Masuk— Ele também só chegou nesse ponto porque estava tentando me encontrar e encontrar o Rafael.— E, além disso, isso já passou, eu já não ligo mais pro que aconteceu antes.Helena parecia ter adivinhado que ela ia dizer isso. Não achou estranho, só sorriu de leve:— Estela, eu sei que você não liga. Por isso mesmo eu tenho que ligar.— Quando eu era criança, eu também achava que só quem não ligava pro que sentia, só quem não se importava consigo mesma, só quem vivia como se nada atingisse, conseguia viver mais feliz, e que, por ser comportada, ainda ia ser mais querida pelos outros.— Mas a verdade não é essa. Não se importar consigo mesma é desistir de si. E quando nem você se defende mais, os outros também deixam de ter qualquer freio. Pra eles, em você só sobra interesse.— E aí é assim que, sem nenhum escrúpulo, te tratam como um presente e te entregam por interesse.O olhar de Helena escureceu um pouco.Estela olhou pra expressão dela e soube que ela tinha lembrado do passado.Naque
As palavras de Helena deixaram as pessoas ali um pouco surpresas.Rafael não fez nenhuma pausa, só lançou um olhar e segurou a mão de Estela, sentando-se à mesa de jantar.E Mateus não sabia quem Lucas era, nem entendia a relação entre eles.Se fosse na cidade natal dele, quando dois lados brigavam e o clima ficava ruim, ele teria tentado apaziguar.Mas a situação de Helena era mais complicada, e ele achou que, se ela estava fazendo isso, com certeza tinha um motivo. Então, também não tentou conciliar.Ninguém mais no cômodo falou nada. Lucas, por instinto, olhou para Estela.Estela, no começo, também ficou um pouco confusa, mas logo entendeu, Helena tinha provocado Lucas de propósito pra descarregar a raiva por ela.Depois de pensar por alguns segundos, ela escolheu não interferir.Estela fingiu que não tinha visto o olhar de Lucas e se sentou à mesa, ao lado de Rafael.— Sr. Lucas, por favor.Vendo que Lucas não se mexia, Helena, com um tom educado, voltou a dar o recado para ele ir
— Caso contrário, eu não teria arriscado trazer vocês até aqui.Afinal, Helena tinha escolhido ficar ali justamente porque, por ali, no dia a dia, não aparecia ninguém, e não tinha como inimigos ou coisa do tipo acharem ela.Rafael sorriu:— E você não tem medo de a gente ser esses inimigos que a Helena falou?Assim que ele disse isso, Mateus travou por um instante. O olhar dele ficou imediatamente mais alerta:— Então vocês são?— Claro que não. — Rafael disse. — Pelo que é, eu ainda devia considerar a Helena minha cunhada.Ao ouvir isso, a tensão que Mateus estava segurando finalmente caiu.Mas logo em seguida, Mateus voltou a olhar, agora para Lucas, e perguntou, desconfiado:— E você? Você é quem?Lucas travou.Ele estava prestes a dizer alguma coisa, quando, não muito longe, Estela e Helena já tinham se acalmado, e chamaram os dois.Estela fez um gesto para Rafael, pedindo que eles fossem até lá.A expressão de Helena era a de sempre. Tirando os olhos um pouco vermelhos, não tinha
Depois de quase seis anos separadas, o rosto de Helena, na lembrança de Estela, foi ficando cada vez mais apagado.Por isso, houve alguns momentos em que Estela pensou, apavorada, se, num dia em que encontrasse Helena de novo, ela não seria capaz de reconhecer.Por isso, várias vezes ela segurou a tristeza e a solidão e ficou revendo, uma e outra vez, as fotos antigas delas, mas a realidade era que, quanto mais ela olhava, mais aquele rosto parecia estranho.Ela, de um jeito triste, achou que realmente não ia reconhecer.Mas quem diria, Helena apareceu bem na frente dela. Bastou um jeito de ficar, um olhar, bastou a pinta perto dos olhos, e Estela confirmou quem era.O nariz de Estela ardeu, e ela nem ligou para a dor no joelho, foi depressa até Helena.Helena também pareceu não esperar ver ela ali, e ficou um pouco parada.Mas logo ela largou as coisas que estava segurando, e, quando Estela se jogou nela, ela a abraçou de leve.— O que você está fazendo aqui... Eu achei que... você...
Os três se viraram e viram, não muito longe, um homem de roupa simples e chapéu de palha, parado ali, olhando pra eles com desconfiança e cautela.Ele era grande e forte, parecia jovem, coisa de vinte e poucos anos, mas, por ficar muito tempo no sol e na chuva, tinha a pele mais escura.Os três avaliaram rápido e, depois de confirmarem que ele não parecia perigoso, como se tivessem encontrado uma tábua no meio do mar, contaram o que tinha acontecido, de forma bem direta.— Vocês têm sorte de ainda estarem vivos. — O homem disse.Em seguida, ele explicou pra eles como era ali.Só então Estela entendeu. Aquele trecho de mata tinha um campo magnético diferente, bússola não funcionava. Gente comum entrava e não conseguia se orientar. Até grupo de exploração se perdia lá dentro.Mas, por sorte, aquele homem morava por perto, conhecia o terreno e sabia o caminho pra sair.Estela perguntou, apressada:— Então você pode levar a gente pra fora?O homem olhou pra Estela. Depois levantou os olhos
— Quando a gente sair daqui, a primeira coisa que eu vou fazer é entrar num restaurante e pedir um monte de coisa que eu gosto.— Eu vou comer feijoada, frango com quiabo, arroz com pequi, pão de queijo, caldo verde...Estela, ao mesmo tempo exausta e morrendo de fome, murmurou aquilo baixinho, imaginando em silêncio que, quando voltasse, teria comida quente soltando vapor bem na frente dela.Nesses últimos dias, eles tinham caminhado sem parar, dia e noite. No começo, ainda dava pra pescar um ou dois peixes no lago. Depois, quando foram se afastando, nem lago tinha mais, nem água.Sem lago e sem água, quando a fome apertava, eles só conseguiam comer algumas frutas do mato. Às vezes nem fruta tinha, e eles tinham que aguentar o estômago vazio.A fome os deixava péssimos.Tão mergulhada na fantasia, Estela sentiu como se aqueles pratos quentes realmente tivessem aparecido diante dela. Ela olhou e engoliu em seco, sem perceber, e esticou a mão por reflexo.Só que o pé dela esbarrou em al
Lara também ficou surpresa.Ela chegou a desconfiar que a avó tivesse se confundido e falado errado, mas Aurora manteve o tom firme:— Eu disse dois quartos, então são dois. Vá preparar.A empregada apenas respondeu que sim e ajudou Aurora a sair.Observando as costas da avó se afastando, os outros
Quando acordou na manhã seguinte, o rosto de Estela estava marcado pelas trilhas secas das lágrimas.Ela ajustou as emoções, saiu do quarto e foi em direção à sala.A casa da família ficava afastada do centro. Ela pretendia se despedir da avó e ir embora.Mas, quando estava prestes a entrar, viu Lar
Simão balançou a cabeça.— Ele não atendeu. Também não respondeu a mensagem.A decepção apareceu no rosto de Joana de forma visível.Paulina disse ao lado:— Talvez ele esteja ocupado e não tenha tido tempo de atender. Ontem, eu achei que Evandro ficou com uma boa impressão de você.Ao ouvir isso, J
Estela não levou as palavras dele a sério.De cabeça baixa, carimbou o contrato, organizou as duas vias e se levantou.Entregou uma delas a ele:— Cooperação fechada.Rafael estendeu a mão.Estela achou que ele fosse pegar o contrato e chegou a aproximá-lo ainda mais.Mas Rafael segurou a mão dela.







