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Capitulo 2

Autor: Vivian
last update Fecha de publicación: 2026-08-31 14:05:01

VALERIE

Voltei para o meu quarto para tomar um banho e vestir um dos poucos vestidos decentes que eu tinha. Alfa Ronald preferia comprar para mim vestidos escandalosos, apenas para sua própria satisfação.

Fiquei muito grata a quem quer que o tivesse chamado, porque ele não estava ali para me trancar.

— Aonde você vai? — um dos meus guardas perguntou quando saí do quarto. Alfa Ronald fazia questão de que eu estivesse sempre sob vigilância, para que eu nunca conseguisse escapar dele.

— O Alfa quer que eu me junte a ele. — declarei com confiança, mas havia um olhar desconfiado em seus olhos enquanto me encarava. — Olhe, se você me atrasar e o Alfa vier aqui me buscar pessoalmente, você sabe muito bem como ele vai puni-lo. Então é melhor sair do meu caminho, para que eu possa acabar logo com tudo isso. — Nem me dei ao trabalho de esconder a irritação na minha voz. Todos os meus guardas e as outras ômegas que o Alfa escolheu especificamente para me vigiar sabiam que eu o odiava. Sabiam que eu era o brinquedo dele e já tinham me ouvido enfrentá-lo algumas vezes.

Ele então assentiu, mas insistiu em me acompanhar. Revirei os olhos, mas deixei.

Segui o cheiro, e ele me levou diretamente ao salão de baile. Parei diante das enormes portas duplas, com o coração batendo tão forte que parecia querer sair do peito. Ele estava ali, e era a minha saída. O cheiro era forte demais.

Hesitei ao pensar em atravessar aquelas portas. O salão estava cheio, em sua maioria, de Alfas, Lunas, Betas, Gammas, Anciãos, guerreiros de elite e outros membros de alta posição de diferentes alcateias. Eu era apenas uma Ômega.

— Vai entrar ou não? — perguntou o guarda. Eu já tinha até me esquecido da presença dele.

Respirei fundo e entrei. Eu esperava que Ronald não me visse. Meu coração também tremeu de incerteza ao perceber que o companheiro destinado que eu procurava não estava me procurando. Eu realmente não esperava viver um romance com ele, eu só queria ser livre.

E, assim que entrei, a música começou, e os homens começaram a levar suas mulheres para a pista de dança. Vi vários casais felizes dançando e desviei o olhar. Eu sabia que jamais poderia viver aquilo.

Engoli o nó na garganta enquanto caminhava pelo salão, ainda seguindo o cheiro. Quando pensei que estava perto, ouvi atrás de mim a voz que eu mais temia.

— Valerie! Que porra você está fazendo aqui fora? — Alfa Ronald gritou comigo enquanto segurava meu braço com brutalidade e me virava para encará-lo. — Eu te dei permissão para sair?

— Eu queria um pouco de ar. — murmurei, tentando me soltar do aperto dele.

— E o que é isso que você está vestindo? Mostrando as pernas para as pessoas?

Olhei para o meu corpo. Meu vestido tinha uma fenda no lado esquerdo que deixava uma das pernas à mostra até a metade da coxa. Não havia nada de errado com ele; o Alfa apenas era obcecado por controlar tudo o que eu vestia.

— Vá para o meu quarto. Eu irei encontrá-la lá quando terminar aqui.

Meu coração se apertou de dor. Eu sabia que, se voltasse para lá, não conseguiria sair de novo. E, quando ele retornasse, transaria comigo, querendo eu ou não.

— Por favor. Por favor, apenas me deixe ficar por mais um tempo.

— Não. — Ele se virou para o meu guarda. — Leve-a para o meu quarto e certifique-se de que ela não saia novamente. Na verdade, tranque a porta.

— Sim, Alfa.

O que foi que eu fiz para que a Deusa me amaldiçoasse com um companheiro destinado como esse? Meus olhos arderam com as lágrimas, e pisquei rapidamente para contê-las.

O guarda segurou meu braço.

— Tenha cuidado ao tocá-la. Não quero nenhuma marca na linda pele morena dela.

Ele falava como se eu fosse apenas um objeto. Eu era realmente sua escrava. Precisava encontrar uma forma de escapar. Não podia deixar essa oportunidade escapar.

— Sim, Alfa. — respondeu o guarda, antes de fazer uma reverência.

Mas, justamente quando ele começou a me arrastar para fora, causando uma cena e me humilhando, ouvimos uma voz atrás de nós, profunda e autoritária.

— Deixe-a em paz.

Nós dois nos viramos, e quase fui derrubada quando o doce e intenso cheiro da floresta e da terra depois da chuva me atingiu. Levantei os olhos e me vi encarando um par de olhos cor de avelã que pareciam me estudar.

— Eu disse para deixá-la. Em. Paz. — pronunciou cada palavra entre os dentes, com uma ameaça em cada uma delas.

O guarda que me segurava ficou confuso. Eu não o culpava. Ele estaria desobedecendo ao seu Alfa, mas o homem à nossa frente era intimidador demais para ser ignorado.

Sua mera presença e sua voz impunham respeito. Havia um ar de confiança, ou seria arrogância, ao seu redor. Já mencionei que ele era o homem mais bonito que meus olhos já tinham visto?

— O que está acontecendo aqui? — A voz de Alfa Ronald me fez sair do meu transe, e pisquei. Parecia que eu tinha ficado encarando aquele homem e nem percebi quando Ronald se aproximou.

— Eu só estava pedindo a este aqui que deixasse essa adorável dama em paz. — Ele inclinou a cabeça na direção do guarda, que imediatamente soltou meu braço. — Pode ir agora.

O guarda fez uma reverência aos dois homens antes de se retirar. Agora eu estava na presença dos dois homens que tinham minha vida nas mãos. Um era a minha perdição; o outro talvez fosse a minha salvação.

— E qual é o seu nome, querida?

Um leve rubor tomou conta das minhas bochechas ao ouvir sua voz e o carinho no tratamento que usou. Mas, antes que eu pudesse responder, Alfa Ronald interferiu.

— Ela é uma Ômega causando confusão. Deixe-me levá-la para fora.

— Não. Não há necessidade disso. — O belo estranho tomou minha mão na dele. — Dance comigo.

A raiva brilhou nos olhos de Alfa Ronald. Ele olhou para mim, desafiando-me a aceitar a mão do outro Alpha.

'Se você ousar deixá-lo tocar em você, vou fazer com que se arrependa dessa merda todos os dias pelo resto da sua vida.' Ele me advertiu através do mindlink, fazendo meu coração tremer de medo. Eu sabia que aquilo não era uma ameaça vazia.

Olhei para o homem, com a mão ainda estendida para mim, e depois para Alfa Ronald. Havia um sorriso presunçoso em seus lábios, como se ele esperasse que eu não aceitasse a mão do outro Alpha.

O que eu tinha a perder? Eu já não tinha quase nada. E tinha minha liberdade a conquistar, se desempenhasse bem o meu papel ao lado desse novo companheiro destinado.

— Meu nome é Valerie. Valerie Ava Montrell. — disse ao estranho, e ele sorriu, revelando profundas covinhas em ambas as bochechas.

Então coloquei minha mão sobre a dele, fazendo Alfa Ronald ficar vermelho de raiva.

'Você vai pagar por isso, Ômega.' Ele me advertiu, mas o estranho já estava me conduzindo até a pista de dança.

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Último capítulo

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