LOGINOs olhos de Mateus brilharam.— Posso perguntar qualquer coisa?— Sim. — Helena assentiu.De qualquer forma, Mateus agora estava do lado dela.Na verdade, no começo ela tinha planejado voltar sozinha pra Cidade N, mas Mateus ficou preocupado, insistiu em ficar ao lado dela pra garantir a segurança dela, e ela não conseguiu recusar, então só deixou.Chegando a esse ponto, tinha coisas que ele devia saber.Helena achou que ele ia perguntar por que o outro lado estava mobilizando tanta gente pra cercar ela, ou se ela estava correndo risco de vida, ou alguma coisa sobre se eles iam conseguir fugir.Só que Mateus fez uma pausa e, meio sem jeito, perguntou:— O Daniel não é o seu noivo? Por que você está se escondendo tanto dele?— Noivo? — Helena travou por um instante. — Quem te disse que ele é meu noivo?Ao ouvir Helena negar, os olhos de Mateus brilharam, mas logo o olhar dele ficou confuso.Ele lembrava de Lucas ter dito que o noivo de Helena era Daniel.Esse nome ele tinha repetido na
Estela ainda engoliu o que ia dizer.Naquela época, ela tinha concordado com Lucas justamente pra colocar uma condição impossível e deixar claro que aquilo não tinha como acontecer, ela nunca teve a intenção de voltar com ele.Antes de Lucas cumprir o que tinha prometido, ela podia resolver isso sozinha....Mansão da família Lacerda.O sol ofuscante foi baixando aos poucos e, devagar, virou um pôr do sol vermelho-sangue.A fila passou, tremendo, diante de Daniel, mas ninguém ousou ir embora, todos ficaram parados não muito longe, formando outro grupo.Os seguranças rondavam aquele grupo e não deixavam ninguém sair.Quando a fila estava chegando ao fim, o rosto de Daniel ficou cada vez mais fechado, cada vez mais feio.Até a última pessoa passar e Helena não aparecer, o ar ao redor de Daniel caiu para o zero.— Ela não está aqui. — Disse Daniel.Samuel estava ao lado e falou apressado:— Do lado de fora já está tudo com gente posicionada, nem uma mosca sai voando.— Se a Srta. Helena a
Estela se levantou.Lucas, por instinto, deu dois passos na direção dela, querendo explicar o que tinha acontecido agora há pouco, mas Estela não deu chance.Ela estendeu a mão e, sem hesitar, empurrou ele pra fora.Quando viu o olhar frio dela enquanto fechava a porta, Lucas entendeu que, pra ela, ele já era o culpado por ter machucado o Rafael.Lucas ficou fora de si de raiva.E o que deixou ele ainda pior foi que Estela nem sequer deu a ele a chance de explicar.Ele tinha como provar que não tinha feito nada com o Rafael, mas ela não estava nem questionando se tinha sido ele, naquele instante ela já tinha decidido que tinha sido.Por dentro, Lucas se sentiu impotente.No quarto, Estela apertou a campainha de emergência. O médico chegou rápido, examinou e disse que não tinha encontrado nada grave, mandou a enfermeira prescrever mais remédio e continuar com o soro.Estela correu de um lado pro outro, deu água pra Rafael enxaguar a boca e trocou o lençol manchado de sangue.Quando viu
Lucas ficou com o rosto fechado.Por dentro, estava irritado.Ele disse:— Você conhece a Estela há poucos meses. Eu e ela ficamos casados por cinco anos.Lucas fez questão de pesar as palavras em "casados por cinco anos".Rafael ergueu as sobrancelhas.— É. Casados há tanto tempo, o que ela está pensando agora você deve saber bem.Rafael olhou de lado, na direção da tigela da canja que estava no criado-mudo.O rosto de Lucas ficou ainda mais feio.Ele estava internado fazia tanto tempo, e Estela não tinha vindo de verdade ver ele nenhuma vez.E a canja que ele ficava lembrando, a canja que Estela fazia, ele não tinha provado mais. Ele insistiu tantas vezes, e o que recebeu foi só comida que Estela pediu por delivery.Mas Rafael ficou doente.Estela ficou a noite toda ao lado da cama, e, quando acordou, ainda comprou café da manhã, deu na mão e alimentou ele.E isso tudo era o que deveria ter sido dele.Ao pensar nisso, as têmporas de Lucas pulsaram.Como Rafael disse, ele foi casado c
Júlio sorriu, assentiu e disse:— Eu vou.Depois que Sandro foi embora, Helena olhou pra Júlio e sentiu de tudo ao mesmo tempo.Antes que ela agradecesse, Júlio olhou pra ela, sorriu e disse:— Três anos, se você quer fazer alguma coisa, dá e sobra.Ao ouvir isso, Helena enfim entendeu.Então o que ele tinha dito agora há pouco era só pra segurar o Sandro por enquanto, pra dar a ela três anos pra respirar?Ela sentiu uma decepção que nem soube explicar.Helena perguntou:— Então o que você falou agora há pouco foi só pra me dar tempo.Júlio sorriu:— Você não sente nada por mim, então aquilo foi pra te dar tempo.— Mas... — Ele fez uma pausa.Helena viu o sorriso no olhar dele sumir.— Se você não se importar e quiser casar comigo, então o que eu disse é a minha palavra. E eu estou falando sério. — No olhar de Júlio passou uma firmeza difícil de perceber.Helena ficou parada por um instante.— Dessa vez, a decisão está com você. Pensa direito. — Júlio sorriu e apertou de leve a bochech
Dezenas de seguranças pressionaram Júlio no chão, enquanto ele ainda arrumava a mala.Helena reagiu e, apavorada, quis ir ajudar ele, mas, antes de chegar perto, uma mão agarrou o pulso dela com força. Com um puxão, o corpo dela saiu do controle e ela tropeçou, caindo direto no peito de Daniel.Daniel estava com uma frieza ameaçadora no corpo inteiro, os olhos estavam vermelhos. E ainda tinha um pouco de mágoa.— Você ficou sozinho com ele lá fora por uma semana? — Daniel perguntou, cerrando os dentes.O coração de Helena apertou.Mas, logo em seguida, o olhar dela ficou firme.— Primeiro, Daniel, a gente já terminou, você também concordou com isso. Eu fico com quem eu quiser, e isso não tem nada a ver com você.— Segundo, você acreditando ou não, eu e o Júlio não temos nada.Antes de entender de vez o que ela e Daniel eram, mesmo tendo alguma sensação por Júlio, Helena ainda tratava Júlio só como um amigo, alguém que já tinha ficado do lado dela em um momento difícil.E, nesses dias l






