LOGINMARCEL A presença da minha mãe aqui era um problema. Eu sabia disso. Desde que a expulsei da sede da matilha Crescent Wolves e a mandei para o território humano, não a tinha visto nem ouvido falar dela. Não liguei para ela e nunca atendi às ligações dela. Eu não estava preparado para enfrentá-la.Sentia-me culpado. Depois que Klaus a expulsou da nossa matilha e eu o ouvi descontar sua raiva em mim por sempre apoiá-la, senti-me culpado pra caralho, porque ele tinha razão. Não que eu sempre a apoiasse, mas nunca me manifestei em defesa dele. Eu pensava que, por ser o Alfa, ele conseguiria cuidar de si mesmo e que minha mãe não poderia fazer nada contra ele, mas estava errado.Minha mãe vinha tentando controlar Klaus desde antes mesmo de eu nascer. Todos nós crescemos testemunhando a hostilidade entre os dois e vendo como minha mãe aproveitava qualquer oportunidade para menosprezá-lo. Mas meu irmão não era alguém que se deixava abater facilmente.Como presenciávamos aquilo todos os dia
SOLANA A Alfa Anita ficou em silêncio por um tempo, como se estivesse profundamente pensativa. Então, soltou um suspiro.— Quando meu pai morreu e chegou a hora de eu assumir o lugar dele, todos se opuseram. Até mesmo meu próprio companheiro.Ela olhou para mim, e sua expressão era indecifrável.— Ele sabia que eu era a herdeira do título de Alfa e escolheu ficar comigo. Mas, no momento em que meu pai faleceu e o título se tornou realidade, ele não conseguiu lidar com aquilo. Não suportava me ver tão reverenciada e respeitada. Sentia-se insignificante, mesmo que eu fizesse de tudo para mostrar que jamais o menosprezaria. Eu sempre ficava ao lado dele, sempre o defendia, mas ele escolheu não me apoiar.Meu peito se apertou ao sentir pena dela, mas ela balançou a cabeça, como se quisesse deixar claro que não precisava da minha compaixão.— Ele sugeriu que eu lhe entregasse o cargo e me tornasse sua Luna, mas me recusei. Eu já estava grávida naquela época e pensei que isso o faria fica
SOLANA Acordei cedo e participei de duas reuniões com diferentes grupos de anciãos da matilha. Sinceramente, as reuniões também não correram muito bem, pois todos pareciam exigir a mesma coisa: que eu encontrasse um companheiro dentro da matilha, alguém influente, ou encontrasse alguém de fora que tivesse algo a oferecer e não me traísse, para que eu pudesse ser a Luna dele. Eles não queriam meu companheiro, e eu estava com medo de que ele acabasse se sentindo indesejado. Beta Gerald tentou conversar comigo novamente, mas eu não estava disposta a ouvi-lo. Eu estava confusa, sem saber o que fazer, até que Marcel me falou sobre uma Alfa mulher. Nunca na vida eu havia ficado tão curiosa. Queria conhecê-la. Queria saber como ela havia conseguido e como a matilha chegara a aceitá-la. A reunião com os anciãos naquele dia me fez sentir como se nada do que eu dissesse fosse adiantar. Apenas Marcel, Gama Reuben e Lisa pareciam acreditar em mim. Fiquei me perguntando se não havia mais sangue
MARCEL No momento em que Solana entrou no quarto, percebi que seu humor havia mudado. Eu estava conversando com Valerie, que tinha acabado de me perguntar como Solana estava. Mas deixei meu celular cair quando percebi que havia algo errado com ela. Levantei-me imediatamente e fui até ela. Meu coração doeu quando vi suas lágrimas.Não fiz nenhuma pergunta. Apenas a puxei contra meu peito e a abracei. Ela não disse uma palavra, mas a maneira como relaxou em meus braços disse o suficiente.Beijei sua testa, passando a mão por suas costas e oferecendo todo o conforto que eu podia. Fiquei satisfeito quando ela passou os braços ao meu redor, abraçando-me com força. Ela enterrou o rosto no meu peito.— Você vai me deixar? — perguntou finalmente, com a voz baixa e confusa, quase como se estivesse prestes a desmoronar. Mas ainda me segurava com força.Senti-me impotente, sem saber o que fazer ou como ajudá-la. Também não vou negar a pontada de dor que senti ao perceber que ela achava que eu p
SOLANA Entrei no escritório do Beta e não esperei que me oferecessem um lugar antes de me sentar. Não estava tentando ser rude, só estava cansada. Beta Gerald continuou de pé mesmo assim.— Como você está? — perguntou ele, franzindo as sobrancelhas em sinal de preocupação.— Estou bem.— Tem certeza? Está machucada de alguma forma?Soltei uma risadinha, achando-o um pouco dramático.— Vá direto ao ponto, Beta.Seus lábios se curvaram levemente para cima.— Posso falar livremente, Alfa?— Claro. E você deveria simplesmente me chamar de Solana.O que os anciãos disseram sobre eu ainda não ser a Alfa era verdade. Então, eu os impediria de se dirigirem a mim usando esse título até ter certeza de que o havia conquistado. Além disso, gostaria que meu Beta e meu Gama se sentissem à vontade para me chamar pelo nome, assim como o Beta e o Gama do Alfa Niklaus o chamavam pelo nome.— Acho que os anciãos têm razão em relação ao Marcel.Apertei os lábios enquanto cerrava os punhos ao lado do co
SOLANA Marcel me puxou para um abraço assim que entramos em nosso quarto, envolvendo-me completamente com o corpo, e me permiti derreter em seus braços. Eu tinha sorte — estava feliz por não precisar enfrentar aquilo sozinha. Eu tinha apoio.— Você se saiu muito bem, Wildcat. Mostrou suas garras a eles.— Queria ter arranhado o rosto deles em vez disso. — bufei, e ele soltou uma risada.— A maneira como você lidou com eles é exatamente o que eu quis dizer quando falei que havia fogo dentro de você. E você vai se sair muito bem quando aprender a usá-lo da maneira certa. Você fez isso hoje. E estou muito orgulhoso de você.Eu apreciava a confiança que ele tinha em mim e seu apoio inabalável. Mas ainda estava confusa.— Não sei o que fazer, Marcel. Eles nunca vão me aceitar. — Passei a mão pelo rosto, sentindo uma parte de mim já começar a se dar por vencida. Sabia que haveria ainda mais resistência no futuro e me perguntava se conseguiria fazer com que me apoiassem no fim das contas. —







