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Adeus ao Amor de Cinco Anos

Adeus ao Amor de Cinco Anos

By:  Washing WheatCompleted
Language: Portuguese
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Eu desisti do imóvel que havíamos comprado juntos para morar depois do casamento. — Vocês já pagaram a entrada. Não vai esperar seu noivo voltar para assinar o contrato? — O corretor ficou surpreso. — Não vou mais esperar. Ele vai esquiar com o primeiro amor dele. — Eu sorri e coloquei as chaves na mesa. Estávamos juntos há cinco anos, e todos os invernos ele ia para Nipônia. Dizia que era viagem a trabalho, mas nas fotos que publicava nas redes sociais sempre aparecia o pico nevado do Monte Fuyama. Quando perguntei quando ele me levaria para nossa lua de mel, ele disse: — Da próxima vez. Até que, ontem, encontrei a antiga câmera digital que ele havia deixado em casa. Dentro dela, havia centenas de fotos. A mesma mulher. O mesmo ângulo. O mesmo cenário. Flores de cerejeira, neve branca, Monte Fuyama. A única vez em que viajei para longe com ele foi até a cidade vizinha, para vermos a casa onde moraríamos depois do casamento. — Nós dois não precisamos dessas coisas superficiais. — Ele segurou minha mão e disse. — Viver uma vida tranquila e simples é mais importante do que qualquer outra coisa. Olhando para a casa que eu mesma havia decorado e reformado, de repente desabei em lágrimas. — Ainda quer desistir da casa? — O corretor, com todo o cuidado, estendeu-me a caneta. — Quero. — Sorri enquanto enxugava as lágrimas. Meu pedido de demissão já havia sido aprovado. Aquela seria minha última noite naquela cidade. O Monte Fuyama não viria até mim, mas eu podia ir para longe.

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Chapter 1

Capítulo 1

— Isadora, você realmente desistiu da casa?

O telefonema de Tatiana chegou no instante em que saí da imobiliária.

— Desisti.

— Trezentos mil de entrada e você simplesmente desiste assim? O Vinícius sabe disso?

— Ele está em Nipônia.

— A trabalho?

Não respondi.

Tatiana ficou em silêncio por dois segundos.

— Isadora, mesmo que vocês tenham brigado, não dá para simplesmente...

— Encontrei centenas de fotos na câmera antiga dele. Todas com a mesma mulher, na mesma montanha, tiradas ao longo de cinco anos.

Do outro lado da linha, ficou tudo em silêncio.

— Foram tiradas com a Aline?

Tatiana não disse mais nada.

No caminho para casa, Vinícius me enviou uma foto de um chocolate quente dentro de uma xícara de porcelana branca, com um pequeno cervo desenhado na lateral.

A mensagem dizia: [Está nevando em Lunara. Estou morrendo de frio]

Eu reconhecia aquela xícara. No inverno passado, ele também havia postado uma foto igual. O mesmo ângulo, a mesma composição.

Na época, perguntei de que loja era. Ele disse que tinha entrado em qualquer uma e não se lembrava, mas havia uma foto na câmera antiga.

No entanto, Aline estava sentada na mesma loja, com um chocolate quente igual ao lado, sorrindo para a câmera. Ela usava um cachecol cor de vinho que eu nunca tinha visto.

Cinco anos. Todos os invernos, a mesma loja, o mesmo chocolate quente, a mesma pessoa.

E, para mim, ele sempre mandava apenas fotos de comida e paisagens. Nunca aparecia ninguém.

Quando cheguei ao apartamento, abaixei os olhos enquanto tirava os sapatos e dei uma olhada rápida no armário.

Ao lado dos tênis esportivos de Vinícius, havia um par de tênis brancos de lona, tamanho 35.

Eu calço 37.

Agachei-me, mexi na palmilha e descobri um bilhete escondido ali dentro:

[Vini, o último par estava machucando meus pés]

Vini.

Depois de cinco anos de relacionamento, eu não sabia que Vinícius tinha esse apelido. Ele nunca me deixou chamá-lo assim.

Coloquei o sapato de volta no lugar e entrei no quarto.

A tela do notebook dele estava acesa, aberta em uma página de site de viagens.

Nevália. Partida no dia 14 de fevereiro. Pacote para duas pessoas com águas termais privadas e jantar requintado incluído.

No campo de observações, havia três palavras: "Aniversário da Ali."

Meu aniversário era 9 de março. O de Aline era 15 de fevereiro.

No ano passado, no dia 9 de março, perguntei se ele poderia jantar comigo naquela noite. Ele disse que tinha um compromisso da empresa.

Eu esperei até as onze da noite e recebi uma mensagem: [Acabei de chegar em casa. Já está dormindo? Feliz aniversário. A gente comemora outro dia]

Outro dia. Assim como o "Da próxima vez", aquele dia nunca chegou.

Abri o álbum de fotos na nuvem do celular dele. Haviam mais de três mil fotos. Minhas, apenas onze. Sete haviam sido tiradas no primeiro ano do nosso relacionamento. Quatro foram tiradas nos quatro anos seguintes.

Havia uma pasta chamada "Neve em Lunara". Quando a abri, todas as fotos eram de Aline. Ela usando roupas tradicionais da cultura local, pisando na neve, orando diante de um santuário.

Cada foto tinha uma composição cuidadosa e uma iluminação suave, como se fosse uma página de revista. Já quando ele tirava fotos minhas, sempre apertava o botão de qualquer jeito, sem ajustar o ângulo, sem prestar atenção à luz.

Uma vez, eu disse:

— Você pode tirar uma foto melhor de mim?

— Foto não é ensaio fotográfico. Já chega. — Ele respondeu.

"Já chega." Era a frase que ele mais me dizia.

O celular tocou. Era uma chamada de vídeo de Vinícius.

Eu atendi.

Na tela, ele usava um sobretudo cinza. Atrás dele, havia o corredor de um hotel.

— Já comeu?

— Já.

— Volto depois de amanhã. Meu voo é às três da tarde.

— Está bem.

— Sua voz está meio estranha.

— Estou um pouco cansada.

— Vai dormir cedo.

Ele estava prestes a desligar quando uma voz veio de trás:

— Vini, o carro chegou.

Ele virou a cabeça e respondeu alguma coisa. Depois voltou a olhar para mim.

— A Aline está me chamando. Vou desligar.

— O que ela está fazendo no seu hotel?

— Ela está hospedada no quarto ao lado. Vamos sair para comer alguma coisa juntos.

— Vocês fazem isso juntos todos os anos?

— Foi só coincidência. Não pense demais nisso. — Ele sorriu de forma tão natural, como se estivesse explicando algo que nem precisava ser explicado. — Ah, é. Comprei um ímã de geladeira para você. Dessa vez demorei bastante para escolher.

Ele desligou.

Fui até a cozinha e abri a geladeira.

Na porta, havia cinco ímãs.

Todos do Monte Fuyama.

De tamanhos diferentes.

De anos diferentes.

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