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O Divórcio que Ele Pediu Virou Meu Renascimento
O Divórcio que Ele Pediu Virou Meu Renascimento
Autor: Camila Torres

Capítulo 1

Autor: Camila Torres
Priscila Silva já não se importava com a vida amorosa do marido fora de casa.

Ainda assim, era impossível não saber quem era Karine Pereira quando a internet estava tomada por notícias, boatos e fotos insinuantes.

Ela era a nova aposta da empresa de Felipe.

Pouco mais de vinte anos, jovem demais, bonita demais, daquele tipo que ainda parecia intocada, como se a vida não tivesse tido tempo de marcá-la de verdade.

O que mais chamava atenção, no entanto, era outra coisa.

Felipe a havia cortejado de forma aberta por quase dois meses, e ela não cedera em momento algum.

Antes, nenhuma mulher resistia mais de um mês.

Felipe sempre perdia o interesse rápido.

Mas Karine era diferente.

Ela não apenas quebrara todos os recordes dele, como também o levara a propor um divórcio de fachada.

Priscila pegou o acordo de divórcio.

O canto da boca se curvou levemente, num sorriso que não chegava aos olhos.

— Então esse é o presente que você preparou pra mim? — Disse. — Bem… Original.

Assim que terminou de falar, uma expressão rara de confusão surgiu no rosto de Felipe.

Só depois de se lembrar da data, um vestígio de culpa apareceu em seus olhos.

— Tenho passado os dias no set, tentando agradar a Kari… — Explicou. — Acabei esquecendo que hoje é nosso aniversário de casamento. E o seu aniversário também. Desculpa. Vou pedir pra meu assistente mandar um presente mais tarde.

Quando alguém novo aparece, o antigo vira passado num piscar de olhos.

O sorriso de Priscila ganhou um tom de ironia.

— Não precisa. Se vamos nos divorciar, é melhor guardar o presente pra outra pessoa.

Felipe franziu a testa, visivelmente incomodado.

— Não exagera. É só um divórcio de fachada. A gente assina o papel pra acalmar a garota, só isso. Nem vamos ao cartório de verdade.

"É mesmo?"

Mas, ao contrário dele, Priscila já havia tomado sua decisão.

Ela não disse nada.

Apenas pegou a caneta e assinou seu nome, traço por traço, com calma.

Assim, encerrava três anos de casamento com um ponto final silencioso.

Quando ela terminou, Felipe soltou um suspiro de alívio.

Tirou uma foto do acordo e fez uma ligação.

Não dava para ouvir o que dizia do outro lado da linha, mas o bom humor dele era evidente.

A voz, antes neutra, tornou-se suave, quase indulgente.

— Já me divorciei. — Disse. — Agora a gente pode ficar junto sem esconder nada. Me espera direitinho no set. Vou te buscar pra comemorar.

Depois de desligar, ele pegou o casaco e seguiu em direção à porta.

No instante em que estava prestes a fechá-la, pareceu lembrar de algo e olhou para Priscila.

— Hoje é o primeiro dia em que a Kari aceitou ficar comigo. Preciso estar com ela. No ano que vem, eu passo seu aniversário e o nosso aniversário de casamento com você.

Mal terminou a frase, fechou a porta com pressa, ansioso demais para ir ao encontro da sua garota.

E, naturalmente, não ouviu a resposta baixa que Priscila deixou escapar.

— Felipe… Nós não temos "ano que vem".

O ronco do carro do lado de fora foi se afastando aos poucos, até desaparecer por completo.

Priscila subiu as escadas, abriu o cofre e retirou, do fundo mais profundo, duas certidões de casamento.

Ao abrir o documento guardado com cuidado, dois rostos sorridentes saltaram diante de seus olhos.

Priscila, aos vinte e quatro anos.

Felipe, aos vinte e seis.

Os dois estavam colados um ao outro, os rostos iluminados, os olhos cheios de amor e expectativas ingênuas em relação ao casamento.

Sem perceber, o olhar dela deslizou até o acordo de divórcio já assinado.

Quando foi que eles haviam chegado àquele ponto?

A lembrança do primeiro encontro com Felipe surgiu com nitidez.

Foi numa festa de encerramento de gravações.

Naquela época, Priscila ainda era uma iniciante no meio artístico, alguém sem nome, sem espaço, tentando sobreviver entre figurantes e papéis pequenos.

Por acaso, numa área mais afastada do salão, ela o encontrou encostado na parede, segurando o estômago, o rosto pálido.

Percebeu de imediato que ele havia bebido demais e que o estômago não aguentara.

Ela abriu a bolsa e lhe estendeu uma garrafinha de iogurte.

Foi só isso.

Um gesto simples, quase automático, mas suficiente para fazer Felipe passar a notá-la um pouco mais.

Aquela atenção, aos poucos, transformou-se em interesse.

E, no fim, virou algo que ele chamava de amor.

Mas quem era Felipe, afinal?

O herdeiro da família Almeida.

O príncipe de um império empresarial.

Um legítimo sucessor da elite, um mundo inalcançável para pessoas comuns.

Priscila sempre tivera consciência disso.

Como alguém assim poderia se apaixonar por uma garota ordinária como ela?

No máximo, achara divertido. Um passatempo.

Por isso, recusou sem hesitar.

O que ela não esperava era que Felipe não desistisse.

Ao contrário.

Ele passou a estar sempre por perto.

O CEO distante virou, pouco a pouco, uma espécie de assistente pessoal.

Na hora das refeições, era ele quem cozinhava e trazia a comida.

Quando ela adoecia por causa das gravações exaustivas, era ele quem a levava às pressas para o hospital.

Depois das cenas subaquáticas, era sempre ele o primeiro a lhe entregar um copo de suco, ainda gelado.

Priscila não era feita de pedra.

Dia após dia, naquela sequência silenciosa de cuidados, ela acabou cedendo.

Mas o que realmente rompeu sua última barreira aconteceu durante uma gravação com cabos de sustentação.

Algo deu errado na descida.

No instante em que começou a cair, sem tempo para pensar em nada, Felipe se lançou para a frente, usando o próprio corpo como amortecedor.

Priscila saiu ilesa.

Felipe, não.

Duas costelas quebradas.

Depois que ficaram juntos, Felipe deixou claro para a família Almeida que, naquela vida, só se casaria com ela.

Mesmo quando a família recorreu às regras internas, à pressão e às punições tradicionais, ele não cedeu um centímetro.

Priscila não queria ser o ponto fraco dele.

Trabalhou até a exaustão.

Aceitou todo papel possível.

Durante quatro anos, passo a passo, lutou para subir, até conquistar o título de melhor atriz e, só então, conseguir que a família Almeida a aceitasse, ainda que a contragosto.

No dia do casamento, a internet inteira celebrou.

Desejos de felicidade eterna.

Promessas de amor até a velhice.

Houve até quem dissesse que Felipe era uma raridade entre os ricos, um homem fiel, um romântico improvável no meio da elite.

Priscila acreditou nisso.

Acreditou que aquele casamento seria doce para sempre.

Mas, no segundo ano após a cerimônia, um batom apareceu na gola da camisa dele.

Na primeira vez em que viu, ela chorou até perder o controle.

Felipe, sempre orgulhoso, ajoelhou-se diante dela e jurou que era uma armadilha de concorrentes, uma tentativa suja de manchar sua imagem.

Prometeu que nunca mais aconteceria.

Pensando em tudo o que tinham vivido juntos, Priscila escolheu perdoar.

Não demorou muito para que ele começasse a não voltar para casa à noite.

Ela ligava sem parar, como alguém fora de si.

Seguia seus passos.

Esperava acordada.

E, quando ele finalmente aparecia, vinham as brigas.

Gritos, lágrimas, desespero.

Felipe apenas a observava descarregar tudo.

No fim, sempre com a mesma calma quase cruel, dizia:

— Pri, nesse meio ninguém passa a vida inteira com uma mulher só. O que importa é que a única pessoa que eu amo é você. E a única esposa que eu vou ter é você. Isso já deveria ser suficiente.

E não era só Felipe.

Todos ao redor dela repetiam o mesmo discurso.

As mulheres de fora eram apenas passageiras.

O que realmente importava era o título de esposa.

Felipe, cedo ou tarde, sempre voltaria para casa.

Ela só precisava… Esperar.

E assim ela esperou.

Esperou e esperou…

Até chegar ao dia de hoje, em que Felipe, por causa da amante, propôs um divórcio de fachada.

No instante em que viu Felipe assinar o próprio nome no papel, algo dentro de Priscila se rompeu.

Não.

Foi como se algo tivesse sido solto.

As correntes invisíveis que a prendiam haviam, de repente, caído.

Ela se casara com Felipe por causa do dinheiro da família Almeida?

Do poder?

Do status?

Não.

Foi apenas por amor.

Um amor puro, simples, entre duas pessoas.

Mas agora…

Esse amor já havia se transformado numa massa apodrecida, fétida, irreconhecível.

Até o casamento que um dia haviam tratado como sagrado, Felipe conseguira transformar em moeda de troca para agradar outra mulher.

Se era assim, então aquele casamento também não tinha mais razão de existir.

Quando voltou a si, Priscila já segurava o acordo de divórcio e as certidões de casamento nas mãos.

Foi direto ao cartório.

Depois de conferirem todos os documentos, um funcionário informou que ela deveria retornar dali a um mês para retirar a certidão de divórcio definitiva.

Ao sair do prédio, o sol caiu sobre ela.

E, pela primeira vez em muito tempo, Priscila sentiu algo que quase havia esquecido.

Leveza.

Ela puxou o celular e discou um número que guardava havia muito tempo.

— Rafael… — Disse. Sobre aquele convite pra filmar na Inglaterra… Eu aceito.
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Último capítulo

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