LOGINEle atravessou a enfermaria lentamente.
Seraphina tentou continuar trabalhando, mas Kaiden parou atrás dela. Quando ela se virou, encontrou-o perto demais. — Você está evitando seu futuro Alfa? — Estou trabalhando. — Péssima desculpa. — Funciona melhor do que “sou arrogante demais para marcar horário”. Kaiden sorriu. — Sentiu minha falta. — Durante as últimas três horas? — Foram quatro. Seraphina tentou passar, mas ele segurou delicadamente sua cintura e a conduziu até uma das colunas. Não havia força suficiente para prendê-la. Kaiden nunca precisava disso com ela. Seraphina poderia afastá-lo, e os dois sabiam. Talvez fosse exatamente por isso que a proximidade dele mexia tanto com ela. — Depois da cerimônia, não precisaremos mais fazer isso escondidos — Kaiden falou, passando os dedos pelo rosto dela. — Estou cansado de fingir que você é apenas minha amiga quando metade de Blackthorn já percebeu que não consigo ficar cinco minutos perto de você sem querer tocar em você. Seraphina tentou controlar o sorriso. — E está preparado para acordar todos os dias comigo contrariando você? — Eu passei metade da minha vida me preparando. — Metade? Kaiden inclinou a cabeça. — A outra metade passei imaginando como seria calar essa sua boca. Ela arqueou uma sobrancelha. — E encontrou alguma maneira eficiente? O olhar dele caiu lentamente até seus lábios. — Algumas. Kaiden inclinou o rosto. Nymera praticamente ronronou dentro dela. — “Finalmente.” Seraphina mal teve tempo de responder quando a porta se abriu. — Kaiden, os guerreiros de Redmoor... O homem parou. Kaiden fechou os olhos. — Você possui um talento impressionante para chegar no pior momento, Corvin. O guerreiro ficou vermelho. — Posso voltar depois. Seraphina escapou dos braços de Kaiden, rindo. — Agora já estragou. Termine. Corvin informou que alguns representantes haviam chegado antes do previsto e precisavam falar com Kaiden. Ele concordou, mas antes de sair estendeu a mão para Seraphina. — Venha comigo. — Tenho trabalho. — Sua mãe está voltando. Seraphina olhou pela janela e viu Elowen tranquilamente conversando com outra curandeira, segurando uma cesta praticamente vazia. — Traidora. Kaiden riu e entrelaçou os dedos nos dela. Caminharam pelas ruas movimentadas de Blackthorn, mas mantiveram alguma distância quando encontraram mais pessoas. Seraphina começou a falar sobre os preparativos da cerimônia e percebeu que Kaiden estava mais calado. Ela parou. — Está com medo? Kaiden soltou sua mão. — Eu sou um Cyrus. Seraphina estreitou os olhos. — Isso não responde. — Um Alfa não pode demonstrar medo. Ela olhou ao redor. Quando teve certeza de que ninguém prestava atenção, segurou novamente a mão dele. — Então não fale como Alfa. Fale comigo. Kaiden ficou alguns segundos sem dizer nada. Ali não estava o homem diante de quem guerreiros abaixavam a cabeça. Era simplesmente o garoto com quem Seraphina cresceu, agora tentando carregar responsabilidades grandes demais sem deixar ninguém perceber o peso. — Estou com medo de falhar. A confissão saiu baixa. Seraphina apertou os dedos dele. — Então falhe algumas vezes. Depois levante. É isso que homens fazem. Só os idiotas acreditam que precisam acertar sempre. Kaiden soltou uma pequena risada. — Essa é sua forma de me consolar? — Sim. Posso piorar se quiser. Ragnar se manifestou dentro da mente de Kaiden. — “Ela será uma boa Luna.” Kaiden olhou para Seraphina. — Eu sei. — “Não. Você sabe que a ama. Ainda não entende o que ela será.” Kaiden franziu levemente a testa. — O que isso significa? Ragnar não respondeu. — Kaiden? — Seraphina chamou. — Ragnar está falando? — Está sendo misterioso. — Ele anda muito com Nymera. — “Eu ouvi” — Nymera reclamou na mente dela. Seraphina sorriu e se despediu quando chegaram perto da fortaleza. Kaiden precisava seguir para a reunião, e ela retornaria à enfermaria. Antes de se afastar, ele segurou sua mão uma última vez. — Faltam poucos dias. Seraphina sorriu. — Eu sei. — Depois disso, nada escondido. Ela acreditou nele. Completamente. Quando voltou para casa naquela noite, encontrou tudo quieto demais. Chamou pela mãe e não recebeu resposta. Seguiu até o pequeno quarto de Elowen e encontrou a porta entreaberta. A mãe estava diante de uma velha caixa de madeira. Dentro dela havia um colar que Seraphina nunca tinha visto. A corrente era fina, e no centro havia uma pedra prateada marcada por símbolos estranhos. No instante em que Seraphina entrou no quarto, a pedra brilhou. Elowen fechou a caixa de uma vez. Seraphina parou. — O que é isso, mãe? A mãe ficou pálida. — Nada que pertença a você. Seraphina conhecia Elowen bem demais. Conhecia cada expressão daquela mulher, cada mudança em sua voz e até a forma como desviava os olhos quando tentava esconder preocupação. Nymera se levantou dentro de sua mente. — “Ela mentiu.” Seraphina continuou olhando para a mãe. — Minha mãe nunca mente para mim. Nymera não hesitou. — “Acabou de mentir.” E, pela primeira vez naquela noite, Seraphina esqueceu completamente a cerimônia de Kaiden.Tavian entrou no escritório de Kaiden pouco depois do amanhecer, carregando uma carta que havia sido aberta às pressas. Seu rosto estava fechado, e a maneira como segurava o documento fez Seraphina abandonar imediatamente o livro que examinava.— Interceptamos uma mensagem enviada por um comandante ligado a Malrik — anunciou. — Nossos homens encontraram o mensageiro na estrada norte. Ele tentou destruir a carta quando percebeu que seria revistado.Kaiden levantou-se.— O que dizia?Tavian colocou o papel sobre a mesa.— Existe um ataque planejado contra Blackthorn. Mas o objetivo principal não é conquistar território.Seraphina aproximou-se, sentindo o coração acelerar.— Então qual é?Tavian respirou profundamente.— Capturar Orion. Vivo.Seraphina arrancou a carta da mesa e começou a ler. As instruções eram claras: os invasores deveriam criar uma distração nas fronteiras, obrigando os guerreiros de Blackthorn a abandonar suas posições. Enquanto isso, um segundo grupo tentaria alcanç
Evander Holt terminou de ler a carta enviada por Roderick Hale e a colocou sobre a mesa com tanta força que seu conselheiro se assustou. O documento exigia que ele enviasse cinquenta guerreiros para reforçar as tropas posicionadas perto das fronteiras de Blackthorn.— Estão exigindo uma resposta até o anoitecer — informou seu comandante, Gideon. — Roderick afirma que nossa ausência será considerada uma traição à aliança.Evander levantou-se e caminhou até a janela.— Traição? Desde quando defender uma alcateia que não nos atacou significa trair alguém?Gideon permaneceu em silêncio.— Prepare uma resposta — Evander ordenou. — Nenhum guerreiro de Holt marchará contra Blackthorn.O comandante franziu a testa.— Alfa, Roderick não aceitará isso facilmente.— Então ele terá que aprender que não governa meu território.A resposta provocou uma reunião urgente entre os líderes da aliança. Roderick apareceu acompanhado por Lucien Drax e Ronan Varek, visivelmente irritado com a decisão de Evan
O dia ainda estava começando quando Kaiden recebeu a notícia que mais temia desde os primeiros ataques contra Blackthorn. Ele estava no escritório, examinando os relatórios de abastecimento ao lado de Seraphina, quando Tavian entrou acompanhado por um guerreiro coberto de poeira.O capitão não precisou dizer uma palavra para que Kaiden percebesse a gravidade da situação. Seu rosto estava pálido, e havia sangue seco na manga do uniforme.— O que aconteceu? — Kaiden perguntou, levantando-se.Tavian respirou profundamente.— Uma patrulha foi emboscada perto da fronteira oeste. Encontramos quatro homens feridos e um morto.Seraphina levou a mão ao peito. Kaiden permaneceu imóvel.— Quem morreu?— Marcus Bellamy, Alfa. Ele estava protegendo os companheiros quando foi atingido.Kaiden conhecia Marcus desde a juventude. O guerreiro tinha trinta e dois anos, uma esposa e duas crianças pequenas. Trabalhava em Blackthorn havia mais de uma década e nunca havia recusado uma missão.— Os outros co
Kaiden permaneceu diante do mapa de Blackthorn, observando os pontos marcados em vermelho. Dois ataques haviam acontecido em menos de vinte e quatro horas, e os relatórios indicavam movimentações suspeitas perto de outras passagens. A cada nova informação, ficava mais difícil ignorar o perigo que se aproximava.Tavian estava ao lado da mesa, acompanhado por Darian e três comandantes. Todos pareciam cansados depois de uma noite praticamente sem descanso.— Perdemos duas carroças de medicamentos e uma parte dos alimentos destinados às comunidades do norte — informou Tavian. — Os sobreviventes disseram que os atacantes conheciam os horários da escolta.Kaiden franziu a testa.— Então alguém está fornecendo informações sobre nossas rotas. Quero que investiguem quem teve acesso aos horários.Darian assentiu.— Também precisamos proteger a residência. Se estão atacando nossas estradas, podem tentar chegar até Orion novamente.Kaiden passou a mão pelo rosto, preocupado.— Estou considerando
Kaiden despertou com batidas violentas na porta de seu quarto. Ainda estava escuro quando Tavian entrou, trazendo uma notícia que fez Ragnar despertar imediatamente dentro dele.— Alfa, atacaram nosso posto de vigilância na fronteira norte. Dois guerreiros estão gravemente feridos e uma comunidade precisou abandonar suas casas.Kaiden levantou-se imediatamente.— Quantos atacantes?— Ainda não sabemos. Incendiaram a torre de observação e algumas casas próximas. Nossos homens conseguiram retirar os moradores, mas o fogo continua avançando.Kaiden pegou a espada.— Prepare os cavalos. Partiremos agora.Seraphina apareceu na porta, vestindo um robe sobre a camisola.— Eu ouvi. Vou com vocês.Kaiden hesitou.— Seraphina, pode ser perigoso.Ela sustentou seu olhar.— Justamente por isso precisam de mim. Meu poder pode ajudar a proteger aquelas pessoas.Kaiden respirou fundo, lembrando-se das últimas conversas entre eles.— Tem razão. Prepare-se. Quero sair em dez minutos.Seraphina assenti
Kaiden estava reunido com Tavian e Darian quando um mensageiro entrou no escritório, carregando um documento marcado com três selos. O homem parecia cansado, e a poeira em suas roupas indicava que havia cavalgado durante horas.— Alfa, esta declaração foi enviada aos sete territórios — anunciou. — Os responsáveis exigiram que Blackthorn recebesse uma cópia imediatamente.Kaiden rompeu os selos e começou a ler. Sua expressão endureceu a cada linha, até que entregou o documento a Seraphina, que acabara de entrar.— O que aconteceu? — ela perguntou.— Roderick Hale, Lucien Drax e Ronan Varek anunciaram uma aliança militar contra Blackthorn.Seraphina examinou a declaração.— Eles afirmam que precisam impedir a expansão da autoridade Regente.Kaiden respirou fundo.— E estão exigindo nosso filho como garantia.Tavian aproximou-se da mesa.— Como assim, exigindo Orion?Seraphina leu a parte final do documento.— Querem que Orion seja entregue à supervisão de um conselho formado pelos sete







