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Depois de dizer isso, Priscila se levantou e foi embora.O primeiro reencontro daquele ex-casal, quatro anos depois da separação, terminou assim.Seco, contido, definitivo.Ao voltar para o hotel, Rafael ligou para ela.— Pri, como foi a conversa com a NovaVoz Mídia? Deu tudo certo?Priscila sorriu levemente.— Tudo correu bem. O contrato já foi assinado. Agora é só esperar a estreia da semana que vem. Assim que acabar, eu volto direto pro Reino Unido.Do outro lado da linha, Rafael pareceu aliviado. Logo depois, não resistiu à curiosidade.— Ouvi dizer que o dono da NovaVoz está procurando a esposa que desapareceu. Ele conseguiu encontrá-la?Rafael não fazia ideia de que aquela esposa desaparecida estava falando com ele naquele exato momento.Priscila fez uma breve pausa antes de responder.— Encontrou, sim. — Ela falou com tranquilidade. — Só que a esposa dele já decidiu começar uma nova vida. E deixar o passado para trás.Rafael suspirou, cheio de pesar.— É. Por que será que tanta
No instante em que Priscila empurrou a porta, todos os olhares da sala se voltaram para ela.Em toda a empresa, quem não sabia que ela era a ex-esposa do chefe, a mulher que Felipe jamais conseguira esquecer?Já Felipe.Estava completamente imóvel na cadeira.O coração parecia ter parado de bater.Ele sequer ousava piscar.Tinha medo de que aquilo fosse apenas uma ilusão.E que, no segundo seguinte, Priscila simplesmente desaparecesse.Só quando ela se sentou com naturalidade, elegante e tranquila, foi que ele finalmente reagiu.Não era um sonho.A mulher em quem ele pensara dia e noite durante quatro anos estava ali. De verdade.O olhar de Priscila pousou sobre Felipe por apenas um segundo. Em seguida, ela falou, com educação impecável:— Sr. Felipe, quanto tempo.A forma distante como ela se dirigiu a ele fez o peito de Felipe se contrair de dor.Durante aqueles quatro anos, ele imaginara incontáveis reencontros.Talvez ela ainda estivesse ressentida.Talvez se recusasse até mesmo a
Quatro anos depois.Aeroporto Internacional de Porto Nobre.Assim que Priscila desembarcou, envolta em um trench coat, tirou rapidamente os óculos escuros e a máscara da bolsa. Só depois de cobrir bem o rosto seguiu, tranquila, em direção à saída.Ao chegar à área de desembarque, avistou Flávia à distância, parada ali, com o olhar atento, vasculhando cada rosto que passava.O coração de Priscila se aqueceu.Ela contornou por trás e tocou de leve no ombro da amiga.Flávia levou um susto enorme.Priscila puxou a máscara um pouco para baixo e sussurrou:— Flávia… Sou eu.Flávia ficou encarando aquele rosto por alguns segundos, como se precisasse confirmar que não estava sonhando. Então, sem dizer mais nada, puxou-a para um abraço apertado. A voz saiu embargada.— Pri… Você finalmente voltou.Priscila deu dois tapinhas suaves nas costas dela, sinalizando que era melhor saírem dali.Só então Flávia caiu em si. Pegou rapidamente o carrinho de bagagem e seguiu em direção ao estacionamento.De
Depois de dizer isso, Felipe não deu a mínima para os gritos e o choro desesperado de Karine. Virou as costas e saiu em passos largos.Assim que deixou o hospital, pegou o celular e ligou para o assistente.— Quero tudo sobre a Karine. Cada podre. Traga tudo para o meu escritório.A eficiência do assistente foi impecável.Em menos de duas horas, uma pilha espessa de documentos já estava sobre a mesa de Felipe.Ele começou a ler, página por página.A cada folha virada, o rosto ficava mais sombrio, e a fúria em seu peito só aumentava.Quando chegou à última página, Felipe finalmente perdeu o controle.Chutou a cadeira com violência e xingou em voz alta.A primeira vez que vira Karine fora numa cerimônia de premiação.Naquela época, ela já tinha certa visibilidade, mas não ganhara prêmio algum.Depois do evento, ele a encontrara nos bastidores, sozinha, murmurando palavras de incentivo para si mesma, como se estivesse se preparando para continuar lutando.Aquela energia.Era idêntica à de
A mão de Felipe já estava prestes a girar a maçaneta quando, de repente, todo o seu corpo congelou.O aborto de Karine tinha sido uma encenação.Tudo fora armado por ela mesma.Pri não tinha mentido.Ela realmente não tinha feito nada.Pior ainda, até a agressão sofrida por Pri no estacionamento subterrâneo, duas semanas antes, tinha sido provocada por Karine, que deliberadamente incitara os próprios fãs a atacá-la.E ele?Ele escolhera acreditar naquela mulher falsa e venenosa.Não apenas deixara a verdadeira culpada sair ilesa, como ainda jogara a culpa do aborto nas costas de Pri, fazendo com que ela doasse oitocentos mililitros de sangue à toa.A raiva subia como fogo, queimando por dentro.Dentro do quarto, Karine não fazia ideia de que Felipe estava do lado de fora. Continuava falando, completamente entregue à própria crueldade.— Se o filho que eu carregava não fosse de outro homem, confesso que teria sido difícil me livrar dele. — Disse, rindo com desprezo. — Subir na vida com
A respiração de Felipe falhou por um segundo."Divórcio?"Desde quando ele e Priscila tinham se divorciado?Como assim ele não sabia de nada?Não.Era impossível.Aquilo só podia ser algum artifício que Priscila arranjara sabe-se lá onde para enganá-lo.Sim. Só podia ser isso.Felipe tentou se convencer, repetindo aquelas palavras para si mesmo enquanto levantava o documento com as mãos trêmulas.Mas, no instante em que seus olhos percorreram o conteúdo, toda e qualquer esperança foi esmagada sem piedade.Ali estavam os dois nomes:Felipe Almeida e Priscila Silva.O carimbo do cartório também não deixava margem para dúvidas.Não havia qualquer sinal de falsificação.Aquela certidão de divórcio era real.No rosto de Felipe, sempre tão controlado, tão frio, surgiu algo raríssimo: confusão.Ele simplesmente não conseguia se lembrar quando, como ou em que momento tinha ido com Priscila oficializar aquele divórcio.Ao lado, o assistente engoliu em seco e, com extremo cuidado, estendeu-lhe o