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3.

Author: Ana Fischer
last update publish date: 2026-07-24 22:58:04

Nathan estacionou a Mercedes-Benz Classe S preta em frente ao prédio de tijolos claros.

A fachada era bastante discreta para os padrões de Manhattan, mas havia algo de aconchegante na simplicidade. Uma placa de madeira off-white exibia o nome “Studio de Ballet Joanne Dashwood” em uma fonte manuscrita. Dois vasos longos com flores de lavanda ladeavam a porta de vidro. O fumê da porta e das janelas impedia a visão interna.

Bastante adequado para um local frequentado por crianças. Todo cuidado era pouco.

Emma exclamou no banco traseiro:

— Papai, estou com friozinho na barriga.

— É natural, princesinha. Também me sinto assim em situações novas.

— Adultos também ficam com medo? — Ela franziu o cenho.

— Todas as pessoas sentem medo — disse ao destravar o cinto de segurança. — Mas quem é corajoso de verdade não foge das dificuldades.

— E se minha professora não gostar de mim? — Emma fez bico.

— É impossível não gostar de você. — Nathan sorriu. — Agora vamos.

Desceram do carro e foram até a porta de mãos dadas.

Antes de tocar a campainha, o pai sussurrou para a filha: “Vai dar tudo certo.”

Uma mulher loira, muito bonita, atendeu. Seu sorriso alcançava os olhos azuis com um toque de gentileza. O cabelo estava preso em um coque milimetricamente arrumado. Ela usava saia transpassada e collant pretos, meia-calça branca e uma sapatilha rosa de meia ponta. Devia ser uma das professoras.

A recepção tinha cheiro de baunilha e lavanda. A decoração minimalista, com detalhes em rosa claro, dava uma sensação de alívio aos olhos. O local era pequeno, porém muito organizado e limpo, sem a aparência de luxo exagerado presente em tantos estabelecimentos de Manhattan. Nathan costumava preferir discrição à ostentação. E Emma precisava aprender desde pequena que dinheiro era bom, mas não tudo na vida.

— Bom dia. — A bailarina loira sorriu.

— Bom dia. — Nathan acenou de leve com a cabeça.

No entanto, antes que ele pudesse perguntar sobre horários e valores, as atenções da mulher se voltaram a Emma. Com a postura relaxada de quem sabe exatamente o que fazer, ela se agachou para igualar as alturas.

— Meu nome é Sophia, prazer em conhecer você — disse com gentileza. — Sou a professora.

A menina sorriu, tímida. 

Nathan só observou a cena, satisfeito em constatar que Sophia tinha jeito com crianças. Não esperava menos de uma professora de ballet infantil, mas já tinha ouvido falar que algumas eram rígidas. Talvez tivesse feito a escolha certa ao evitar os estúdios mais famosos. 

— Posso te mostrar a escola? — Sophia perguntou.

Emma levantou os olhos para Nathan como se pedisse permissão.

— Estarei bem atrás de vocês — assegurou.

Sempre muito solícita, Sophia mostrou o vestiário, os banheiros e as salas de dança. Quando chegou ao último estúdio, apontou a barra:

— Ali é onde a gente se apoia para não perder o equilíbrio.

Em seguida, foi até o espelho:

— O espelho não serve para ver quem é a mais bonita, mas para nos ajudar a melhorar os movimentos.

Nathan percebeu que Emma começava a relaxar. Ela olhava ao redor com curiosidade, concentração e talvez até certo fascínio. Seus olhos verdes brilhavam como duas estrelas. A cena era bonita de ver e Nathan ficou feliz por ter concordado em matricular a filha no ballet.

 — — —

De volta à recepção, Emma tentava encaixar uma sapatilha rosa no pé enquanto Nathan respondia às perguntas de Sophia.

— Nome completo?

— Emma Elizabeth Fletcher.

— Idade?

— Seis anos.

— Alguma alergia ou problema de saúde?

— Não.

Sophia preencheu as informações no tablet e imprimiu o contrato. Ao entregá-lo a Nathan, disse:

— A mensalidade corresponde a duas aulas por semana, cada aula com uma hora de duração, e uma apresentação no final do semestre.

— Vocês aceitam pagamento anual? — Nathan desviou os olhos do contrato e encarou Sophia.

Por um momento, pensou ter visto uma centelha de hesitação no rosto da professora, mas ela logo sorriu e balançou a cabeça em negativa.

— Aceitamos somente mensalidades.

— Certo — assentiu.

Olhou Emma de relance. A menina, já de sapatilhas, rodopiava pela recepção. Parecia tão feliz que Nathan sentiu o coração aquecer. Talvez a pequena escola de ballet fosse exatamente o lugar onde ela devia estar. E, por algum motivo, ele teve a estranha sensação de que também deveria estar ali.

Assinou o contrato.

— Quer fazer uma aula experimental? — Sophia perguntou a Emma.

— Posso, pai?

— Pode.

A menina correu para o estúdio, os pés fazendo um pouco de barulho no chão de madeira. Sophia a acompanhou.

Sozinho na recepção silenciosa, Nathan se sentou em uma das poltronas e pegou o celular para resolver questões de trabalho. Mas, antes de mergulhar nos contratos, burocracias e e-mails, deixou que os olhos percorressem o ambiente. 

Surpreendeu-se ao reparar em um dos retratos na parede. A bailarina que saltava na foto era Sophia, talvez uma década mais jovem. Ela estava no centro de um palco, vestida em um tutu rosa. O olhar exalava autoconfiança. A imagem transmitia força e leveza ao mesmo tempo.

Nathan ficou curioso. Sophia já tinha sido uma bailarina profissional?

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    Nathan entrou no carro, mas não girou a ignição.Observou o prédio da escola de ballet por um momento, sorrindo sozinho. O que Sophia estava fazendo com ele? Não era um homem melancólico, mas também não costumava sorrir tanto assim. E, honestamente, estava gostando muito de se sentir mais leve depois de dois anos enfrentando um luto que parecia não ter fim. Era como se pudesse finalmente tentar viver de novo.Nunca ia desrespeitar ou apagar a memória de Georgia.Mas começava a entender que merecia ser feliz ao lado de alguém especial.E talvez essa pessoa pudesse ser Sophia.No entanto, tentou deixar o pensamento de lado. Não podia prever o futuro, por mais que tivesse suas intuições. Queria mesmo ir com calma. Tinha medo de se machucar e mais medo ainda de acabar machucando Sophia. Não se perdoaria se a fizesse chorar.Sentiu que precisava de ajuda. Ainda não conhecia Sophia tanto quanto gostaria, mas queria, mais que tudo, acertar na surpresa de domingo.Pegou o celular, entrou no I*

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