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Capítulo 4

Author: Nuvemzinha
A chuva estava ainda mais forte quando saí do Grupo Monteiro.

E a dor no meu estômago ficava cada vez mais nítida.

Uma mensagem de confirmação apareceu na página de agendamento do escritório de advocacia.

A consulta seria às três da tarde do dia seguinte.

Fiquei muito tempo olhando para a mensagem e senti como se finalmente estivesse com os pés em terra firme.

Para deixar alguém, não era preciso gritar até perder a voz.

Bastava apertar o botão de confirmação.

Quando cheguei em casa, pouco depois das seis, eu já estava com febre baixa.

No espelho do banheiro, meu rosto estava assustadoramente pálido.

A água da chuva na saia tinha secado e esfriado, grudando nas minhas pernas e me lembrando de toda a humilhação que eu tinha passado.

A mensagem de Rafael continuava no topo da tela.

"Não me espere às sete. Depois da reunião, teremos uma revisão."

Olhei para aquelas palavras e achei tudo ridículo.

Até a minha meia hora podia ser cancelada sem aviso.

Virei o celular para baixo, sem querer olhar de novo.

Mas uma dor repentina pesou no meu baixo-ventre.

Era diferente da dor de estômago. Descia devagar, como se algo estivesse se soltando dentro de mim.

Fiquei apoiada na parede por muito tempo e acabei chamando sozinha um carro para o hospital.

Depois de examinar os resultados, o médico disse:

— Você está grávida de seis semanas.

Fiquei imóvel na cadeira.

Minha primeira reação não foi alegria.

Foi confusão.

Eu e Rafael não conversávamos de verdade havia muito tempo, muito menos esperávamos juntos por um filho.

Mesmo assim, quando recebi aquele papel fino, uma luz se acendeu no meu coração.

Como um fósforo riscado no meio da noite.

O médico me observou com seriedade.

— Sua condição é instável. Melhor chamar seu marido. Precisa ficar em observação, sem esforço nem estresse.

Olhei para o celular. Eram 18h47.

Faltavam treze minutos para o horário que Rafael me concedia.

Mas hoje ele já tinha cancelado até aquela meia hora.

Depois de encarar a tela por muito tempo, ignorei a regra dele pela primeira vez.

Liguei, mas ninguém atendeu.

Na segunda tentativa, ninguém atendeu.

A terceira chamada caiu sozinha, e a tela voltou a escurecer.

Segurei o exame, sentindo meus dedos esfriarem, e enviei apenas uma mensagem.

"Rafael, estou no hospital."

Muito tempo depois, ele respondeu com duas palavras.

"O que houve?"

Minha garganta apertou.

"É importante."

O outro lado permaneceu em silêncio por mais meio minuto.

Então ele respondeu:

"Falamos às sete."

Ao ler aquilo, senti dor até para respirar.

Ele tinha visto a mensagem.

Também sabia que eu estava no hospital.

Só achava que até as minhas emergências tinham que caber na agenda dele.

Às sete em ponto, o celular vibrou.

Rafael finalmente ligou.

Havia muito barulho do outro lado da linha, como se ele estivesse numa sala reservada.

A voz de Camila surgiu primeiro.

— Sr. Rafael, não consigo beber mais.

Logo depois, veio a voz baixa dele.

— Não se force. Dê o copo para mim.

Apertei o exame na mão.

— Rafael, estou no hospital.

Ele fez uma pausa.

— Você já disse isso na mensagem.

— Agora são sete. Vá direto ao ponto.

Apertei ainda mais o papel.

— Estou grá...

Camila tossiu do outro lado, com a voz chorosa.

— Sr. Rafael, estou causando problemas de novo? Sua esposa vai ficar brava comigo?

Rafael suspirou.

— Marina, o cliente obrigou Camila a beber. Estou resolvendo isso.

— Se não for urgente, não tente provar sua importância agora.

Abri a boca tentando dizer.

A dor no meu baixo-ventre se intensificou de repente.

Eu me apoiei na parede do corredor, coberta de suor frio.

— Rafael, minha barriga está doendo.

— Procure um médico. Vai adiantar mais do que me ligar.

A chamada foi encerrada.

A tela marcava 19h08.

Quando liguei de novo, ninguém atendeu.

Uma enfermeira me encontrou agachada diante do banheiro, com uma pequena mancha de sangue na saia.

Assustada, ela correu para chamar ajuda.

Enquanto me levavam para a emergência, eu ainda segurava o celular.

A tela acendeu e apagou.

Nenhuma ligação chegou.

Quando acordei, o dia estava quase clareando.

O médico estava ao lado da cama e falou em voz baixa:

— Sinto muito. Não foi possível salvar o bebê.

Encarei o teto branco, sem derramar nenhuma lágrima.

Quando a dor chega ao fundo, nem chorar é possível.

Às quatro da madrugada, voltei sozinha para nossa casa.

A luz automática do escritório de Rafael se acendeu.

Coloquei sobre o teclado o exame, o prontuário e a ultrassonografia que não tive tempo de transformar em surpresa.

Também deixou a aliança.

Depois, abri nossa agenda compartilhada.

Excluí o compromisso que se repetia havia três anos, das 19h às 19h30.

O sistema perguntou: "Excluir todos os compromissos futuros?"

Confirmei.

Por fim, escrevi uma frase no campo de observações.

"Rafael, você não precisa mais cuidar de mim."

"Meu advogado enviará o acordo de divórcio."

"E nosso filho se foi."

"Não se preocupe. Desde que foi concebido até partir, ele não ocupou um minuto do seu tempo."

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