Masuk“Algumas distâncias só parecem impossíveis até encontrarmos, do outro lado, alguém estendendo a mão.”Nikolai RomanovA expressão de Irina se suavizou depois da minha resposta, mas percebi em seus olhos que dizer que precisava vê-la não seria suficiente.— Por quê?Passei a mão pela nuca.Eu tinha atravessado a cidade no meio da madrugada por causa de um sonho. Agora que estava diante dela, dizer aquilo em voz alta ainda parecia tão irracional quanto havia parecido quando saí da cama.Mesmo assim, não havia mais razão para esconder.
“Há medos que suportamos durante o dia, até a noite silenciar tudo o que usamos para fingir que não existem.”Nikolai Romanov— Irina.Ela não respondeu.Estava a poucos metros de mim, perto o bastante para que eu pudesse vê-la, mas, quando tentei alcançá-la, a distância entre nós pareceu aumentar.— Irina.Dessa vez, ela virou o rosto.Por um instante, nossos olhos se encontraram, mas, antes que eu conseguisse dar mais um passo em sua direção, Irina simplesmente desapareceu diante de mim.Acordei abrup
“Há uma diferença entre receber mais tempo e descobrir, finalmente, o que desejamos fazer com ele.”Irina PetrovaAs duas palavras permaneceram entre nós por alguns segundos.Outro coração.Olga ficou completamente imóvel, e percebi o instante exato em que compreendeu o que aquilo significava.— Um transplante?Assenti.— Era minha única chance.Por alguns segundos, ela pareceu incapaz de encontrar qualquer palavra.— Com dezenove anos?
“Cinco minutos podem parecer insignificantes diante de uma vida inteira, até serem tudo o que existe entre um fim e uma segunda chance.”Irina PetrovaOlga permaneceu em silêncio enquanto minha mão continuava sobre o peito.Ela não perguntou nada, apenas esperou, e talvez tenha sido justamente aquela ausência de pressão que me deu coragem para contar uma parte da minha história sobre a qual eu raramente falava.— Eu não sabia que tinha alguma coisa errada com meu coração.A preocupação surgiu imediatamente em seu rosto.— Não sabia?
“Existem coisas que o coração revela muito antes de encontrarmos coragem para colocá-las em palavras.”Irina PetrovaÀs doze e vinte e cinco, eu ainda tentava decidir se almoçar sozinha com a mãe de Nikolai era realmente uma boa ideia.Não porque não gostasse de Olga, muito pelo contrário. Desde que a conheci, ela sempre havia sido tão carinhosa comigo que permanecer completamente formal perto dela se tornava cada vez mais difícil.O problema era que Olga já sabia.No almoço em sua casa, eu havia deixado escapar mais do que pretendia sobre o que estava acontecendo entre Nikolai e mim, e, depois da maneira como ela
“Há mudanças que tentamos esconder em gestos e palavras, mas os olhos sempre encontram uma maneira de contá-las primeiro.”Olga RomanovConhecia meu filho bem o suficiente para perceber quando alguma coisa estava diferente.E naquela manhã bastaram menos de cinco minutos.Eu havia ido à Romanov Group para conversar com Nikolai sobre um evento beneficente que aconteceria nas semanas seguintes e, quando saí do elevador no andar da presidência, encontrei Irina organizando alguns documentos diante da mesa de Elena.— Senhora Romanov.Ela sorriu imediatamente ao me ver.— Q







