LOGINElisa Beaumont tinha apenas 28 anos quando se tornou uma das CEOs mais jovens e brilhantes do Brasil. Sua startup de inteligência artificial médica, a Beaumont Tech, era sua criação, seu legado, seu tudo — construído do zero, com unhas e dentes, após perder os pais cedo e jurar nunca mais depender de ninguém. Mas o império desmorona quando Gael D'Avila, o investidor implacável conhecido por devorar empresas em dificuldade, faz uma oferta que ela não pode recusar. Ele compra a companhia dela, toma o controle majoritário e a rebaixa a sua assistente pessoal. De rainha a subordinada em um piscar de olhos. O que começa como ódio puro — olhares frios em reuniões de diretoria, provocações veladas, tensão que corta o ar como faca — aos poucos se transforma em algo perigoso. Desejo. Um fogo lento que nenhum dos dois consegue apagar. Gael, o homem que comprou tudo o que ela tinha, começa a querer também o que ela nunca deu a ninguém: seu coração. Mas quando segredos enterrados do passado de Elisa vêm à tona — uma herança manchada por traição, roubo e mentiras do pai que ela idolatrava —, um primo distante emerge das sombras com uma vingança cruel. Sequestro, chantagem, humilhação. Gael fará qualquer coisa para salvá-la, mesmo que isso signifique destruir tudo o que construiu.
View MoreDez anos se passaram desde o nascimento de Alice, e a vida de Elisa e Gael D'Avila se transformara em algo que nenhum dos dois poderia ter imaginado quando se conheceram — uma mistura perfeita de amor profundo, família barulhenta e propósito que transcendia o sucesso material.A D'Avila Health AI era agora uma das maiores empresas de tecnologia médica do mundo. A IA oncológica, que começara como um sonho de Elisa em uma sala pequena de coworking, salvava milhões de vidas anualmente em mais de 50 países. Patentes protegidas, parcerias com governos e ONGs, e um fundo filantrópico que levava a tecnologia gratuitamente para comunidades carentes. Elisa e Gael dividiam a liderança, mas já falavam em transição: Alice, aos 15 anos, cursava ensino médio com foco em ciência da computação e design, sonhando em assumir a empresa no futuro. “Quero fazer a IA salvar mais vidas que a mamãe salvou”, dizia ela, orgulhosa.A família crescera. Após Alice, vieram os gêmeos: Theo e Luna, nascidos dois anos
Sofia ficou mais três semanas em São Paulo após a conversa na varanda. Durante esse tempo, ela se integrou devagar à rotina da família. Ajudava Elisa com Alice quando Gael estava em reuniões, levava a menina ao parquinho do prédio (sempre com supervisão), e até cozinhava pratos gaúchos que Alice adorava — feijoada light, arroz carreteiro sem gordura, tudo adaptado para a gravidez. Aos poucos, o ciúme inicial de Alice diminuiu: ela começou a chamar Sofia de “tia Sofia” sem torcer o nariz, pedia para a tia trançar seu cabelo e até dormia no colo dela durante as sonecas da tarde.Elisa observava tudo com o coração dividido. Sofia era gentil, quieta, nunca pedia nada além de companhia. Mas as dívidas da mãe dela — tratamentos de câncer, contas atrasadas, aluguel — pairavam como uma nuvem. Sofia mencionara o valor uma vez, em conversa casual: cerca de 80 mil reais. Elisa e Gael conversaram à noite, na cama, com Alice dormindo no berço ao lado.— Ela não pede diretamente — disse Elisa, voz
Marina sempre fora a tia divertida, a que chegava com desenhos, histórias e energia para entreter Alice. Mas nos últimos meses, algo mudara. Ela passava mais tempo no apartamento de Elisa e Gael — oficialmente para ajudar com Alice e o planejamento do quarto da bebê, mas também porque o escritório da D'Avila Health AI ficava a poucos quarteirões dali, e Pedro, o CTO, começara a dar carona para ela nos dias de reunião.Pedro Oliveira era o oposto de Marina em muitos sentidos: sério, metódico, falava pouco fora do trabalho, mas tinha um sorriso tímido que aparecia só quando ele relaxava. Aos 32 anos, ele era o braço direito de Elisa desde os tempos da Beaumont Tech, o gênio por trás da infraestrutura técnica que permitia a IA escalar sem cair. Marina o conhecera no primeiro dia de estágio — ele a recebera com um aperto de mão formal e um “bem-vinda ao time” que soara seco, mas genuíno.No começo, era só profissionalismo. Marina entregava layouts, Pedro aprovava ou pedia ajustes. Mas aos
A chegada de Sofia Oliveira a São Paulo trouxe uma mistura de curiosidade e tensão ao apartamento dos D'Avila. A meia-irmã de Elisa, com seus 25 anos e sotaque gaúcho suave, instalou-se no quarto de hóspedes por tempo indeterminado. Ela era educada, ajudava na cozinha lavando pratos após as refeições e contava histórias de Porto Alegre para Alice, que a ouvia fascinada, mas com uma ponta de desconfiança nos olhos infantis. Na primeira semana, tudo pareceu fluir bem. Sofia trabalhava remotamente como atendente de cafeteria (uma adaptação que o chefe dela permitira), estudava administração online e se oferecia para brincar com Alice enquanto Elisa e Gael cuidavam de reuniões virtuais da empresa. Alice, aos 5 anos, aceitava os desenhos que Sofia fazia para ela — princesas e castelos com toques gaúchos, como chimarrão nas mãos das fadas — mas sempre corria para o colo da mãe ou do pai logo depois. — Tia Sofia desenhou uma princesa com bombacha! — dizia Alice, mostrando o papel para Eli












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