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O Bebê Milagroso do Alpha
O Bebê Milagroso do Alpha
Penulis: Lya Flor

O cio que nunca veio

Penulis: Lya Flor
last update Tanggal publikasi: 2026-08-06 07:37:58

Darius

Por algum motivo desconhecido, esse ano a época de acasalamento não me atingiu. Meu lobo não reagiu, nem sequer tentou farejar qualquer fêmea.

Eu sou um alpha, eu sou o poder absoluto da minha alcateia. Sou um homem importante, sou saudável e bonito, com atributos que fariam qualquer fêmea loba se ajoelhar.

Eu sempre gostei de um bom desafio, sempre gostei de caçar a parceira temporária. A excitação da caça, do cheiro da mata, e principalmente, da própria fêmea sempre me deixaram maluco.

Mas esse ano tudo foi diferente. Esperei pela lua de sangue e nada aconteceu.

Me senti estranho, frustrado. Decidi fazer uma viagem, me afastar de casa por alguns dias para tentar entender o que está acontecendo comigo.

Escolhi um chalé bem reservado em uma clareira. Aqui eu tenho o que eu quiser nas mãos.

Os humanos gostam de arrancar dinheiro de lobos como eu, e eles sabem bem como nos agradar. Não que isso seja difícil.

Dinheiro sempre resolveu tudo. Sempre abriu portas, sempre comprou silêncio, lealdade… e corpos também.

Mas isso nunca foi o ponto para mim. Eu não sou como os outros. Nunca fui!

Não tenho interesse em coisas fáceis, em conquistas que são tão óbvias. Fêmeas que se entregam rápido demais não me despertam nada além de tédio. Eu gosto da perseguição, do jogo lento, da resistência que aos poucos vai cedendo.

Eu gosto de ver o momento exato em que elas quebram e cedem ao desejo.

Um leve sorriso surgiu no canto dos meus lábios ao pensar nisso.

Ultimamente ando transando com tantas lobas que já perdi as contas, tudo por causa desse maldito período que não me afetou. É como se a minha honra de macho tenha sido abalada, e isso mexe comigo e com meu lobo.

Nem ele entende porque não fomos afetados pela principal época de reprodução, e principalmente, pela lua de sangue.

_ Aqui está ótimo! _ Murmurei sem animo para o humano que dirigiu a picape até aqui.

Desci do veículo e peguei minha mala sozinho. Ele até quis me acompanhar, mas recusei. O cheiro do suor dele me deixou nauseado e mais irritado do que já estou.

Me certifiquei de quem ninguém teria a minha localização, justamente para relaxar um pouco mais. Preciso dessas férias, enfrentei momentos turbulentos demais nessas últimas semanas e meu lobo precisa de solidão para se reestruturar.

Somos sensíveis demais quando se trata de reprodução, e eu, um macho de trinta e dois anos preciso acasalar e achar minha luna logo. Essa pressão da alcateia tem me afetado também.

Talvez o problema seja esse. Esses malditos lobos anciões enchendo o meu saco...

Meu lobo rosnou com o pensamento. Só de lembrar deles já me sinto sufocado.

Entrei no chalé e me despi completamente. Me joguei na cama, sentindo o cheiro da madeira e do ar florestal invadir minhas narinas.

Na minha propriedade tem muitas arvores, uma vasta vegetação saudável e bonita. A terra úmida gruda nas patas do meu lobo, acariciando e confortando-nos em momentos difíceis, mas aqui, aqui é simplesmente um paraiso.

Há muitos coelhos também, perfeitos para serem caçados.

Acho que os humanos fazem de proposito, e criam esses animais em abundancia aqui, pois coelhos são presas fáceis para nós, e caça-los é um excelente esporte.

Levantei da cama, sentindo meu lobo na beirada da mente, pronto para surgir.

Sai para fora do chalé, nu e cheio de energia novamente.

Meus ossos começaram a estalar, minha pele começou a queimar e os cheiros começaram a ficar mais intensos. Em um piscar de olhos meu corpo não era mais humano. Tinha patas longas, com unhas afiadas, um pelo castanho claro, quase beirando um ruivo e algumas manchas escuras espalhadas. Meus olhos ficaram amarelos, meu focinho preto e molhado.

O pico de energia se apossou do meu corpo, me fazendo correr pela floresta, bater as patas com força contra o solo limpo. Algumas gotas da chuva passageira umedeceram meu pelo, e a brisa ficou mais leve e fria.

Tudo passava em câmera lenta, enquanto meu corpo se movia mais e mais rápido.

Assim que cheguei em uma cachoeira um cheiro diferente tomou conta do meu olfato.

Não parecia cheiro da natureza, muito menos de outro lobo. Era um cheiro peculiar. Framboesa, hortelã e cravos...

Mas tinha alguma coisa a mais.

Me escondi em um enorme arbusto, reduzindo os barulhos e farejando mais forte. Meu lobo estava curioso, e eu mais ainda.

No centro da cachoeira havia alguém, boiando na água. Podia escutar a batida tranquila de seu coração daqui.

Era uma fêmea, humana, com um calção enorme e uma blusa preta que ajudava a cobrir seu corpo, mas marcava com perfeição cada curva.

Meu lobo rosnou mais uma vez, mas não como se ameaçasse, e sim como se estivesse investigando aquele ser.

Quem é ela?

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