Masuk— Senhor Daven! — Chamou Arsen em voz baixa, tomando cuidado para não quebrar a tranquilidade que o outro parecia ter construído para aquela manhã.Daven estava sentado sozinho no canto de um café de estilo industrial, a poucos minutos da escola de Josh. À sua frente, uma xícara de café preto ainda soltava vapor, e o aroma forte dos grãos robusta preenchia o ar. Mesmo assim, como sempre, sua expressão permanecia indecifrável.Arsen se aproximou e lhe entregou um tablet com as duas mãos.— A senhora Vanessa acabou de enviar a agenda atualizada, senhor.Daven lançou um olhar rápido para a tela e logo voltou a atenção para o café. Não havia nada de relevante ali. Normalmente, ele analisaria cada detalhe, sempre em busca de uma brecha, qualquer oportunidade de encontrá-la, nem que fosse por alguns minutos. Já havia remanejado compromissos, adiado reuniões, feito o impossível por um almoço ou jantar com a esposa.Ainda que, muitas vezes, precisasse cancelar.E, pensando bem... Ela tam
— Receio que não posso compartilhar a agenda do senhor Daven com a senhora, dona Vanessa. — Disse Arsen, com a voz já carregada de cansaço. O telefone não parava de tocar desde cedo. Na verdade, ele chegou a colocá-lo no silencioso só para escapar do bombardeio constante, Vanessa vinha ligando sem parar. Não era incomum ela entrar em contato ou encher sua caixa de mensagens, mas, dessa vez, estava exagerado. E atrapalhando.Arsen lançou um olhar para Daven, na esperança de alguma orientação, mas o homem estava totalmente imerso em uma discussão sobre seu mais novo projeto com o prefeito de SunCity. Nem sequer fazia questão de esconder que estava deixando Arsen lidar com Vanessa sozinho.— Por que você não pode me dizer? — Perguntou Vanessa do outro lado. — Preciso te lembrar quem você é, Arsen? Você é só o assistente do Daven! Passe o telefone para ele. Eu preciso falar com ele.— Sinto muito, senhora. — Respondeu Arsen, soltando um suspiro longo. — O senhor Daven está em reunião e
Althea empurrou a porta de aço no fim do corredor do quinto andar, pesada, com uma maçaneta fria que levava diretamente ao jardim secreto no terraço acima do prédio administrativo. Um lugar que ela havia descoberto recentemente. Chase mencionara uma vez, dizendo que era seu refúgio favorito para relaxar.Assim que a porta se abriu com um leve rangido, uma brisa suave a recebeu, tocando seu rosto e soltando alguns fios que escaparam do rabo de cavalo. O ar ali parecia mais fresco, e o céu, embora não totalmente azul, tinha um tom acinzentado que trazia uma estranha sensação de calma, como se fosse o lugar perfeito para simplesmente respirar e esquecer.Seus olhos percorreram o pequeno jardim, repleto de flores que pareciam ignorar as estações. Estavam dispostas com cuidado, em harmonia, cada uma com seu espaço. Chase ainda não havia chegado, pelo menos, não havia sinal dele entre as flores.— Talvez ainda esteja ocupado. — Murmurou, ajeitando o cabelo que o vento insistia em bagunçar
— Como aquele homem foi aparecer justamente na escola do Josh...? — Murmurou Althea, pressionando os dedos contra a têmpora. Havia um aperto no peito que ela tentava ignorar desde cedo.Ela conseguiu chegar à escola. Sua mente estava um caos, os nervos à flor da pele, mas ainda assim entrou no prédio com um sorriso treinado, um que mal conseguia esconder o pânico que fervilhava por dentro.Tudo o que queria, desesperadamente, era passar por aquele dia. Dar aula como sempre, explicar formas geométricas de um jeito que seus alunos entendessem, ver os rostinhos deles se iluminarem, e continuar sendo a professora que eles adoravam.— Vamos lá, Althea. Foco. Vai dar tudo certo.E, de certa forma, ela conseguiu. Pelo menos durante metade do dia. Deveria estar grata por ainda conseguir ensinar com alguma aparência de normalidade. Mas, no instante em que voltou para a sala dos professores, sentou-se à mesa e seus olhos encontraram a foto emoldurada do filho sorrindo... Tudo dentro dela par
— Não esperava te ver aqui, senhor Bonitão! — Disse Josh, animado, ao entrar na pequena biblioteca e olhar para Daven com um sorriso.Daven, Chase, a professora Tania e Josh haviam acabado de chegar à minibiblioteca, o ponto alto da visita. Caminhando ao lado direito do garoto, Daven esboçou um leve sorriso.— E eu também não esperava encontrar você, pequeno falante.Josh riu, completamente alheio à tensão que pairava entre os dois homens ao seu lado.Assim que chegaram ao espaço que a professora Tania tanto se orgulhava, Josh correu até as estantes coloridas. Seus dedos passaram pelos livros com curiosidade animada.— Olha! Esses livros são novos! A professora disse que alguém incrível doou tudo isso. Posso saber quem foi essa pessoa incrível e generosa, professora?Tania sorriu sem jeito, lançando um rápido olhar para o homem bem vestido a poucos passos dali.— Alguém incrível, é? — Daven interrompeu com naturalidade, um leve sorriso no canto dos lábios, observando o garoto de
Algumas horas antes de Daven aparecer na escola de Josh.— Senhor Daven?O apartamento estava em completo silêncio. Nenhum som, exceto o leve zumbido do ar-condicionado. Sem música, sem televisão ao fundo, nada. Arsen ficou inquieto. Havia algo errado naquela quietude, ainda mais depois do que Daven havia descoberto.Poderia ser...?— Não! — Murmurou Arsen, afastando o pensamento.Ele colocou sobre a mesa o expresso de sempre, do jeito que Daven gostava. Mas seus olhos logo captaram alguns detalhes fora do lugar. A garrafa de uísque no minibar estava quase vazia. O cinzeiro de vidro, cheio de bitucas de charuto. O cheiro de tabaco e cravo ainda pairava no ar, misturado ao aromatizador. Aquilo dizia o suficiente: Daven havia passado a noite de uma forma que raramente acontecia.Arsen percorreu a sala com o olhar, tentando reconstruir o que havia acontecido. Será que Daven ainda estava dormindo? Ou apagado por causa da bebida? Seria incomum... Mas não impossível. Deveria verificar?







