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— Foi porque o Paulo apareceu e me deu uma surra. Não vim procurá-la imediatamente porque... — Ele ergueu a perna da calça, revelando a tornozeleira eletrônica, e explicou, resignado. — Contratei um dos advogados mais renomados e enfrentei uma longa batalha judicial. Só então o tribunal permitiu que eu adiasse por um ano o cumprimento da pena. Foi assim que pude vir vê-la. Sei que não importa o que eu diga ou faça, provavelmente você nunca vai me perdoar. Mesmo assim, eu precisava vê-la. Queria saber se você estava bem. Desculpe. A culpa foi minha. Eu amo você, Jéssica. Deveria ter entendido o que sentia muito antes. É você quem eu amo. Quando soube da sua morte, eu...— Cindy, venha logo!Minha colega de equipe me chamou mais adiante.Vinícius não terminou o que ia dizer. Nem tentou continuar. Com um sorriso nos lábios, manteve os olhos fixos em mim. Era como se quisesse memorizar cada detalhe do meu rosto.Franzi levemente a testa.— Terminou? Preciso ir.Vinícius assentiu com relutâ
Dois anos depois, eu estava sentada em uma cafeteria nos Estados Unidos, ouvindo uma transmissão de rádio do meu país.[Segundo informações divulgadas, Vinícius, ex-presidente do Grupo Barbosa, foi denunciado pelo Ministério Público pela prática de incitação ao estupro e ao homicídio doloso e, após dois anos de tramitação processual, foi condenado à pena de reclusão, com o início do cumprimento adiado por um ano, além da suspensão dos direitos políticos nos termos da legislação vigente.]Ao ouvir aquilo, a xícara de café em minha mão tremeu por um instante, mas logo voltou a se aquietar.Ouvi atrás de mim os passos apressados de Paulo.— Jéssica, você esqueceu suas coisas de novo. — Ele me entregou a bolsa. — Tem certeza de que não precisa que eu vá com você?Sorri e balancei a cabeça.— O grupo inteiro da trilha é composto apenas por mulheres. Você realmente gostaria de nos acompanhar?Paulo balançou a cabeça depressa. Ele não tinha muita paciência com garotas muito falantes, porque a
— Me deixem sair! Vocês têm que me deixar sair! Eu não quero ficar aqui!A porta se fechou com força, e Vinícius entrou no cômodo ao lado.Sem hesitar, desferiu um chute entre as pernas de Rodrigo. Em seguida, voltou os olhos para o laudo do DNA, preparado às pressas.Um sorriso frio apareceu em seus lábios.— Vocês tiveram a coragem de se unir para me enganar!Rodrigo se contorceu de dor, mas, ainda assim, esboçou um sorriso.— Presidente Vinícius, acredite ou não, eu também fui enganado por ela.Vinícius não respondeu. Ao se virar para sair, disse, articulando cada palavra com clareza:— Pegue seu filho e suma daqui.Rodrigo insistiu:— E ela?Vinícius interrompeu os passos e respondeu em um tom frio:— Ela vai descer ao inferno para pedir perdão à Jéssica.Vinícius se sentou do lado de fora da porta. De dentro do quarto, ecoavam os gritos e as maldições de Manuela.— Não encostem em mim! Ah! Não encostem em mim! Vinícius, eu errei! Me poupe! Me salve, por favor!Sentado na cadeira,
Vinícius não lhe deu atenção. Apenas colocou o celular diante dela, com o e-mail aberto na tela.Sua voz era calma e pausada, mas transmitia uma frieza assustadora.— Foi você quem enviou este e-mail, não foi?Manuela arregalou os olhos por instinto e murmurou:— Eu apaguei... Como isso é possível...Vinícius não conseguiu conter uma risada, embora seus olhos estivessem vermelhos.Ele não conseguia aceitar que uma armação tão grosseira tivesse sido suficiente para encurralar sua esposa e deixá-la sem saída.De repente, agarrou Manuela pelo pescoço.— Por que você fez isso? Ela era sua melhor amiga! Por que a levou à morte? A Jéssica não fez nada de errado. Fomos nós que tivemos um caso e a traímos. Nós estávamos errados! Você merece morrer. Eu vou fazer você pagar pelo que fez com a Jéssica!O rosto de Manuela ficou vermelho sob o aperto, e ela já mal conseguia respirar.Rodrigo afastou Vinícius à força e protegeu Manuela atrás de si.Rodrigo não esperava que Vinícius fosse capaz de ta
Só então percebeu que a pessoa que, no dia anterior, ainda estava viva diante dele agora estava reduzida a uma pequena urna funerária.De repente, Vinícius desabou em soluços.— Desculpe... Me desculpe de verdade!Mas já não havia ninguém para lhe responder, nem aqueles olhos brilhantes, nem a pessoa que, tarde da noite, lhe trazia uma tigela de sopa quente.Ele deixou que a dor no estômago se intensificasse, como se quisesse castigar a si mesmo de propósito. Os analgésicos estavam no criado-mudo, ao lado da cama, mas ele permaneceu imóvel.Abraçou a urna funerária com força, como se tivesse medo de perdê-la novamente.Só reagiu quando ouviu a fechadura girar e seu assistente, Antônio, entrar no quarto. Constrangido, o homem informou:— Presidente Vinícius, a Srta. Manuela está procurando pelo senhor.Só então o olhar vazio de Vinícius finalmente mudou. Com a voz rouca, ele perguntou, em tom de acusação:— Por que as coisas chegaram a este ponto?Antônio respondeu com cautela:— Presid
Quando Vinícius chegou à funerária, a cerimônia já havia começado.Em meio às lágrimas, levantou os olhos e viu o retrato em preto e branco exposto na entrada do salão. Instintivamente, levou a mão aos olhos e os esfregou, convencido de que estava enxergando errado.Mas, ao se aproximar, já não conseguiu enganar a si mesmo.Vinícius fitou a cena diante de si, atordoado, e murmurou:— Como isso é possível? Como pode ser possível? Nunca imaginei que ela fosse morrer.Sara Souza, empresária de Jéssica, o encarou com os olhos vermelhos de tanto chorar e cheios de rancor.— O que você veio fazer aqui? Vá embora! Saia daqui! Jéssica não quer ver você. Vá embora agora!Vinícius ainda estava mergulhado no choque de descobrir que Jéssica havia morrido. Em vez de se irritar, olhou para Sara enquanto tentava acreditar que não era verdade.— Ela não morreu, não é? Onde você escondeu a Jéssica? Faça ela aparecer e diga a ela que pare com essa encenação. Já ordenei que apagassem todos os vídeos. Nin







