로그인Michael Williams:
A sensação de proteção era algo que me dominava desde criança. Eu não conseguia ver uma pessoa sofrendo e ficar quinta, era como se eu estivesse virando as costas para mim no passado. Émie estava visivelmente necessitada de ajuda, em seus olhos já não havia mais brilho. Seu semblante era de profunda tristeza e solidão, e aquilo de certa forma, me incomodava. Mesmo ela me pedindo para deixá-la ir sozinha até sua casa, eu não consegui.Alguns minutos depois estava eu, parado de frente a sua casa, suspirei forte antes de bater em sua porta novamente…— Olá, querido. — sua mãe abriu com um largo sorriso no rosto. Suas pupilas dilatadas indicavam que ela estava altamente drogada e fora de si.— Boa noite! Eu preciso de mais um favor seu, pagaria bem se pudesse o fazer agora. — seu olhar foi direcionado ao meu bolso, como se a gente estivesse falando a mesma língua.— Se eu puder…— Quero que diga a Émie que estou aqui. Ela sabe quem eu sou! — e o sorriso que estava em seu rosto, desapareceu de uma forma instantânea.— Sinto muito, mas não posso. Émie não está em casa.— Sim, ela está! Eu a vi entrando, a senhora irá chamá-la por vontade própria, ou eu entraria aí e tirarei minhas próprias conclusões, Sra. Carter.— Não será necessário nenhuma das alternativas, estou aqui. — sua voz doce e melancólica era como se fossem o cântico dos anjos em meus ouvidos. — Então, o que você quer conversar comigo? — seu olhar se manteve preso ao meu, e como se ela conseguisse me dominar, ali estava eu, parada e sem reação diante daquela homem.— Aceita jantar comigo? Eu prometo que será algo que… — antes que eu terminasse o que estava dizendo, ela apenas aceitou e saiu, deixando sua mãe para trás e suspirando fundo.O vento frio lhe causava arrepios. Seus cabelos voavam como se fossem fios de seda ao vento, a lua refletia em sua pele um brilho surreal.Retomei os sentidos quando chegamos em frente ao meu carro, onde ela parecia estar perdida, com o olhar mirando algo aleatório.— Vamos? Perdão por não me apresentar antes, prazer, Sr. Williams, mas pode me chamar de Michael! — ela me olhou como se já soubesse quem eu sou e de forma natural, sorriu e voltou a olhar para o nada.— Eu não posso sair com você. Temos posições de status diferente, e não quero que se sinta na obrigação de ser gentil comigo pelo que aconteceu. Está tudo bem, eu estou bem, por favor, não se meta em problemas. — havia desespero em sua voz, como se fosse capaz a sua voz transmitir a dor de sua alma.— Não estou me sentindo na obrigação de nada, apenas estou a convidando para jantar comigo como sinal de gratidão pelo bom atendimento de hoje mais cedo. Por favor! — abrir a porta e sem hesitar ela entrou.— Que não seja um local com muitas pessoas. Por favor! — sua voz carregada de timidez me deixava de certa forma diferente. Sentia medo por ela; medo que ela fosse embora ou sumisse e isso tão de repente.Estar ao seu lado, era como se estivesse sozinho, mas a sensação de que ela estava ali me confortava. Escolhi um restaurante reservado, antes que entrássemos pedi para fazerem uma reserva na área vip, onde já não havia acesso além dos que contratavam. Ao entrarmos, Émie parecia deslumbrada com tudo que estava vendo. As imagens de pinturas italianas davam um toque especial no lugar. Beatrice estava pitada em uma cerâmica que ficava acima do teto, e foi então que Émie se viu completamente hipnotizada. Pela primeira vez vi seus olhos brilharem, como se estivesse vendo o paraíso.— Esse lugar é lindo! — seu tom de voz baixo e em tom de sussurro, deixou explícito o quanto ela realmente estava surpresa com tudo aquilo. — Sr. Williams, isso tudo é…— Amores fictícios podem criar vida, sabia? — na verdade eu não acredito em amores reais. Ao meu ver, é um sentimento que serve apenas para te levar ao fundo do poço de forma mais lenta e dolorosa. Com a sensação de como estivesse caindo de cima de um penhasco.— Não acredito no amor. Quais benefícios ele te trás a não ser ilusões e dores? — ela me olhou sem graça quando puxei a cadeira para que ela sentasse. — Obrigada!— Ao meu ver, o amor tem que ter limites. As pessoas o esbanjam como se fosse a coisa mais bela do mundo, e que, se é ofertado de forma errada, sem dúvidas não causará bons resultados. Veja a relação de uma mãe e um filho, ao seu ver, lhe falta amor?— Por favor, Sr. Williams não vamos entrar neste assunto agora. — às vezes eu deveria me castigar por certas coisas que falo.— Perdoe-me, Srta. Carter, não foi minha intenção. Eu…— Tudo bem. Falamos muitas coisas sem ser de nossa intenção!Encontros não era algo que eu sempre tivesse. Como professor, tive algumas reuniões com alguns alunos após a aula para reforçar algumas coisas, mas nada que passasse disso.Ela parecia não estar muito bem. Seus lábios estavam pálidos, sua pele arrepiada e ela continuava com o seu olhar perdido.— Tem alguma coisa que gostaria de dizer? Não quero parecer que estou forçando alguma coisa, mas, também quero conhecê-la e quem sabe nos tornamos amigos.— Oh, não queria que pensasse desta forma, não é nada disso. É só que… eu não tenho muito o que falar sobre mim, minha vida é uma monotonia. — seu jeito de falar era negativo, como se alguma coisa a incômodas bastante em silêncio. Suspirei e não desisti, esperei até que ela mudasse de ideia. — Bem… eu levanto todos os dias bem cedo, vou para o trabalho, às vezes faço até algumas horas extras e assim acabo passando o dia inteiro dentro daquela biblioteca. E é assim todos os dias.— Não sente vontade de fazer alguma coisa diferente? Não se sente presa ou limitada a tais coisas?— Sim, sinto que sou limitada a fazer as coisas que eu gosto. Mas nem todo mundo é igual, a maioria das pessoas apenas sonham mesmo.— Srta. Carter, sua forma de expressão é extremamente dolorosa e fria.Olhando pelo lado oposto, eu também não era muito diferente. Demonstração de sentimentos era algo difícil para mim ainda, desde os traumas que vivi no passado!— Gentil da sua parte em falar o que pensa sobre as pessoas. Eu particularmente não gosto, às vezes a pessoa pode ser assim por algum motivo, antes que pergunte, não tenho motivos e não me acho uma pessoa fria, Sr. Williams.Fiquei sem palavras e também não quis acabar com aquele momento. O garçom não demorou para trazer nossos pedidos e nem mesmo me importar com a hora. Émie parecia estar despreocupada, como se não se importasse com nada, embora sua mãe quase não me deixou vê-la. — Droga! — Praguejei ao ver que já se passavam das duas da manhã.— Você não teria horas para voltar para casa? — perguntei olhando sério, assim não iria parecer que eu estivesse brincando ou zoando. Seu suspiro pesado foi o suficiente para que eu percebesse o quão cansada aquela garota estava.— Felizmente não, afinal, qual diferença faria, já que quando eu chegar já irão estar dormindo, ou nem estarem em casa. Meus pais são problemáticos, e por isso quanto mais tempo longe de casa, melhor será para mim mesma.— E por que ainda não saiu?— Não é óbvio? Oras, não sair ainda porque não tenho dinheiro suficiente para me manter em uma casa sozinha, ao menos ainda não pago aluguel. Nem sei porque estamos tendo esta conversa, parece até que nos conhecemos há anos.Minhas suposições se confirmaram, ela é apenas uma alma que sentia necessidade de falar sobre suas dores com alguém, só não sei se isso irá ser bom. Além disso, parece que nós nos conhecemos mesmo a muito tempo, ela me olha como se me compreendesse mesmo que eu ainda não falasse nada.— Fico feliz que confiei em mim, se precisar de um amigo estou aqui. — toquei em sua mão e me senti feliz quando ela alisou minha mão também.— Obrigada, Sr. Williams, saiba que lembrei disso algum dia.— Por favor, me chame de Michael, afinal, a partir de hoje somos amigos.Estava tarde, e eu precisava descansar, teria que entregar um relatório de um aluno de manhã cedo, mas não queria lhe deixar ir e ela também não se importava com o horário.— Émie, se não se importa, a deixarei em sua casa e irei me despedir por hoje. Foi um prazer jantar com você, espero que aceite meus convites mais vezes.— Tudo bem, eu ficarei grata se fizer isso.Seguimos caminho até a sua casa, e não fui embora até que abrissem a porta, coisa que não aconteceu. Não poderia deixá-la ali sozinha, havia som ligado dentro da casa, um cheiro forte de maconha e as luzes todas apagadas. Senti muito por Émie ter que conviver em um ambiente tão deprimente como este. O vento estava forte, estava trovejando muito e ela insistia para que eu fosse embora, pois iriam abrir e ela iria entrar logo logo… mas vinte minutos se passaram e ninguém veio, ela então sentou e abaixou a cabeça.— Por favor, venha comigo, não acha horrível esse cheiro de maconha e essas luzes ridículas? Olhe para você, isso não é ambiente para se morar. Vai chover, não quero que fique na chuva, pode pegar uma virose ou algo pior. Por favor? — com um olhar triste ela segurou minha mão e levantou-se.— Tudo bem, mas saiba que eu irei retribuir o que está fazendo por mim, Michael. — finalmente ela estava confortável e admirava a paisagem enquanto estávamos indo para minha casa.Émie Carter: Betsy dava os últimos ajustes no seu vestido, enquanto Rick arrumava Mark e Zenith para entrarem juntos com ele e Betsy. A ansiedade tomava conta de meu corpo, me deixando mais nervosa do que eu jamais estive. Caminhava lentamente, descalça pela areia da praia, sentindo a vida parecer que era bela e perfeitamente naquele momento tão belo. Todos os meus amigos estavam ali, juntamente aos amigos de Michael que não era ninguém menos que professores, advogados e pessoas importantes. Parei ao lado de Michael e permaneci nervosa desde então. Não entrei acompanhada de ninguém, preferi ir sozinha até o altar e assim foi! — Você está linda! — Michael estava chorando, assim como Rick e Betsy. — Você está perfeito. — Sorri tímida e virando para frente, nos ajoelhando no momento seguinte diante o altar, para que começassem os votos. (...)Não era pra ser algo tão chamativo, mas Michael fez questão que tudo saísse conforme ele plenajeou com Betsy, enfim… estava sendo o dia mais f
Michael Willians: Após perguntar a várias pessoas onde o Bernardo morava, finalmente encontrei ele na porta, quando passava por uma rua com pouco movimento. — Onde ela está? — Perguntei aflito, supondo que ela estaria lá dentro.— Ela não disse pra onde iria, só foi embora e pronto. Mas tem um lugar que ela pode ter ido… — E onde fica esse lugar? — Levei as mãos na cabeça, buscando uma forma de encontrá-la o mais rápido possível. — A casa dos pais dela. Ela não saiu daqui com uma cara nada boa, mas já tava com uns papo de que queria vender aquela casa. Sabe onde é? — Sei! — Voltei correndo para o carro e dirigi o mais rápido até a casa onde já foi sua um dia. Bati na porta e ninguém respondeu, estava trancada por dentro. Mesmo com a janela coberta de poeira, era possível ver a bagunça que estava ali dentro. Com ajuda de um pedaço de ferro que tinha nos entulhos do lixo, quebrei a janela e pude ver seu corpo mole, com a cabeça encostada na mesa e… aquilo era sangue… Não foi mui
Émie Carter: — Você viu o que ele fez comigo? Eu pensei que ele estava sendo sincero e verdadeiro comigo. — Estava no carro de Bernardo, ao lado de Beatriz que me olhava com parecer e sem saber o que dizer. Além de Betsy, Beatriz e Bernardo eram meus únicos amigos. — Sei lá, Émie. Eu não quero dizer isso, mas acredito que ele não tenha te traído. Tudo isso deve ser um mal entendido. É melhor vocês dois conversarem depois, ele deve ter alguma coisa pra te dizer. — Com certeza ele tem! Ele sempre soube como me enganar, como mentia para mim e depois se desculpava e dava uma explicação idiota que somente eu era capaz de acreditar, antes de dar o fora novamente. — Suspirei com o peito apertado e cheio de dor. — Era melhor ele ter ido embora ou dito não amanhã no altar, seria menos doloroso. Tudo em mim doía. Minha cabeça estava parecendo que iria explodir de tanta dor, meu peito sentia uma imensa agonia e fadiga, enquanto meus pensamentos estavam embaralhados e confusos. Bernardo poder
Vésperas do casamento… Michael Willians: — A gente preparou tudo pra você essa noite, sabemos que você é pau mandado e vai obedecer a sua mulher até o fim… é por isso, que a gente preparou uma despedida de solteiro bem fodástica pra você hoje. — Israel falava em alto tom, na mesa onde estávamos reunidos com mais oito amigos nossos e Rick era um deles. — Eu tô fora! Não quero brigar com a minha mulher antes do casamento, ou melhor, não quero que ela desista por causa dessas invenções sem sentidos de despedidas. — Exclamei, deixando um monte deles desanimado e com a expressão de dó. — Além do mais, vocês não conhecem a Émie. Se ela e a Betsy sequer desconfiarem que a gente está tramando alguma coisa, elas vem no fato, bate em todos nós e ainda se divorcia de mim sem muita burocracia. — Fato! Émie e Besty juntas são Hiroshima e Nagasaki. — E quem disse que elas vão saber? Qual é? A gente vai fazer um negócio bem rápido e secreto, quem garante que elas não irão fazer o mesmo também?
Dois dias antes do CasamentoÉmie Carter:— O que você acha desse aqui? Realça meus seios e eu me sinto, sei lá, meio gostosa. — Escolhi três vestidos para, no final, escolher um. Michael estava em um evento importante para sua carreira, embora ele tenha dado um tempo, não há motivos para que ele não volte mais a dar aulas depois. Betsy estava comigo, me ajudando nos mínimos detalhes, enquanto aproveitava para desabafar seus problemas pessoais. — Você já é uma gostosa, eu sempre te disse. Mas, acho que esse azul combina mais com você, com seu cabelo e com seu eu. — Essa não é minha Betsy. — Segurei o vestido azul e a puxei até o caixa, fiz o pagamento e saímos da loja. — Quer me contar o que está acontecendo? — Acho que o Rick está me traindo. — Eu não era de duvidar de nada, mas não acho que Rick fosse capaz de trair Betsy depois de tudo que conquistaram juntos, apesar de que, não se deve confiar em ninguém. — O que você acha? A gente tem nos afastado um pouco nesses últimos temp
Michael Willians: Não posso imaginar um momento mais feliz que esse. Minha noiva está brincando com nosso filho, a quem ela adotou com toda sua alma. Besty feliz e minha mãe ao lado de Émie, já folheando revistas de vestido de casamento. — Eu não acredito que a senhora anda com isso na bolsa? Mamãe! — Quem estava surpreso era eu, mas ela sorriu e continuou o fazendo.— Mulheres sempre estão bem preparadas. — Ela respondeu e me deu uma piscadela, voltando a folhear a revista. Observava meu filho correndo pelo jardim da minha irmã. Meu pai conversando com Rick sobre seus netos e Betsy caminhava até mim, sem sorriso e séria desta vez. — Não sei como reagir a tudo isso. Não esperava que ela fosse me perdoar… — Ela se referia a Émie, que sorria feliz dando ouvidos a nossa mãe. — Qual foi a reação dela quando soube? — Na verdade, ela só soube duas semanas depois, quando veio a notícia que tinham assassinado seu pai. Mas em momento algum ela te culpou, ela não vai a hora de te ver novame







