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Fora do Radar

Author: Alice Lima
last update publish date: 2026-10-29 21:21:43

A suíte nupcial ocupava o último andar do hotel, e tudo nela parecia gritar a mesma palavra: esta noite.

Pétalas de rosa sobre a colcha branca.

Velas acesas nos criados-mudos.

Uma garrafa de champanhe num balde de gelo e duas taças de cristal, alinhadas com precisão cruel.

Dakota parou na soleira, ainda de vestido de noiva, e sentiu os joelhos virarem água.

Dominic entrou depois dela e fechou a porta.

O clique da fechadura ecoou como uma sentença.

Ficaram de pé, a três metros de distância,
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    O galo cantou às cinco da manhã, e pela trigésima vez em cinco semanas Brianna Sinclair desejou ter coragem de torcer o pescoço dele.Ela puxou o travesseiro sobre a cabeça. Do outro lado da parede fina da cabana, ouviu os passos de Jackson na cozinha, o ruído da chaleira, o tilintar das xícaras. Todas as manhãs a mesma rotina silenciosa, como se o mundo fosse um relógio bem ajustado e não a prisão de madeira e feno em que ela estava confinada.Cinco semanas. Trinta e cinco dias sem uma mensagem decente, sem uma loja, sem um salão, sem um único bar com gelo de verdade. O sinal de internet só pegava sem ficar caindo, no alto da colina, perto do estábulo. A cidade mais próxima ficava a quarenta minutos de caminhonete, e tinha um supermercado, uma farmácia e uma lanchonete que servia café aguado.Isso aqui não é vida, pensava ela, todos os dias, ao abrir os olhos. É um castigo.A porta do quarto se abriu devagar.— Brianna? O café está pronto. Os cavalos já comeram, mas o Caleb dis

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    A primeira coisa que Dominic Harrington fez ao pisar na ilha foi tentar assumir o comando.Reuniu a tripulação no pé da escada, pediu o inventário de bordo e começou a distribuir tarefas em tom de reunião de diretoria. O capitão Reeves, o copiloto Marcus e a comissária Elise ouviam com a cara de quem queria acreditar que alguém sabia o que fazer.— Vamos aguardar o resgate no avião — decidiu Dominic. — O sinal de emergência será captado em poucas horas.— Senhor — arriscou o capitão —, o localizador também está mudo. Parece que o raio queimou os circuitos.— Então vamos consertá-lo.— Eu não sou eletricista, senhor.— Eu pago uma fortuna para o senhor saber de tudo.— Não para isso, senhor.Dominic abriu a boca para responder, e foi quando a voz de Dakota se ergueu atrás deles, calma como a de quem fala com um cavalo assustado.— Antes de escurecer, a gente precisa de três coisas: água, abrigo e fogo.Todos se viraram. Ela estava a alguns passos, de calça de linho enlameada até o j

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    A suíte nupcial ocupava o último andar do hotel, e tudo nela parecia gritar a mesma palavra: esta noite.Pétalas de rosa sobre a colcha branca. Velas acesas nos criados-mudos. Uma garrafa de champanhe num balde de gelo e duas taças de cristal, alinhadas com precisão cruel. Dakota parou na soleira, ainda de vestido de noiva, e sentiu os joelhos virarem água.Dominic entrou depois dela e fechou a porta. O clique da fechadura ecoou como uma sentença.Ficaram de pé, a três metros de distância, sem se olhar. Ele afrouxou a gravata devagar, tirou o paletó e o largou numa poltrona com uma calma estudada demais. Ela, enquanto isso, torcia uma ponta do véu entre os dedos até quase rasgar a renda.— Posso ajudar com os botões — disse ele, por fim, olhando o teto.— Não! A palavra saiu alta demais. Dakota respirou. — Quer dizer... obrigada. Eu me viro.Silêncio. Lá fora, a cidade piscava.Ela reuniu toda a coragem que tinha, a mesma que usara para dizer aceito, e se virou de frente para

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