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5 - Casada sem perceber!

Author: Rose Barbosa
last update publish date: 2025-09-13 04:53:41

ETHAN PETTERSON

O amor nunca significou nada para mim.

Na verdade, era curioso ver como tantas pessoas romantizam a palavra, como se fosse a chave para alcançar felicidade. Quando não passa de uma ilusão que só atrapalha o indivíduo de alcançar objetivos maiores.

Eu sou o CEO da Petterson Construtora, herdeiro de um império de concreto erguido por três gerações. E, como todo herdeiro, eu vivo sob pressão. Conselho, acionistas, família… todos exigem algo.

A exigência da vez era para me casar.

Meu pai nunca se cansava de repetir: “Um homem sozinho não inspira confiança. Um CEO precisa de imagem, estabilidade e família.”

Casamento parecia algo lógico, estratégico e inevitável. Por isso eu não discuti. Apenas aceitei Miranda, a noiva arranjada que me apresentaram. É filha de um velho sócio do meu pai, bonita, educada, elegante… perfeita para desempenhar o papel de esposa modelo.

Não precisaria sentir nada por ela e não cobraríamos nada um do outro.

Naquela manhã, entrei no cartório para oficializar esse casamento com a mesma disposição com que entro em uma reunião: Não era divertido, mas era obrigatório. Eu só queria que o relógio corresse. Assinar os papéis, dar uma coletiva se fosse necessário, dependendo dos planos das nossas famílias, e voltar para minha rotina de trabalho.

Enquanto esperava, mexi no celular para adiantar alguns e-mails. Estava concentrado nisso quando a tela acendeu com a chamada de Miranda.

— Miranda? — atendi, sem mostrar que estava irritado com seu atraso. — Está chegando?

Do outro lado, ouvi um choro nervoso, misturado com respiração ofegante.

— Ethan, eu… eu não posso.

Em poucos minutos essa garota já fez duas coisas que odeio: Se atrasar e falar pela metade.

— Não pode o quê? Vá direto ao ponto, por gentileza.

— Eu não vou aparecer. Não quero esse casamento. Nunca quis. Estou sendo obrigada, mas não consigo mais. Eu amo outra pessoa e estou fugindo agora.

Só pode ser brincadeira...

Fiz silêncio por alguns segundos. Não foi raiva o que senti. Não foi choque, nem decepção. Foi… nada. Só um cálculo rápido na mente sobre os problemas que essa pirralha mimada estava me causando.

— Miranda… Você tem ideia do que está fazendo?

— Sim. Pela primeira vez, tenho. — Ela fungou. — Eu sinto muito, de verdade. Mas eu não posso ser sua esposa.

E a ligação caiu.

Guardei o celular no bolso e suspirei pensando no tempo que eu perderia para conhecer outra candidata da minha família e foi exatamente nesse momento que eu a vi.

Cristina.

Nosso olhares se encontraram e antes que eu pudesse processar, ela me agarrou pela nuca e me beijou.

— Apenas me siga. — Sussurrou ela.

— Querido… por que demorou tanto? — sussurrou ela, como se fôssemos um casal.

E, como se não bastasse, me puxou até o balcão do cartório e anunciou:

— Olá, eu gostaria de registrar meu casamento.

Levei alguns segundos para analisar a cena e as duas pessoas transtornadas que olhavam para ela com raiva. E sem nenhuma razão, resolvi entrar no jogo.

O funcionário colocou os papéis na frente dela. Cristina assinou com um sorriso triunfante e depois de toda a confusão, aqueles que imagino serem os tais Heitor e Beatriz saíram correndo humilhados.

Cristina se virou para mim, sorrindo vitoriosa.

— Obrigada… por tudo. — Seu olhar suavizou novamente. — Mas, afinal, o que você está fazendo aqui?

— Eu ia casar, mas minha noiva fugiu com outro. — respondi simplesmente.

— Ah... — Ela piscou, surpresa.

— Está tudo bem, era um casamento de conveniência, só um acordo entre famílias, nada de amor.

Por um momento Cristina pareceu sentir pena de mim. Depois sorriu balançando a cabeça, como se tivesse entendido uma piada.

— Mesmo assim, fico te devendo uma. Se precisar de ajuda, me procure a qualquer hora. — Ela rabiscou o número no canto de uma folha e me entregou. — Obrigada, de verdade.

E então sumiu da mesma forma que apareceu.

Olhei para o documento de casamento sobre o balcão e sorri. Coincidências não existem, pelo menos não no meu mundo. Peguei a caneta largada e assinei também.

Eu precisava de uma esposa e agora tinha uma.

Com aquela assinatura, o matrimônio deixou de ser uma farsa e tornou-se oficial. Embora minha bela esposa não saiba disso ainda.

[...]

Usei os dados fornecidos no cartório para iniciar uma investigação discreta. Em menos de 48 horas, Nico, meu assistente de confiança, colocou um relatório completo sobre Cristina na minha mesa. A maioria das coisas que estavam escritas ali já eram de meu conhecimento, afinal ela contou quase toda a sua vida para mim no dia em que nos conhecemos.

Cristina Santiago.

Idade: 27 anos.

Recém-divorciada, e recém-casada.

Histórico familiar complicado e financeiramente quebrada.

Um sorriso logo surgiu no meu rosto.

A vida havia lhe tirado quase tudo, mas isso me dava a oportunidade perfeita.

Enquanto eu folheava o dossiê, visualizei o passo a passo do plano para trazer minha esposa para o meu lado. Uma mulher orgulhosa, humilhada publicamente pelo ex-marido e pela irmã, sem dinheiro, morando com a amiga. Ela precisava de um trabalho urgentemente e estava em busca disso.

— Traga-a até mim, Nico. — digo, sem tirar os olhos do papel. — Ligue para o telefone dela e ofereça um emprego.

— Algum cargo em específico, senhor?

— Secretária. — respondi sem hesitar. — Quero ela ao meu lado.

— Entendido.

E assim foi feito.

Na manhã seguinte, enquanto encarava a certidão de casamento que recebi, Nico me avisou que Cristina havia chegado para a entrevista e dei permissão para que entrasse.

Minha esposa.

Sorri, satisfeito. Guardei o documento de volta e tranquei a gaveta.

A expectativa era divertida. Eu sabia que Cristina não fazia ideia de quem eu era, nem uma vez tentou perguntar qual era meu nome. Meio decepcionante não?

Algumas batidas hesitantes soaram na porta do meu escritório, em seguida ela foi aberta e lá estava Cristina.

Quando me viu, seus olhos se arregalaram.

— Você?! — a voz saiu quase em um grito e vi a surpresa genuína pintando seu rosto.

Apoiei uma das mãos na mesa e deixei que um sorriso lento surgisse em meus lábios.

— Bom dia, senhorita Santiago. — pronunciei as palavras com uma ênfase irônica que ela certamente não entenderia. — Seja bem-vinda à Petterson Construtora.

O choque nos olhos dela foi exatamente o que eu esperava.

Então, quando ela descobrir que é minha esposa legalmente, qual será a expressão dela? Mal posso esperar para ver.

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