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Capítulo 2

Author: Pequena Estrela
Eu estava prestes a colocar todas as cartas na mesa, mas Bruno saiu furioso, batendo a porta atrás de si.

Na manhã seguinte, o aroma encorpado de panquecas e café tomou conta de toda a casa. Só quando desci descobri que, contrariando todos os seus hábitos, Bruno havia ido pessoalmente para a cozinha preparar o café da manhã.

Quando me viu aparecer, um brilho de expectativa atravessou seus olhos escuros.

No passado, sempre que me deixava magoada, ele fazia alguma pequena gentileza para me agradar.

E, todas as vezes, eu amolecia e o perdoava facilmente.

Com o tempo, ele passou a acreditar que aquilo significava que eu não conseguia viver sem ele.

Mas, desta vez, eu não voltaria a ceder.

Ao perceber que eu permanecia em silêncio, sem a reação esperada, a expressão de Bruno mudou ligeiramente. Em seguida, ele se virou e colocou as panquecas prontas dentro de um refratário térmico.

Ao passar por mim em direção à porta, disse de propósito:

— A Carol não gosta de comer pela manhã. Tenho certeza de que ela vai adorar as panquecas especiais que eu preparo.

Ele pensava que aquilo me deixaria com ciúmes, enlouquecida, e que eu acabaria cedendo primeiro. Mesmo depois de tudo, como ele ainda conseguia acreditar que eu estava apenas fazendo birra para disputar sua atenção?

De repente, achei tudo aquilo ridículo.

Durante todos aqueles anos, eu realmente havia me perdido por um homem como Bruno Sampaio. Um canalha egoísta e arrogante.

Demorei demais para acordar.

Mas, pelo menos, acordei.

Depois do aborto, o médico disse que eu precisava repousar e me recuperar com tranquilidade. Por isso, pedi alguns dias de licença no trabalho.

No entanto, na manhã seguinte, minha chefe me ligou.

— Paula, volte para a empresa imediatamente! O presidente da companhia, o Sr. Sampaio, acabou de inspecionar nosso departamento e ficou muito insatisfeito ao perceber que havia funcionários ausentes. Ele ficou furioso e cancelou a folga de todos os colaboradores do setor! Se isso acontecer outra vez, juro que demito você!

No início, Bruno dizia que queria me ver todos os dias e praticamente implorou para que eu fosse trabalhar na empresa dele. Ele havia herdado a cadeira da presidência assim que o pai se aposentou.

Eu aceitei, acreditando tolamente que ele me queria por perto.

Mas pouco tempo depois, ele disse que relacionamentos dentro do escritório poderiam causar uma má impressão, por isso nossa relação nunca foi revelada.

Pensando bem agora, eu era ingênua demais.

Ele me colocou naquela empresa para conseguir me controlar melhor. E manteve nosso relacionamento em segredo para poder ficar com outras mulheres sem problema algum.

— Não precisa me demitir. Eu já estava prestes a pedir demissão. — Minha voz saiu calma. — Enviarei a carta de desligamento para a empresa mais tarde. Lembre-se de assinar.

Minha chefe explodiu de raiva.

— Paula, quem você pensa que é? Ainda quer bancar a rebelde comigo? Se você não aparecer hoje, acha mesmo que eu não sou capaz de arruinar a sua carteira de trabalho e suas referências?

Sem uma escolha acertada para conseguir me livrar daquela empresa o quanto antes, fui obrigada a forçar meu corpo debilitado a voltar ao trabalho.

Assim que cheguei, minha chefe me arrastou para sua sala e me deu uma bronca humilhante. Quando saí, ouvi algumas funcionárias mais jovens conversando sobre as fofocas envolvendo Bruno.

— Vocês ficaram sabendo? O presidente, o Sr. Bruno e a Srta. Carolina, assumiram o romance!

— Quê?! A Carolina? Aquela gerente de expansão internacional que tem aparecido bastante nos eventos da empresa ultimamente. Aquela bonitona, sabe?

— Está inventando.

— Não estou! Essa fofoca é garantida!

— Vocês não viram. Ontem, no estacionamento subterrâneo, eu vi com meus próprios olhos o presidente Sampaio e a Carolina se beijando com a maior intensidade. E pouco depois de entrarem no carro dele, e aí o veículo começou a balançar de um jeito...

— Caramba! Precisa de tanta pressa assim?! Eles devem ser quentes juntos.

— Nunca imaginei que o presidente Sampaio, sempre tão sério e frio, tivesse esse lado.

Todas ao redor ficaram surpresas.

— Pois é. Vocês não perceberam? Ultimamente, a Carolina arruma qualquer desculpa para ir ao escritório do presidente Sampaio. E o anel de diamante que ela está usando foi justamente o que ele deu quando a pediu em casamento.

— Os dois até andaram de mãos dadas na frente dos outros. Para mim, isso tem cara de anúncio oficial.

— Exatamente! Também ouvi dizer que ele vai se casar em breve. Será que a noiva é a gerente de expansão internacional?

— Pelo jeito, deve ser a Carolina mesmo.

— Não é à toa que, na semana passada, o presidente Sampaio levou ela sozinha para uma viagem internacional de negócios. Aposto que aquilo foi uma lua de mel antecipada.

— Que inveja...

As fofocas se espalham por todo o escritório.

E eu finalmente entendi.

Bruno Sampaio havia mandado minha chefe me chamar de volta à empresa de propósito.

Ele queria que eu ouvisse aquelas conversas.

Queria me ver com ciúmes, humilhada.

Queria me ver furiosa.

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