MasukHelena ainda se lembrava do encontro que tivera com Sergio alguns dias antes. Não havia acontecido nada extraordinário naquela ocasião. Eles haviam conversado por alguns minutos, trocado algumas palavras e seguido caminhos diferentes. Mesmo assim, desde aquele dia, uma sensação estranha permanecera em sua memória.Ela não sabia explicar por quê. Sergio também não havia esquecido Helena. Durante aqueles dias, algumas vezes se pegara tentando lembrar onde poderia ter visto aquele rosto antes. Não conseguia encontrar uma resposta. A lembrança mais antiga que tinha de Helena não passava de uma impressão vaga, quase como uma imagem perdida em meio a tantas outras memórias da infância.Naquela tarde, os caminhos dos dois voltaram a se cruzar. Helena estava saindo de uma pequena loja quando avistou Sergio do outro lado da rua. Reconheceu-o imediatamente. Diminuiu o passo e ficou alguns segundos observando, surpresa por encontrá-lo novamente tão perto de onde estivera dias antes.Sergio també
A noite havia chegado tranquilamente à mansão depois do episódio que havia deixado Ricardo com um corte superficial no braço. O ferimento não era grave, mas Joice ainda observava o curativo de tempos em tempos, como se precisasse confirmar que tudo continuava bem. Ricardo, por sua vez, tentava agir normalmente. Estava acostumado com situações perigosas e sabia que aquele corte não representava uma ameaça séria, mas a preocupação de Joice fazia com que enxergasse o acontecimento de uma maneira diferente.Depois do jantar, os dois permaneceram na sala. A televisão estava ligada em volume baixo, mas nenhum deles prestava muita atenção ao que passava na tela. Joice estava sentada no sofá, enquanto Ricardo permanecia ao lado dela, com o braço machucado apoiado cuidadosamente sobre uma almofada.A mansão estava silenciosa. Os filhos de Ricardo já haviam se recolhido, e os funcionários circulavam pouco pelos cômodos naquele horário. Pela primeira vez desde que voltara a fazer parte daquela c
No final daquela tarde, Ricardo decidiu sair com Joice para que os dois pudessem passar algumas horas longe das preocupações da mansão. Depois dos últimos acontecimentos, Ricardo vinha tentando aproveitar os momentos tranquilos ao lado de Joice, principalmente agora que a relação entre os dois havia mudado.Joice se arrumou sem pressa e desceu quando Ricardo já esperava-a. O homem havia escolhido roupas mais simples do que costumava usar quando precisava circular pela comunidade. Também pediu que os poucos homens que os acompanhariam mantivessem certa distância, pois não queria chamar atenção.Ricardo era conhecido em Paraisópolis. Ser o Dono do Morro fazia com que sua presença dificilmente passasse despercebida, mas naquela tarde Ricardo pretendia apenas caminhar com Joice e aproveitar a sua companhia.Os dois seguiram pelas ruas conversando sobre coisas simples. Joice comentou sobre os gatos que agora estavam na mansão, falou sobre como ainda estava se acostumando com a nova rotina
A manhã havia começado tranquila em Heliópolis quando Sergio saiu para resolver alguns assuntos que precisavam de sua atenção. Desde a conversa que tivera com Caio, o rapaz continuava com a cabeça cheia. As palavras que havia dito ao pai ainda estavam presentes em seus pensamentos, principalmente o pedido para que ele parasse antes que a vingança acabasse causando uma nova tragédia.Sergio conhecia Caio o suficiente para saber que não seria fácil fazê-lo mudar de ideia. O pai havia passado anos alimentando ressentimentos e procurando maneiras de atingir aqueles que considerava responsáveis por tudo o que havia perdido. Agora, com Ricardo e Joice novamente próximos, aquela obsessão parecia ter encontrado uma nova direção.Mesmo preocupado, Sergio precisava continuar cumprindo suas responsabilidades. Não queria passar o dia inteiro pensando no que poderia acontecer. Resolveu alguns assuntos com os homens que trabalhavam para sua família e, depois, decidiu caminhar por uma região que con
A noite chegou lentamente sobre Paraisópolis, envolvendo a mansão em uma tranquilidade incomum. Os gatos de Joice ainda exploravam o quarto reservado, descobrindo cada canto do novo ambiente e se acostumando aos cheiros diferentes. Joice havia passado boa parte da tarde perto dos animais, organizando seus pertences e certificando-se de que tinham água, comida e um espaço confortável.Ricardo observava aquela movimentação de longe. Havia algo diferente naquela casa. Durante muito tempo, a mansão havia sido marcada por lembranças difíceis, principalmente depois da morte de Beatriz. Mesmo cercado pelos filhos, funcionários e homens de confiança, existia uma espécie de vazio que Ricardo aprendera a aceitar como parte de sua vida. Agora, porém, pequenas coisas começavam a mudar.O som dos gatos andando pelo corredor, a presença de Joice e até mesmo alguns objetos pessoais espalhados pelos cômodos faziam a casa parecer menos fria. Ricardo ainda não sabia explicar exatamente o que sentia, ma
A tarde começava a cair sobre Paraisópolis quando Joice finalmente se lembrou dos gatos. Estava sentada na sala da mansão, observando pela janela o movimento do lado de fora, quando uma lembrança repentina fez com que levasse a mão à testa. No meio de tudo o que havia acontecido desde o sequestro, havia deixado completamente de pensar nos animais que estavam no apartamento de Aline.A preocupação surgiu imediatamente. Joice sabia que Aline havia cuidado dos gatos durante sua ausência, mas ainda assim sentiu uma pontada de culpa. Aqueles animais faziam parte de sua vida havia muito tempo, e não conseguia imaginar quanto tempo mais poderia deixá-los longe.Joice pegou o celular e entrou em contato com Aline. Depois de explicar a situação, descobriu que os gatos estavam bem e continuavam sendo cuidados. Aline não demonstrou qualquer problema quando Joice perguntou se poderia buscá-los. Pelo contrário, pareceu aliviada por saber que finalmente teria uma oportunidade de levar os animais pa







