelando um céu cinzento que combinava com o meu estado de espírito. Por um segundo, na semiconsciência do sono, o calor do corpo dele pareceu um refúgio, mas a realidade me atingiu como um balde de água gelada quando senti o metal da aliança em seu dedo roçar minha pele.

Eu me desvencilhei dele com cuidado, mas Gustavo já estava acordado. Ele abriu os olhos — escuros e alertas, sem o menor sinal de sonolência — e me observou sentar na beirada da cama.

— São seis horas — ele disse, sua voz rouca de sono, mas com a autoridade de sempre. — Temos exatamente quarenta e cinco minutos para estarmos prontos. O conselho da Tecidos Silva não é conhecido pela paciência.

— Você não perde tempo, não é? — Respondi, sem olhá-lo, enquanto procurava meu robe no chão.

— O tempo é a única coisa que eu não posso comprar, Ana. E eu já gastei demais com o casamento ontem.

O banho foi rápido e silencioso. No closet, encontrei um conjunto de alfaiataria que ele certamente mandou colocar lá durante a madrugada. Um blazer azul-marinho de corte impecável e uma saia lápis que gritavam "mulher de negócios". Ao me vestir, percebi o jogo dele: ele queria que eu parecesse uma Almeida, não uma Silva em apuros.

Descemos para o café em silêncio absoluto. Gustavo lia notícias no tablet enquanto tomava café preto, sem açúcar. Eu mal conseguia engolir um pedaço de torrada. O nó no meu estômago não era apenas medo; era a antecipação do confronto que viria a seguir.

O carro que nos esperava não era a limusine de ontem, mas um SUV blindado e discreto. Durante o trajeto até a sede da fábrica que meu avô fundou, Gustavo não disse uma palavra até estarmos a poucos metros do prédio.

— Ouça bem, Ana — ele começou, fechando o tablet e fixando seu olhar em mim. — Seu pai e seus tios vão tentar te desestabilizar. Eles veem você como a garota que cuidava da contabilidade nos fundos. Eles não sabem que eu tenho o aditivo que te dá plenos poderes de decisão como minha representante. Se você fraquejar, eles vão te devorar viva. E se eles te devorarem, eu executo a dívida antes do almoço.

— Eu conheço aqueles homens melhor do que você, Gustavo — respondi, sentindo uma chama de determinação começar a queimar. — Eu limpei a bagunça que eles fizeram por anos enquanto Pérola gastava o que não tínhamos. Eu não vou fraquejar.

Ao entrarmos na sala de reuniões, o clima estava carregado. Meu pai, Arthur, estava sentado na cabeceira, parecendo dez anos mais velho. Meus tios cochichavam, mas o silêncio se instalou quando Gustavo entrou. Ele não se sentou na cabeceira; ele puxou a cadeira para mim e ficou de pé, atrás de mim, como uma sombra intimidante.

— Onde está a Pérola? — Meu tio Roberto perguntou, com desdém. — O que essa menina está fazendo aqui com esse anel?

— Pérola está em "lua de mel prolongada" — Gustavo respondeu por mim, sua mão pousando pesadamente no meu ombro. — Ana é agora a detentora de 51% das ações votantes, através da holding Almeida. Ela fala por mim. E ela tem alguns números para mostrar a vocês.

Abri a pasta que trazia comigo. Meus dedos não tremeram. Por um momento, esqueci o contrato, esqueci a noite forçada e o medo. Ali, naquele terreno de números e falhas fiscais, eu era a mestre.

— A Tecidos Silva teve uma queda de 40% nos lucros não porque o mercado esfriou, tio Roberto — comecei, minha voz projetando-se com uma firmeza que fez meu pai erguer a cabeça. — Mas porque houve um desvio de verbas para uma subsidiária fantasma em nome da sua esposa.

A sala explodiu em protestos. Meu pai tentou intervir, mas eu bati a pasta na mesa, o som ecoando como um tiro.

— Silêncio! — ordenei. — Eu não estou aqui como a sobrinha de vocês. Estou aqui como a mulher que vai decidir se vocês vão para a cadeia ou se saem desta sala com uma aposentadoria antecipada e discreta. Gustavo comprou a dívida, mas eu sou quem detém os nomes nas ordens de pagamento fraudulentas.

Olhei para o lado e vi Gustavo. Ele não estava mais olhando para o tablet ou para os meus parentes. Ele estava me olhando. Havia um brilho de surpresa e algo mais profundo, um desejo sombrio, em seus olhos. Ele não esperava que a "substituta" tivesse garras tão afiadas.

A reunião durou duas horas sangrentas. Ao final, os termos de Gustavo foram aceitos. A Tecidos Silva estava sob novo comando. O meu comando.

Quando voltamos para o carro, a adrenalina ainda corria em minhas veias. Gustavo se sentou ao meu lado e, pela primeira vez desde que nos conhecemos, ele não parecia estar apenas cumprindo uma cláusula.

— Você foi... eficiente — ele admitiu, sua voz baixa. — Mais do que eu previ.

— Você achou que eu era apenas um rosto parecido com o da Pérola que sabia usar uma calculadora, não foi?

Gustavo se inclinou em minha direção. O SUV blindado parecia pequeno demais para a eletricidade que agora flutuava entre nós.

— Eu achei que você seria uma ferramenta útil, Ana. Mas começo a suspeitar que você é um perigo muito maior. — Ele estendeu a mão e tocou uma mecha do meu cabelo, enrolando-a no dedo. — A cláusula de disponibilidade total não se aplica apenas aos negócios. Você sabe disso, não sabe?

— Eu cumpri minha parte hoje — respondi, sentindo meu coração acelerar por um motivo diferente. — Salvei seu investimento.

— Você não salvou meu investimento, Ana. Você o tornou interessante. — Ele se aproximou mais, seu rosto a milímetros do meu. — E eu sou um homem que se entedia facilmente. Mas você... você está me deixando muito curioso.

Ele não me beijou. Ele apenas ficou ali, testando meu autocontrole, até que o carro parou diante de um restaurante de luxo.

— Vamos comemorar nossa vitória, Sra. Almeida. Mas não se engane: na Tecidos Silva você manda. Mas nesta noite, e em todas as outras que o contrato prevê... o comando continua sendo meu.

Saí do carro sentindo que, embora tivesse ganhado uma batalha na empresa, eu estava perdendo a guerra dentro de mim mesma. Eu odiava Gustavo Almeida com todas as minhas forças, mas o jeito que ele me olhou naquela sala de reuniões despertou algo que não estava em nenhum contrato: uma fome de ser reconhecida, mesmo que fosse pelo meu carrasco.

Entramos no restaurante e o peso dos olhares da elite paulistana caiu sobre nós como uma sentença. Gustavo manteve a mão possessiva em minha cintura, um gesto que para o mundo parecia proteção, mas que para mim era o lembrete físico de cada cláusula que eu acabara de selar com meu desempenho. Eu havia provado meu valor nos negócios, mas o brilho predatório nos olhos dele deixava claro: eu acabara de me tornar o alvo mais cobiçado de sua própria caça.

Lanjutkan membaca buku ini secara gratis
Pindai kode untuk mengunduh Aplikasi

Bab terbaru

  • Na Cama Do Meu Cunhado   O Jogo do Espelho

    Capítulo 20 O silêncio no quarto da mansão era quebrado apenas pelo som da chuva batendo contra as janelas de vidro. Gustavo estava sentado na poltrona, observando o jardim com um olhar vago que me gelava o sangue. Fazia três dias que havíamos voltado do mar. Três dias desde que ele me perguntara quem eu era. Os médicos falavam em trauma neurológico temporário, mas eu conhecia o homem com quem me casara. Gustavo Almeida não era uma vítima; ele era um estrategista. — Trouxe o teu chá — disse, colocando a bandeja sobre a mesa lateral. Ele virou o rosto lentamente. A cicatriz no ombro ainda estava protegida por curativos, mas a postura dele era rígida demais para um homem desorientado. — Obrigado, Ana — respondeu ele. O uso do meu nome fez o meu coração falhar uma batida. — Começo a lembrar-me de fragmentos. O porto, o fogo... e o teu rosto no meio das chamas. Aproximei-me, sentindo a tensão elétrica entre nós. A "substituta" agora era a dona da casa, mas o mestre estava de volta a

  • Na Cama Do Meu Cunhado   O Canto da Sereia Negra

    Capítulo 19O helicóptero da segurança do Grupo Almeida cortava o céu noturno sobre a Ilha Bela, avançando em direção às coordenadas do iate dos Mendonça. O vento fustigava o meu rosto através da porta semiaberta, mas eu não sentia frio. A adrenalina agia como um anestésico para o medo. Ao meu lado, Lucas estava algemado ao assento, o rosto iluminado pelos instrumentos do painel. Ele sabia que, se o plano falhasse, eu não hesitaria em deixá-lo cair no oceano.— Vês aquele brilho prateado? — gritou Lucas sobre o barulho das hélices. — É o *Siren*. O iate de luxo dos meus "parentes". Se o Gustavo estiver lá, ele está no convés inferior, onde montaram uma unidade médica improvisada.— Ou uma câmara de tortura — respondi, ajustando o colete à prova de balas por baixo do meu terno azul. — O que a Pérola quer com a Crisálida, Lucas? Ela não tem o intelecto para gerir a fórmula.— Ela não quer gerir, Ana. Ela quer usar. Ela quer apagar a memória do Gustavo e reprogramá-lo para ser o seu fant

  • Na Cama Do Meu Cunhado   O Sangue e a Herança

    Capítulo 18 Lucas Duarte atravessou o gabinete com uma confiança que eu nunca vira nele. O homem que antes vestia jeans gastos e tinha um olhar de adoração, agora usava um terno de três peças e carregava uma pasta de couro com o brasão dos Mendonça. O silêncio na sala era tão denso que eu podia ouvir a minha própria respiração acelerada. Ele parou diante da mesa de Gustavo, a mesa que agora eu ocupava, e abriu um sorriso que não alcançava os olhos. — Estás muito bem nesse trono, Ana — disse ele, a voz desprovida da doçura de outrora. — O azul-marinho realça a tua nova frieza. O Gustavo ficaria orgulhoso da viúva que ele ainda não é. — O que estás a fazer aqui, Lucas? — perguntei, mantendo a mão direita sob a mesa, perto do coldre. — O vídeo do Gustavo disse-me quem tu és. Um espião. Um traidor que vendeu a nossa história por um cargo nos Mendonça. Lucas soltou uma risada seca e sentou-se na cadeira à minha frente, cruzando as pernas com elegância. — O Gustavo sempre foi paranoico

  • Na Cama Do Meu Cunhado   O Trono de Espinhos

    Capítulo 17Às sete da manhã, o espelho do banheiro da suíte presidencial não refletia a noiva assustada de semanas atrás. Eu vestia um terno azul-marinho que moldava o meu corpo como uma armadura de seda. O batom vermelho era a única cor num rosto que aprendera a mascarar o cansaço. As queimaduras nas minhas mãos estavam escondidas por luvas de pelica fina, um detalhe que me conferia um ar de mistério. Gustavo ainda estava em coma, mas o seu império não esperaria pelo seu despertar.— A reunião começa em dez minutos, senhora — anunciou o secretário, entrando sem bater. — O conselho está em polvorosa. Os Mendonça já moveram as peças para desvalorizar as nossas ações na abertura do pregão. Eles sentem o cheiro de sangue.— Deixe que tentem — respondi, pegando a minha pasta de couro e sentindo o peso do chip de memória. — Eles acham que o Grupo Almeida está decapitado. Mal sabem eles que a nova cabeça é muito mais afiada e não tem nada a perder.Caminhei pelos corredores com uma escolta

  • Na Cama Do Meu Cunhado   O Último Suspiro da Honra

    Capítulo 16 O cheiro de antisséptico do hospital era agressivo, mas não conseguia camuflar o cheiro de fumaça que ainda emanava dos meus cabelos. Gustavo tinha acabado de ser levado para o centro cirúrgico. A última imagem que eu tinha dele era o seu rosto pálido, a máscara de oxigênio embaçada e a mão dele soltando a minha enquanto a maca desaparecia pelas portas duplas. — Senhora Almeida? Precisa que examinemos essas queimaduras — disse uma enfermeira, tentando tocar o meu braço. — Eu estou bem — respondi, a voz ríspida. — Onde está o meu pai? Eu sabia que ele estaria ali. Arthur Silva não perderia a chance de ver os destroços do que ele mesmo causara. Avistei-o no final do corredor, sentado numa das poltronas de couro da área VIP, segurando um copo de água com as mãos trêmulas. Ele não parecia um pai preocupado; parecia um rato acuado. Caminhei até ele. Cada passo dos meus saltos no piso de mármore soava como uma sentença. Quando ele me viu, tentou se levantar, um sorriso fals

  • Na Cama Do Meu Cunhado   Cinzas da Liberdade

    Capítulo 15O calor no interior do galpão era uma barreira física intransponível. O metal estalando sob a pressão das chamas competia com o barulho da chuva que castigava o telhado de zinco. Eu estava parada no centro do caos, a arma de Gustavo pesando na minha mão direita e o chip de memória na esquerda. De um lado, a saída sul e a liberdade imediata. Do outro, o inferno onde o homem que me comprara tentava agora enfrentar a própria ruína para me devolver a vida.— Gustavo! — gritei, mas a minha voz foi engolida por uma nova explosão de um dos geradores nos fundos do armazém.Meus pés se moveram por instinto. Eu não podia deixá-lo morrer ali. Corri para o labirinto de contentores, desviando de labaredas que subiam pelas caixas de madeira empilhadas. Subi por uma escada metálica lateral, sentindo o ferro queimar as palmas das minhas mãos. Lá no alto, a visão era dantesca. Pérola estava de pé sobre uma plataforma de carregamento, rindo enquanto segurava um maço de papéis amarrados por

Bab Lainnya
Jelajahi dan baca novel bagus secara gratis
Akses gratis ke berbagai novel bagus di aplikasi GoodNovel. Unduh buku yang kamu suka dan baca di mana saja & kapan saja.
Baca buku gratis di Aplikasi
Pindai kode untuk membaca di Aplikasi
DMCA.com Protection Status