MasukElara permaneceu diante da janela depois que Kael saiu para reunir a equipe.O relógio marcava quatorze horas e trinta e sete minutos. Faltavam pouco mais de três horas para a abertura programada do testemunho original de Helena Varyn.A urgência exigia decisões, mas Elara mal conseguia organizar os próprios pensamentos.Sobre a mesa estava a caixa vazia do violino.Ela se aproximou e tocou a madeira.Helena havia sido uma mulher corajosa. Enfrentara o Conselho, questionara o próprio marido e tentara proteger informações que homens poderosos desejavam esconder.E morrera sem conseguir entregar ao filho tudo o que sabia.Elara sentiu um aperto no peito.Desde que descobrira sua verdadeira identidade como Elyra de Arkan, muitas pessoas haviam lhe contado sobre sacrifícios feitos para mantê-la viva. Aldren perdera parte da própria história. Lyris passara décadas afastada do mundo. Famílias inteiras haviam sofrido por decisões tomadas em torno da herança da Lua Negra.Agora a morte de Hel
A nota encontrada na carruagem não bastava para provar que Seraphiel havia recebido a peça retirada do violino de Helena.Kael sabia disso.As iniciais S.A. poderiam pertencer a outra pessoa, e o envolvimento de Dário Marvek ainda precisava ser esclarecido.Mas havia algo que não conseguia ignorar: o homem que ameaçara sua mãe estava ligado aos antigos laboratórios do Conselho, às autorizações utilizadas para ocultar documentos e às tentativas recentes de destruir provas.Agora alguém roubara um objeto pessoal de Helena e encaminhara uma peça desconhecida a um destinatário identificado apenas por duas letras.— Quero a origem da nota — determinou Kael. — Papel, tinta, assinatura e, principalmente, quem a entregou ao transportador.Aldren assentiu.— Mauro Seldan é nossa ligação mais direta.Elara examinou a fotografia do documento.— A frase também merece atenção. “Encaminhar registro ao destinatário original.” Isso sugere que a peça já pertencia a alguém antes de ser escondida no vio
Breno Salvat foi encontrado às sete horas e doze minutos, ainda no Laboratório V-3.Não tentou fugir quando a equipe de Aldren apresentou a ordem de comparecimento para depoimento. Limitou-se a retirar o crachá e colocá-lo sobre a mesa.— Imagino que tenham descoberto o acesso ao terminal — disse.Aldren não respondeu imediatamente.— Descobrimos que sua credencial abriu a sala de contingência da propriedade Draven ontem, às vinte e três horas e doze minutos.Breno permaneceu imóvel.— Eu estava realizando uma inspeção.— No sistema de escalas da guarda? — perguntou Aldren.— Fui chamado para verificar uma falha de alimentação elétrica.— Por quem?Breno hesitou.— Pela administração da fundação.Aldren colocou diante dele a ordem de manutenção.— Esta solicitação foi emitida às vinte e duas horas e cinquenta e seis minutos. O campo do solicitante contém apenas as iniciais D.M.Breno abaixou os olhos.— Dário Marvek.— Ele pediu que verificasse a alimentação elétrica ou que preparasse
Kael não compreendia como alguém conseguira entrar em seus aposentos enquanto dezoito guardas permaneciam responsáveis pela segurança da propriedade Draven.O violino de Helena desaparecera. Dois funcionários haviam sido encontrados desacordados no arquivo particular. E o responsável pela invasão parecia saber exatamente quanto tempo Kael permaneceria distante.— Tomás, quero a escala completa da guarda — ordenou pelo transmissor. — Não apenas os nomes de quem estava de serviço. Preciso dos horários de entrada, saída e substituição de cada posto.A resposta veio entre ruídos.— Estou reunindo os registros.— E ninguém deve abandonar a propriedade até que os depoimentos sejam colhidos. Os funcionários feridos precisam de atendimento médico imediato.Elara permaneceu ao lado dele, observando o mapa do aqueduto.— Não podemos simplesmente voltar com todos os guardas — disse. — Cecília ainda está ameaçada, e o frasco precisa chegar ao laboratório independente.Kael assentiu.A situação ex
Às quatro horas e treze minutos, Kael espalhou o mapa da fronteira oriental sobre a mesa do laboratório.A Unidade Móvel 6 havia deixado as instalações de conservação transportando o frasco HV-09-04, possivelmente o único material remanescente da triagem química realizada após a morte de Helena Varyn.O manifesto também registrava Rafael Varyn como acompanhante.Mas ninguém havia confirmado que o médico estava dentro do veículo.— Antes de enviar homens atrás de uma unidade que pode nem estar seguindo a rota declarada, precisamos estabelecer onde ela foi vista — determinou Kael.Aldren abriu o transmissor.— Temos três postos de controle entre o laboratório e a passagem oriental. Ponte de Cedro, Desfiladeiro Branco e Portão de Arkan.Otávio apontou para o mapa.— A estrada principal passa pelos três. Existe uma via de manutenção que contorna o Desfiladeiro Branco, mas ela termina perto do antigo aqueduto.Elara se aproximou.— E a unidade possui algum equipamento de localização?Tomás
Kael despertou com três batidas violentas na porta.Ainda estava escuro. Elara dormia ao seu lado, com uma das mãos apoiadas sobre seu peito. Ele se levantou cuidadosamente, vestiu a túnica e abriu a porta.Aldren estava no corredor.— Precisamos conversar. Agora.Kael percebeu imediatamente que algo grave havia acontecido.— O que foi?— A equipe que examina os documentos recuperados no depósito encontrou uma ordem de eliminação que não depende da transferência financeira que bloqueamos.Elara despertou ao ouvir a voz de Aldren.— Eliminação de quê?Aldren entrou no quarto.— Das amostras preservadas no antigo laboratório médico do Conselho.Kael ficou imóvel.— Que amostras?— Materiais recolhidos durante o atendimento de Helena. O lote HV-09 continha uma referência cruzada a um segundo depósito, identificado como Laboratório V-3.Elara se levantou.— Rafael disse que não conseguiu preservar amostras na enfermaria.— E não conseguiu — respondeu Aldren. — Mas alguém recolheu materiai







