LOGIN— Senhor, aqui está o seu café.A atendente colocou a xícara com cuidado sobre a mesa, evitando derramar algo sobre os documentos espalhados diante de Daven. Mas, mais do que a bagunça, era a expressão dele que a deixava cautelosa. Havia algo pesado no ar, ele parecia intimidante naquela noite.Daven não respondeu. Apenas lançou um olhar breve para o café. Quem agradeceu foi Arsen, sentado à sua frente.Assim que a atendente se afastou, Arsen soltou o ar lentamente. Ele sabia exatamente o motivo daquele clima. Não podia fingir que não tinha visto os relatórios de vigilância sobre Vanessa em SunCity. E tudo apontava para uma única conclusão: A esposa de Daven possivelmente o estava traindo.E isso não era tudo.Havia também Kate Callister. Apesar de o médico ter dito que não era nada crítico, ela ainda não havia recobrado a consciência. E, como se já não bastasse, Daven também havia recebido uma ligação de Theo Blake. Arsen não sabia o que foi dito, mas, fosse o que fosse, havia pi
— Por que você me segurou? — Perguntou Vanessa, irritada, puxando o braço que James ainda segurava desde que chegaram ao carro. — Estava tentando me impedir de falar com o Daven de propósito?— Eu jamais faria isso, senhorita Vanessa. — Respondeu James, com calma. — Por favor, entre no carro. É melhor se acalmar lá dentro.— Como eu vou me acalmar se tudo o que eu quero é falar com ele? — Retrucou ela, exaltada. Mas, ao notar o corte no canto do lábio de James, claramente causado por ela, sua raiva vacilou por um instante. — Pegue o kit de primeiros socorros. Deixa eu cuidar disso.— Podemos fazer isso dentro do carro, senhorita.Ele tinha razão. Ainda irritada, Vanessa entrou no carro. Logo em seguida, James lhe entregou o kit. Com um suspiro, ela o abriu e começou a tratar o ferimento com cuidado.— Deve estar doendo, não é? — Perguntou, agora em tom mais suave, carregado de culpa. — Me desculpa.— Não precisa se preocupar comigo. — Respondeu James, com um leve sorriso. — Acho
— Já chega, Vanessa. — Disse Daven, frio. — Conversamos depois.— Quando? — Rebateu ela, sem conter a frustração. Não se importava com o fato de Kalina querer que ela saísse dali. — Eu preciso falar com você, e não vou aceitar ser tratada assim! Você tem ideia do que eu tive que abrir mão só para estar aqui?Daven cerrou o maxilar, visivelmente perdendo a paciência. O olhar endureceu.— Saia. Agora.Vanessa não se moveu. Pelo contrário, deu um passo à frente, firme.— Não. Eu não vou a lugar nenhum até você falar comigo. Você sabe o quanto é difícil sequer te ver? É isso que casamento significa para você?Os olhos azuis de Daven a atravessaram. Sem responder, ele se levantou rapidamente e segurou o braço dela com força.— Daven! — Protestou Vanessa, tentando se soltar.Ele não disse nada. Nem olhou para trás. Apenas saiu do quarto, arrastando-a pelo corredor. Do lado de fora, James e Arsen, que aguardavam, se sobressaltaram com a cena repentina.— Diga a ela que conversamos de
— Você ouviu o que o médico disse, não foi? — Daven esboçou um leve sorriso, passando a mão com carinho sobre a cabeça da irmã. — Não há motivo para preocupação. Só tomem mais cuidado com a alimentação da mamãe, certo? Posso contar com vocês duas?Kalina e Felicia assentiram obedientemente.— Daven! — A voz de Vanessa interrompeu o momento entre os três — Podemos conversar?— Sobre o quê? — Respondeu ele, sem interesse. — Não tenho muito tempo. Ainda tenho—— Se está tão ocupado, então por que veio? — Cortou Kalina, fria. — Você não precisava se dar ao trabalho de visitar minha mãe, Vanessa.— Ela tem razão! — Acrescentou Felicia, com o mesmo tom afiado. — Duvido que a mamãe queira você aqui.Vanessa soltou o ar, irritada.— Eu arranjei tempo para vir até aqui, mesmo com tudo que tenho para fazer, não para ouvir esse tipo de absurdo. O mínimo que posso fazer é visitar minha sogra quando ela está doente.— Ah, claro! — Debochou Kalina. — Tudo pela imagem, não é?— Para que todo
— Preparei o melhor presente para a sua sogra. — Disse James, lançando um olhar de canto para Vanessa, que estava sentada ao seu lado, impecável.— Você soube de alguma coisa do Daven?— Ainda não, senhorita. — Respondeu ele, mantendo os olhos na estrada. Precisava se controlar sempre que o nome de Daven surgia.— Tenho a sensação... — A voz de Vanessa ganhou um tom mais leve, quase esperançoso, de que essa notícia finalmente vai trazer meu marido de volta para casa.Ela sorriu, confiante.— Como estou? Perfeita, não é?— A senhora sempre está perfeita, senhorita Vanessa. — Respondeu James, sem hesitar.— Claro que estou. Não pode existir nenhuma falha na minha vida.O carro seguia em direção ao hospital onde Catherine Callister estava internada. Vanessa se agarrava à esperança de finalmente ver Daven naquele dia. Havia muitas coisas que precisava esclarecer, principalmente o mal-entendido que, em sua cabeça, justificava o afastamento dele.Na última ligação, ela o havia inter
— Você nem tocou no seu chá — Comentou Ruth, com leveza, tomando um gole delicado da xícara de porcelana com detalhes florais. — Seria um desperdício deixar um chá tão bom esfriar.Althea sorriu, um pouco sem graça, e finalmente levou a xícara aos lábios.— Desculpe, tia Ruth... Acho que estou um pouco nervosa.— Nervosa? — Ruth ergueu uma sobrancelha, calma, mas com o olhar atento. — Por minha causa?Althea riu de leve.— Algo assim... Mas acho que é mais pela rapidez com que tudo está acontecendo.O fim de tarde no jardim da família Miller era fresco e agradável. A brisa leve movimentava as folhas e fazia pétalas dançarem ao redor do gazebo. Era um cenário perfeito para uma conversa tranquila, acompanhada de chá e doces.Althea ainda não conseguia acreditar que estava ali, sentada diante de Ruth Miller. Chase falou muito sobre a tia, sua confidente, alguém com quem ele se abria até mais do que com a própria mãe. Em muitos sentidos, era a pessoa mais próxima dele na família. E







