تسجيل الدخولCapítulo 133Aria mordeu o lábio inferior com tanta força que sentiu o gosto metálico e quente do próprio sangue na língua. O peito subia e descia em arfadas curtas e descompassadas. A dúvida não era apenas um pensamento; era uma lâmina afiada rasgando sua mente ao meio. Aquela alcateia tinha se tornado seu porto seguro, o único refúgio onde finalmente experimentara o sabor da liberdade. Acreditar que Hulio ou os outros pudessem se virar contra ela parecia uma traição vil à confiança que construíra. Mas Maike... Maike era a única testemunha viva de sua infância, o garoto que sangrara por ela no passado.Antes que ela pudesse formular qualquer resposta, o rangido estridente cortou o ar abafado. A cela pareceu encolher quando a porta se abriu devagar, revelando a silhueta alta e imponente de Mason sob a luz amarelada do corredor.— Aria, o tempo acabou. Você precisa vir — disse o guarda. Sua voz saiu neutra, impecavelmente profissional, mas seus olhos semicerrados vasculhavam a cela,
Capítulo 132 Aria guardou o papel amarelado no bolso do casaco com cuidado. O olhar de Maike continuava sobre ela, sério e pesado, fazendo o ar da cela parecer ainda mais frio do que a pedra.Ela deu dois passos à frente, encurtando a distância entre eles, e o envolveu em um abraço firme. Sentir o calor de Maike, o cheiro familiar de terra e folha seca que ele sempre carregara, trouxe-lhe uma onda passageira de conforto em meio à tempestade de dúvidas.— Eu estou realmente feliz em te ver, Maike — murmurou ela, afastando-se devagar, mantendo as mãos apoiadas nos ombros dele. — Mas, sendo sincera com você... acho que a sua cabeça está criando conexões onde não existem. Você está pensando demais sobre isso.Ela soltou os ombros dele e deu meia-volta, encarando as paredes nuas de cimento.— Isso tudo não tem nada a ver comigo — continuou, soltando um riso soprado e sem vida. — Como eu poderia carregar uma força dessas? Eu mal consigo me manter em pé quando o perigo aparece! Mal con
Capítulo 131Aria segurou o papel antigo com as pontas dos dedos trêmulas, sentindo a textura áspera e gasta do pergaminho sob a pele. As margens estavam levemente chamuscadas, e a superfície coberta por símbolos e caligrafias em uma língua ancestral que ela jamais vira antes — runas entrelaçadas em espirais finas que pareciam pulsar sob a luz fraca da cela. Impotente diante das palavras que não conseguia ler, os olhos de Aria foram inevitavelmente atraídos para as ilustrações desenhadas em nanquim desbotado. À medida que percorria as sequências de imagens, o ar em seus pulmões pareceu congelar. A primeira gravura retratava um bebê recém-nascido, pequeno e indefeso, repousando sobre um altar sob a projeção direta de uma lua cheia colossal. Ao encarar aquela figura, um arrepio visceral percorreu a espinha de Aria; o coração disparou contra o peito numa aceleração quase dolorosa, acompanhado por um sentimento avassalador de familiaridade, como se reconhecesse aquele momento em uma mem
Capítulo 130Uma batida seca e ritmada ecoou contra a madeira da porta. Mason não esperou que ela respondesse para entreabri-la, mantendo a postura ereta e a expressão profissional de um guarda treinado.— Aria — chamou ele, com a voz neutra. — O Alfa autorizou sua visita ao prisioneiro. Antes mesmo que o guarda terminasse de pronunciar a frase, Aria se levantou em um salto da beirada da cama. O alívio percorreu seu corpo como um choque elétrico. Ela calçou os chinelos de forma apressada, mal ajustando-os nos pés, e passou por Mason.— Vamos — disse ela, já dando passos largos pelo corredor. Mason a acompanhou de perto, mantendo uma distância calculada de proteção e vigilância. O trajeto até a ala de contenção no subsolo era frio, e o cheiro de umidade e pedra antiga ficava mais denso a cada passo. Quando finalmente pararam diante da cela de ferro batido onde Maike estava mantido, o guarda retirou o molho de chaves do cinto. O metal rangeu quando a tranca cedeu. Mason segurou a p
Capítulo 129— O quê? — Lisi desviou o rosto rapidamente, tentando disfarçar o rubor quente que ameaçava subir por seu pescoço. — Não sei do que você está falando, Luke. Por que o Rayzel teria qualquer coisa a ver com a minha decisão?Luke soltou um suspiro pesado, o peito largo subindo e descendo enquanto cruzava os braços sobre o tórax.— Lisi, eu conheço você melhor do que qualquer pessoa neste mundo. E conheço o Rayzel. — Ele fez uma pausa carregada de gravidade, sustentando o olhar sobre ela. — Eu nunca vi aquele homem perder o controle ou virar uma fera desgovernada por causa de ninguém daquela maneira. O que está acontecendo entre vocês?Lisi virou-se para ele, as palavras atropelando-se num tom defensivo e apressado:— Ele é o Beta desta alcateia, Luke! E eu sou apenas uma garota que ainda está aprendendo a segurar uma espada! Minha loba é fraca... Por que um homem na posição dele teria olhos para mim?Luke franziu o cenho de imediato. A expressão dura cedeu lugar a uma indign
Capítulo 128Lisi não parou para pensar.Assim que deixou o quarto de Rayzel, atravessou os corredores dos alojamentos com passos rápidos e pesados. O peito apertado e a respiração descompassada denunciavam a tempestade em seu interior. Não queria encontrar ninguém. Não queria ouvir perguntas curiosas. Muito menos precisava de alguém tentando convence-la de que tudo ficaria bem.Ela precisava esquecer. Ou, pelo menos, silenciar por alguns minutos aquilo que estava queimando dentro dela.Por isso, seguiu diretamente para o pátio de treinamento deserto.Pegou uma espada de treino no suporte de madeira. Depois outra. E começou.Os primeiros golpes saíram carregados de fúria pura. Cada estocada era mais forte e violenta do que a anterior. Ela golpeava os bonecos de palha e madeira até os braços começarem a tremer pelo esforço, corrigia a própria postura com brutalidade, repetia os movimentos e atacava novamente.Quando as palmas das mãos começaram a arder e esfolar, não parou. Quando as p







