LOGINMeia hora depois, Rafael subiu carregando um gatinho bebê já limpo nos braços.O gatinho não tinha vacina, e nem dava pra dar banho. Rafael passou lenço umedecido nele, de um lado pro outro, mais de dez vezes, e só assim conseguiu deixar mais ou menos limpo.Mesmo assim, ele ainda tinha um pouco de nojo e enrolou o gatinho em duas camadas de toalha.Quando ele tinha saído da barraca, o gatinho tinha se agarrado na perna dele e não soltava por nada. E miava baixinho, manhoso. Ele não teve coragem e acabou trazendo.Agora, aqueles olhos redondos e brilhantes olhavam direto para ele.Rafael desviou o olhar.— Não me olha assim. Eu não caio nessa.Alguns segundos depois, ele disse:— Daqui a pouco, quando a mamãe chegar, você faz charme pra ela.Não se sabia se foi coincidência ou se ele tinha entendido mesmo, mas o gatinho soltou um miado bem fofo.O humor de Rafael melhorou um pouco, e ele passou a achar aquele gatinho sujo menos desagradável.Quando voltou para o reservado, viu que Este
No outro lado, no hotel.Assim que Rafael entrou no saguão, um funcionário veio até ele com um sorriso.— Sr. Rafael, a Srta. Estela já reservou uma mesa com antecedência. Vem comigo.Rafael não pensou muito e seguiu o funcionário escada acima.Assim que empurrou a porta do reservado, viu as rosas já arrumadas no ambiente.Bem no meio da mesa, tinha um bolo grande, de dois andares.Ao lado, também havia uma caixa de presente bem caprichada.Ele parou o passo por um instante e ergueu uma sobrancelha.— Serviço do hotel?O funcionário balançou a cabeça.— O hotel não tem esse tipo de serviço. Foi a Srta. Estela que veio ontem pra arrumar tudo. Ela ainda disse que hoje é o aniversário de um mês de namoro de vocês, então queria deixar bem bonito.Ouvindo isso, Rafael arqueou um pouco as sobrancelhas.Então era esse o plano de verdade dela pra comemorar.Ontem ela ainda tinha enganado ele.Estela tinha mesmo pegado os hábitos dele.Depois que Rafael dispensou o funcionário, ele foi até a me
— Srta. Estela, o que a gente faz com esses dois? — O segurança perguntou para Estela. — Quer que a gente dê um fim?Enquanto falava, ele estendeu a mão de propósito e fez um gesto de cortar o pescoço.Os dois homens ficaram apavorados e, às pressas, começaram a implorar para Estela.— A gente já sabe que errou. Nunca mais.— Por favor, poupa a gente.Eles também tinham entendido, pelo que viram agora há pouco, que a Estela não era tão simples quanto eles tinham imaginado. Esses dois homens eram seguranças profissionais, e aquilo provavelmente não era só fala.Dar um fim significava o quê, e como.Era óbvio.Ali era um lugar afastado. Se fossem fazer, ninguém ia ficar sabendo.Um dos homens, tomado pelo pânico, começou a bater a cabeça no chão para Estela. O outro, vendo isso, foi atrás na mesma hora.Os dois batiam a cabeça com força, fazendo barulho.Estela olhou para o segurança e viu ele mandar um olhar para ela. Em seguida, ela entendeu o que eles queriam dizer.Estela pensou e di
O outro homem assentiu na hora.— A gente já sabe que errou, deixa a gente ir.— Se for preciso, a gente te dá um dinheiro, resolve isso aqui mesmo. — O homem olhou para Estela, o olhar cheio de medo e tensão.— Por dinheiro? Quem vocês acham que estão enganando? — O segurança gritou. — Fala a verdade!— A verdade é por dinheiro mesmo. — O homem olhou para o carro de Estela e disse. — Esse carro, dá pra ver que é de mulher. Mulher, numa hora dessas, com certeza vai querer dar um jeito de resolver.— A gente escolhe esses trechos mais afastados pra roubar. É só entregar o dinheiro que a gente deixa ir. A gente não tinha outra intenção.O outro homem assentiu, acompanhando.Os dois estavam claramente enrolando.O segurança, é claro, não acreditou.Estela também não acreditou. Pensou um pouco e disse:— Pelo jeito, se eles não sentirem dor, não vai sair a verdade.Um dos seguranças pensou e tirou uma faca do bolso.Estela não pegou.— Fazer isso é crime.— E além disso, esse tipo de ferim
Nesse momento, o homem caído no chão cuspiu sangue de repente.Ao ver o sangue, Estela entrou em pânico e ia abrir a porta.Mas, quando a mão encostou na maçaneta, ela parou.Tinha algo errado.Numa hora dessas, ela não podia descer.Sem falar se tinha sido ela que tinha encostado neles ou não, o fato de os dois aparecerem num lugar tão isolado já era estranho.E, mesmo se ela tivesse batido de verdade, cuspir sangue significava lesão interna. Não dava para mexer num ferido assim. Ela descer não ia resolver, e, se eles estivessem mirando nela, ela ia se colocar em perigo.Estela forçou a si mesma a ficar calma, pensou por alguns segundos e ficou dentro do carro.Ela ignorou o homem lá fora, gritando para ela descer, mandou uma mensagem e abriu a câmera do carro, o registro de direção.Voltou para a gravação e assistiu duas vezes.Ela tinha freado a tempo. Ela não tinha encostado em ninguém.O homem só tinha se jogado no chão no instante em que ela ia bater.E antes de cair, ele ainda t
Até agora, Helena ainda não tinha dado nenhum sinal.Hoje, depois que conseguiu falar com Evandro, Estela perguntou como estavam as coisas, mas Evandro não contou muita coisa.Evandro não queria falar, e ela não insistiu.No fundo, ela sabia muito bem. Ficar ansiosa não adiantava. Evandro queria encontrar Helena mais do que ela, e a ansiedade dela só ia deixar Evandro mais inquieto por dentro.Depois, Letícia e Talita ajudaram ela a escolher as joias que ia usar no encontro e também decidiram uma maquiagem que combinava.E era a primeira vez que Estela ia a um encontro. Depois que tudo tivesse um desfecho, por algum motivo, ela sentia uma coisa estranha por dentro.Ela não sabia explicar o que era.Mas ela estava esperando por isso, e até se sentia meio fora de si.A lua estava clara.O chão parecia coberto por uma camada fina de prata.Na manhã seguinte, Estela colocou a roupa, fez a maquiagem e saiu.Quando chegou na empresa, Tiago a viu e arregalou os olhos.Antes, no trabalho, ela
O cabelo estava preso com cuidado, o que deixava o pescoço bonito e alongado em evidência.Em cada gesto, havia um ar de distinção.E, quando viu o rosto da mulher, Joana sentiu o ódio subir a ponto de quase ranger os dentes.Era Estela.Como podia ser Estela?Joana, irritada, quis dizer algo a Simã
Jéssica passou os olhos por ela de cima a baixo e soltou um riso de desprezo:— Estela, da última vez na casa da família você viu com os próprios olhos. O Lucas não tem você no coração. E, mesmo assim, você ainda vem com esse tipo de joguinho para tentar se aproximar dele.— Para de perder tempo com
Ao vê-lo, Estela se surpreendeu por um instante.— O que você está fazendo aqui?— Vim trazer uma roupa. — Evandro levantou levemente a mão.Só então Estela percebeu a caixa delicada, cor-de-rosa, de vestido de gala que ele carregava.Ela ficou um pouco sem reação.— Isso é…— O vestido para a noite
Ao ouvir a voz grave do outro lado da linha, Estela ficou por um instante sem reação.Na época em que desistiu da carreira promissora por causa do casamento, o veterano que trabalhava com ela, Evandro Guimarães, ficou furioso com a decisão dela.Os dois chegaram até a brigar feio.— Estela, você vai







