LOGIN— Então convide — respondeu Íris. — É a ele que você precisa perguntar. Valéria sustentou seu olhar. — Não pretendia pedir sua autorização. — Ótimo. Porque eu não vim dar nenhuma. Íris ajustou a pasta sob o braço e seguiu até a saída. Só quando encontrou Darian percebeu a força com que apertava a borda de couro. Ele se afastou da parede. — Tudo certo? — Terminamos por hoje. A resposta não era exatamente o que ele perguntara. Darian percebeu, mas não insistiu diante das pessoas que atravessavam o corredor. Caminharam até um jardim ao lado do setor de hóspedes. Íris reconheceu o cuidado com os caminhos, os bancos posicionados à sombra, o espaço suficiente para conversar sem ter alguém escutando na janela. Era um lugar em que ele poderia construir uma rotina. A constatação voltou a doer. — O que aconteceu com Valéria? — perguntou Darian. Íris olhou para ele. — Ela quis saber se o jantar de vocês atrapalharia minha participação profissional. A expressão dele se fechou.
A mensagem permaneceu aberta na tela. Hoje vou sair para jantar. Podemos conversar amanhã? Íris respondeu que sim. Não perguntou com quem. Ele não havia cancelado um compromisso marcado, nem lhe devia um relato de cada noite. Ainda assim, fechou a programação da visita sem terminar de ler. O restaurante escolhido por Valéria ficava numa rua movimentada, longe do alojamento. Ela conhecia o lugar. Cumprimentou a atendente, indicou uma mesa junto à janela e recomendou um prato antes de se sentar. Darian gostou da facilidade com que ocupava aquele espaço. Durante o jantar, descobriram uma discordância sobre o trabalho. Valéria queria participar das decisões sobre a instrução, mas recusara uma função administrativa que a afastaria dos guardas. — Você teria mais autoridade — observou ele. — E passaria a manhã assinando o que outras pessoas decidiram fazer. — Podia mudar isso. Ela sorriu. — Você está começando a entender por que eu ainda não aceitei. Darian riu. Valéria não e
A resposta chegou antes que Íris largasse o celular. Sabia do convite para conversar sobre a Casa. Não de uma demonstração. Pode me mandar o documento? Ela fotografou as páginas. Darian ligou alguns minutos depois. — Você leu tudo? — perguntou Íris. — Li. — Não vou repetir uma arena para provar que mereço ser ouvida. — Não precisa. A resposta veio sem hesitação. Íris permaneceu de pé junto à janela. — Quero saber por que juntaram uma conversa sobre atendimento a uma avaliação do meu dom. Darian consultou alguma coisa fora do alcance da câmera. — Valéria coordena parte da instrução dos guardas. Foi ela quem propôs o encontro. Vou perguntar. Íris tornou a olhar para a assinatura na última página. Valéria. — Pode perguntar sobre a origem da proposta — disse. — Minha resposta ao convite vai sair daqui. — Certo. Darian ergueu os olhos para a tela. — Eu queria que você viesse. Mas não assim. A frase lhe desarmou parte da tensão. — Eu também estava pensando numa visita di
— Isso ainda não é uma cobrança — disse Amélia. Íris ergueu os olhos da estimativa. — O que entrou nessa conta? — Tudo o que os revisores identificaram como despesa individual. Agora precisam separar remuneração, assistência médica, benefícios previstos e gastos particulares que não deveriam ter saído daqueles recursos. Ela tornou a olhar para o valor. A observação de Darian tinha lhe dado um peso definitivo que o próprio documento ainda não possuía. — Ele recebeu a mesma explicação? — Recebeu. E vai apresentar os esclarecimentos. Íris pousou a folha. Queria que cada despesa indevida fosse devolvida. Também queria que a apuração distinguisse responsabilidade de uma disposição desesperada para aceitar qualquer culpa. — Incluíram a internação dele? — perguntou. Amélia assentiu. — Como despesa identificada, sim. Não como dívida reconhecida. Íris ficou em silêncio. Darian fora envenenado antes de entrar na Casa. Depois, mantido sob efeito de uma substância que Augusto utili
— Existe — respondeu Darian. — Mas eu não sei como seria. Íris sustentou seu olhar. A resposta não lhe oferecia o conforto que desejava. Também não tentava obtê-lo à custa da vida dela. — Você não me pediria para deixar tudo aqui? — Não. Ele olhou para a porta da oficina. — Eu vejo o que você está construindo. Íris apertou a alça da bolsa. — E eu vejo que você gosta de estar lá. Darian assentiu. Por alguns segundos, nenhum dos dois falou. Até aquela tarde, a distância tinha um prazo. Agora havia uma possibilidade depois dele, e ela precisava decidir se conseguia conhecê-lo sem transformar cada encontro numa contagem regressiva. — Eu não quero passar as próximas semanas esperando uma decisão que você ainda nem pode tomar — disse. — Nem eu quero que você faça isso. Darian permaneceu onde estava. Não estendeu a mão para recuperar o contato que haviam perdido. — Posso continuar vendo você quando vier? — perguntou. Íris respirou fundo. — Pode perguntar. Eu vou responder d
— Você percebeu que eu não pedi uma aula? — perguntou Darian quando ela atendeu. Íris se acomodou contra o travesseiro. — Percebi quando não mencionou nenhum tipo de madeira. Ele riu baixo. Aquele som, perto do ouvido, fez a distância parecer menor por um instante. — Pensei em buscar você às três — disse. — Tem uma exposição de trabalhos artesanais no salão perto da praça. Depois podemos comer alguma coisa. — Você escolheu um lugar onde vou ficar examinando o acabamento de tudo? — Estou tentando usar meus pontos fortes. — Ainda estamos descobrindo quais são. — Então amanhã vai ser uma tarde importante. Íris sorriu no escuro. Combinaram o horário. Antes de desligar, Darian ficou em silêncio por alguns segundos. — Estou com saudade. Ela passou os dedos pela borda do cobertor. Não era a primeira vez que percebia aquilo na voz dele. Era diferente ouvi-lo dizer sem uma partida, um sofrimento ou uma explicação junto. — Eu também. Desligou antes de tentar tornar a resposta me







