LOGINCapítulo 145: Alinhamento DefinitivoPOV: Gabriel MontenegroA luz difusa da tarde de quinta-feira entrava pelas grandes janelas de vidro da minha sala na holding, desenhando sombras geométricas sobre a extensão da mesa de carvalho polido. O trimestre financeiro havia sido encerrado com uma margem operacional recorde, e a reestruturação da holding implementada após a derrocada de Maurício operava com a precisão de um relógio suíço. Não havia crises intestinas, auditorias de emergência ou relatórios de risco pendentes. No entanto, o meu foco estava inteiramente voltado para o relógio de pulso, marcando exatamente dezessete horas — o limite rígido que estabeleci para encerrar os despachos corporativos e garantir o retorno à mansão antes do anoitecer.O som suave do interfone cortou o silêncio da sala. Toquei no botão de atendimento com um movimento curto.— Senhor Montenegro, o senhor Felipe está na recepção solicitando liberação para uma última pauta antes do encerramento do expedi
Capítulo 144: Linhas DefinitivasPOV: Luna CarvalhoA claridade da manhã de segunda-feira entrava sem cerimônia pelas janelas do meu escritório na mansão, iluminando as pilhas de folhas impressas e revisadas que compunham a versão final do segundo romance. O ciclo de edição junto à editora em Lisboa havia sido concluído sem qualquer contratempo, validando cada escolha narrativa e fechando a obra com a precisão que eu exigia de mim mesma.O som de batidas firmes na porta antecedeu a entrada de Gabriel. Ele trazia o paletó pendurado no dedo indicador e a gravata ligeiramente frouxa, exibindo o visual clássico de quem já havia resolvido as pautas mais urgentes na holding antes do horário do almoço.— Pela quantidade de papel espalhado sobre a mesa, imagino que o manuscrito tenha passado pela última rodada de auditoria da editora — Gabriel comentou, parando ao lado da mesa e apoiando as mãos na madeira escura.— Passou com aprovação integral — respondi com um sorriso tranquilo, levan
Capítulo 143: A Promessa da PrimaveraPOV: Gabriel MontenegroA luz dourada da manhã de domingo banhava o pátio da mansão, refletindo nas superfícies de vidro e anunciando o início de um dia que trazia consigo uma leveza distinta. Não havia reuniões agendadas na holding, e o ritmo frenético do mercado financeiro parecia pertencer a outra realidade. Na sala de estar, a movimentação era dominada pela energia de Helena, que corria animada vestindo o seu pequeno roupão de banho, enquanto dona Helena tentava organizar os sapatos que seriam usados no almoço de família.Aproximei-me da bancada da cozinha onde Luna terminava de organizar as xícaras de café, vestindo uma blusa de linho cru e calça clara. O aroma do café fresco misturava-se ao cheiro de pão recém-assado que Lindalva acabara de tirar do forno.— Pela quantidade de café que você já tomou nesta manhã, imagino que o manuscrito do seu livro tenha chegado ao clímax final — comentei, parando atrás dela e envolvendo a sua cintura c
Capítulo 142: Sábado de AlinhamentoPOV: Luna CarvalhoA manhã de sábado começou com um sol brando que cortava as cortinas de linho da nossa suíte, trazendo a claridade exata para o início de um fim de semana sem pautas corporativas ou prazos editoriais urgentes. Despertei com o braço de Gabriel apoiado sobre a minha cintura, mantendo-me firme contra o peito dele numa proximidade confortável que já havia se tornado a regra das nossas manhãs.— Se você continuar ignorando o despertador biológico da Helena, ela vai invadir o quarto antes das oito para exigir o café da manhã — murmurei com a voz rouca de sono, virando o rosto para encará-lo de perto.Gabriel abriu os olhos vagarosamente, exibindo um sorriso discreto enquanto os dedos dele traçavam um círculo lento na minha pele.— A Helena sabe muito bem que aos sábados o horário limite de despertar é ditado por mim — ele respondeu com a voz grave, aproximando o rosto para selar os meus lábios num beijo matinal calmo e demorado. — M
Capítulo 141: O Ritmo das HorasPOV: Gabriel MontenegroA tarde de quinta-feira na holding transcorria com a previsibilidade exata que qualquer acionista majoritário exigiria de um império corporativo. Sentado à mesa de carvalho da minha sala privativa, passava os olhos pela última via dos contratos revisados pelo departamento jurídico referentes à nova fase de investimentos na América Latina. Não havia crises intestinas, vazamentos de dados ou tentativas de sabotagem de concorrentes rancorosos. A estabilidade operacional que conquistamos ao longo dos últimos anos finalmente transformara a holding em uma engrenagem autossuficiente.O som suave do interfone interrompeu a leitura. Toquei no botão de atendimento com um movimento breve.— Senhor Montenegro, o senhor Felipe está na recepção da diretoria solicitando liberação para uma pauta rápida antes do encerramento do expediente — a voz da secretária ecoou pelo alto-falante.— Peça para ele entrar — respondi.Segundos depois, a po
Capítulo 140: O Despertar da RotinaPOV: Luna CarvalhoA luz suave da manhã de quarta-feira filtrava-se pelas frestas das cortinas de linho da suíte principal, desenhando feixes dourados sobre o assoalho de madeira. O silêncio do amanhecer era agradável, rompido apenas pelo som abafado do vento que balançava as copas das árvores no jardim externo.Abri os olhos lentamente, sentindo o peso reconfortante de um braço firme apoiado sobre a minha cintura. Gabriel ainda dormia com a respiração profunda e rítmica, o rosto relaxado na penumbra, completamente isento da expressão de dureza e rigidez que costumava exibir nas salas de reunião da holding. Os cabelos escuros estavam levemente desgrenhados sobre o travesseiro, e o contorno dos ombros largos ocupava boa parte do espaço ao meu lado na cama king-size.Meti os dedos de leve nos fios na nuca dele, sem pressa, apenas observando a tranquilidade daquele momento. Nos anos anteriores, as nossas manhãs eram frequentemente ditadas pela urgê







