LOGINSophia Dashwood dedicou a vida ao ballet. Aos vinte e dois anos, estava prestes a realizar seu maior sonho: se apresentar como primeira bailarina na Ópera de Paris. No entanto, uma queda na primeira noite de espetáculo a fez perder tudo. Alguns anos depois, ela tenta recomeçar e abre um estúdio de ballet em Nova York, onde passa a dar aulas para crianças. Com poucas alunas e cheia de dívidas, está prestes a sofrer uma ordem de despejo. Tudo muda quando Nathan Fletcher, CEO, bilionário e pai viúvo, resolve matricular a filha na escola de ballet de Sophia. Enquanto a pequena e talentosa Emma se apega à professora, o coração de Nathan começa a bater mais forte pela primeira vez desde a morte da esposa. Será que o amor poder florescer em meio ao luto e à desesperança?
View MoreAs cortinas ainda estavam fechadas. A plateia aguardava em um silêncio sepulcral. Atrás de Sophia, os demais bailarinos se concentravam para o início do primeiro ato. As expressões eram um misto de nervosismo e empolgação: alguns tinham as sobrancelhas tensas enquanto sorriam, outros desviavam os olhos para as próprias sapatilhas e a maioria mantinha a cabeça erguida, embora houvesse um toque de aflição em seus semblantes.
Era o primeiro ato de Sophia como Aurora, a protagonista de A Bela Adormecida, um dos espetáculos mais famosos da história do ballet. Aos vinte e dois anos, ela havia conquistado o impossível: estava prestes a se apresentar como primeira bailarina na Ópera de Paris. Trocar todo o tempo livre por ensaios exaustivos tinha valido a pena.
— Trinta segundos! — Alguém falou nos bastidores.
Sophia fechou os olhos e se lembrou da mãe, que sempre dizia que dançar ballet era como respirar depois de muito tempo de fôlego preso. Sentiu o coração doer e um nó se formar na garganta. Daria tudo para que sua mãe pudesse vê-la ali, no palco, pronta para conquistar o mundo com a ponta de seus pés.
Mas Joanne tinha falecido há oito anos.
As luzes se acenderam. A cortina abriu. O medo desapareceu.
E naquele momento, foi como se só existissem a música da orquestra, o palco e o corpo se movendo com a leveza de uma pluma e a força de uma tempestade. O sorriso de Sophia nunca foi tão verdadeiro. Ela sabia que todos os olhares a acompanhavam, mas se sentia confiante. E viva. Havia se esforçado muito. Merecia brilhar diante de todos.
Estava quase na metade do solo quando aconteceu.
Seu pé escorregou.
Não houve tempo para reagir. O impacto contra o palco roubou o ar de seus pulmões. A música parou. Sussurros incrédulos ecoaram na plateia. O mundo perdeu os contornos, embaçado pelas lágrimas de humilhação que escaparam dos olhos azuis. Alguém gritou: “Não pode ser! Sophia Dashwood!” Ela reprimiu um soluço.
Diante de centenas de pessoas, Sophia soube que sua breve carreira tinha acabado.
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Nova York, 5 anos depois
— Na pontinha do pé, Melissa.
A menina tentou novamente, mas se desequilibrou e quase caiu no chão. No entanto, em vez de fechar a cara, ela soltou uma risada sapeca que preencheu todo o estúdio. As outras pequenas bailarinas riram junto. Nem Sophia conseguiu se segurar. Dar aulas de ballet para crianças era sempre uma delícia.
— Está tudo bem, Melissa. Cair faz parte — disse descontraída.
Mas assim que pronunciou as palavras, seu sorriso desapareceu.
Uma queda havia arruinado sua carreira.
— Vamos tentar de novo.
As cinco alunas repetiram os movimentos. Quatro delas ainda eram um tanto desajeitadas, mas uma demonstrava bastante talento. Quando Sophia observava Alice dançar, lembrava-se dos vídeos de suas apresentações de infância. Se a menina quisesse levar o ballet a sério e tivesse incentivo da família, poderia se tornar uma grande bailarina.
Assim que a aula terminou e a música foi desligada, as garotinhas correram pelo estúdio, suas sapatilhas fazendo barulho no piso de madeira. Elas abraçaram e beijaram a professora antes de dispararem para a recepção, onde seus responsáveis as aguardavam.
Sophia sentiu uma pontada de melancolia quando o silêncio substituiu o som das risadas infantis.
Assim que a última aluna foi embora, ela caminhou lentamente pelo estúdio. Notou que as barras já estavam gastas pelo tempo. O espelho possuía uma rachadura discreta na parte de cima, à direita. E havia um pouco de pintura descascando perto da janela. Ainda assim, aquele espaço era perfeito aos seus olhos.
O nome “Studio de Ballet Joanne Dashwood” era uma homenagem à sua mãe, que lhe ensinara os primeiros pliés e incentivara seu sonho.
Sophia soltou o cabelo do coque. Os fios loiros e lisos caíram até sua cintura, espalhando o cheiro cítrico do shampoo no ambiente.
Foi até o balcão da recepção e abriu a gaveta.
O aluguel estava três meses atrasado. A água e a energia haviam aumentado. Com um suspiro, pegou a calculadora para fazer as contas. Era a terceira vez no dia que conferia os números. O resultado continuava o mesmo. Se não encontrasse uma solução, o estúdio ia falir em poucos meses.
A campainha tocou.
Sophia ergueu a cabeça e viu uma mulher entrar. Ela usava um terno elegante e não segurava a mão de nenhuma criança. Seus cabelos castanhos estavam presos em um coque arrumado. Um batom rosé discreto realçava seus lábios.
— Boa tarde. Você é Sophia Dashwood?
— Sim.
A mulher colocou um envelope no balcão.
— Preciso que assine o recebimento — disse com frieza.
— O que é isso? — Sophia franziu o cenho.
— Notificação extrajudicial.
O coração deu um salto doloroso.
Com as mãos trêmulas, abriu o envelope. Só teve coragem de ler a primeira linha. “Prazo para regularização do aluguel.” Engoliu em seco. Sabia que aquele momento chegaria, mas não imaginava que fosse agora. Piscou os olhos algumas vezes, como se esperasse acordar de um pesadelo. Por um momento, tudo pareceu distante demais.
— Boa sorte. — A mulher forçou um sorriso e se retirou.
Nem um minuto havia se passado quando o celular de Sophia vibrou sobre o balcão. Ela atendeu sem hesitar.
— Pois não?
— Senhorita Sophia Dashwood?
— Sou eu.
— Acredito que, a essa altura, você já tenha sido notificada. Estou ligando para reafirmar que o prazo de pagamento não poderá ser descumprido. Caso o dinheiro não caia em nossa conta, iniciaremos o processo de despejo.
Sophia fechou os olhos e apertou o pingente de sapatilha preso à gargantilha dourada; uma herança de sua mãe.
Surpreendeu-se ao perceber que perder a escola ia doer tanto quanto perder o palco.
Nathan entrou no carro, mas não girou a ignição.Observou o prédio da escola de ballet por um momento, sorrindo sozinho. O que Sophia estava fazendo com ele? Não era um homem melancólico, mas também não costumava sorrir tanto assim. E, honestamente, estava gostando muito de se sentir mais leve depois de dois anos enfrentando um luto que parecia não ter fim. Era como se pudesse finalmente tentar viver de novo.Nunca ia desrespeitar ou apagar a memória de Georgia.Mas começava a entender que merecia ser feliz ao lado de alguém especial.E talvez essa pessoa pudesse ser Sophia.No entanto, tentou deixar o pensamento de lado. Não podia prever o futuro, por mais que tivesse suas intuições. Queria mesmo ir com calma. Tinha medo de se machucar e mais medo ainda de acabar machucando Sophia. Não se perdoaria se a fizesse chorar.Sentiu que precisava de ajuda. Ainda não conhecia Sophia tanto quanto gostaria, mas queria, mais que tudo, acertar na surpresa de domingo.Pegou o celular, entrou no I*
Sophia observou o papel sobre a mesa. Poderia simplesmente rasgá-lo e nunca mais pensar no assunto.Mas, no fundo, sabia que não conseguiria.Com os dedos trêmulos, porém ágeis, pegou o papel, dobrou duas vezes e enfiou de qualquer jeito na bolsa. Apenas uma precaução inocente. Não ia realmente precisar entrar em contato com Louise. Óbvio que não.— Com licença. Posso anotar seu pedido?Sobressaltou-se ao ouvir a voz do garçom. Não tinha percebido a aproximação. — Sanduíche número quatro e uma raspadinha de Coca-cola, por favor — pediu com a voz fraca.— Certo. — Ele fez uma anotação rápida no bloquinho e acrescentou: — Desculpe, moça, mas está tudo bem? Posso ajudar de alguma forma? — Pareceu preocupado.— Está tudo bem, obrigada — respondeu, tentando manter o tom controlado.— Qualquer coisa, estou à disposição.Sophia assentiu, sem conseguir falar.O coração estava tão dolorido que parecia haver uma mão fechada ao seu redor, apertando o músculo sem piedade. O ar se recusava a cheg
Eram exatamente nove horas da manhã quando Sophia se sentou à mesa para a primeira refeição do dia: uma tigela generosa de sucrilhos ao leite e uma xícara de café forte. Ainda usava sua velha camisola de seda preta e se sentia bastante sonolenta, apesar de ter dormido como uma pedra. Tirando a preocupação com a situação do estúdio, estava de bom humor.Assim que terminasse de comer, gravaria um vídeo para postar nas redes sociais. E mandaria uma mensagem para Nathan. Precisava, com urgência, voltar a conversar sobre marketing.Sorriu quando o celular vibrou inesperadamente sobre a mesa.Uma notificação dele.“Bom dia. Dormiu bem?”Ela respondeu no mesmo instante:“Sim, e você?”“Também, o que já é uma vitória, considerando que tenho uma terça-feira agitada pela frente.”Dois segundos depois, mais uma mensagem chegou:“Tenho outra pergunta importante: você está maratonando alguma série?”Sophia riu e bebericou o café antes de responder:“Não gosto tanto de séries, prefiro filmes.“Send
As borboletas no estômago de Sophia pareciam ter virado águias.Com o rosto levemente corado, ela observou Nathan se afastar, passar pela porta de vidro e caminhar sem pressa até o carro estacionado em frente ao estabelecimento. Sentia um alívio inusitado, como se um peso tivesse sido arrancado de suas costas. Por um instante, quase esqueceu que havia uma mãe e uma criança na recepção.Desculpar alguém nunca tinha sido tão fácil.Mas não podia baixar a guarda.Nathan havia dito com todas as letras que sentiu medo e que queria ir com calma. Ele não parecia totalmente pronto para sair com uma mulher. Ao menos, não com pretensões mais sérias. Talvez o mais sensato fosse não criar expectativas e não pensar tanto no futuro. E proteger o coração de todas as maneiras necessárias. Sophia não podia se envolver. De jeito nenhum.O problema era que já estava se envolvendo.— Moça? Eu gostaria de matricular minha filha. — A mulher repetiu, o cenho franzido.— Desculpe. — Sophia se apressou em diz


















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