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Capítulo 4

Author: Washing Wheat
— Srta. Sutton, ela parece estar resistindo ao sistema.

— Ela está se recusando a nos permitir extrair essa memória.

— Se recusando? — Repetiu Claire.

Seu rosto se obscureceu. Ela bateu a palma da mão no console.

— Rachel Vale, depois de tudo isso, você ainda está lutando contra mim?

— Quem vale a pena proteger com a própria vida? Ele é um estuprador!

Dez anos atrás, Claire me fizera a mesma pergunta, com a mesma voz.

Depois que a mensagem final de Lily foi encontrada, tornei-me o saco de pancada da fúria da cidade. Todos exigiam o nome do agressor.

No início, Claire se recusou a acreditar que eu pudesse protegê-lo. Sua dúvida levou menos de um dia para se transformar em acusação.

Ela era a única pessoa que sabia que eu havia fugido para uma caverna com Buddy.

Quando a cidade o matou, implorei para que parassem por aí. Então Claire pegou um pedaço de madeira e o desceu sobre a minha cabeça.

O sangue embaçou minha visão.

Ela me encarou com os olhos vermelhos e gritou:

— Rachel, nós crescemos juntas. Lily e eu tratamos você como uma irmã. O que nós éramos para você?

— Por causa de um estuprador, você jogou fora as pessoas que mais importavam?

Naquela noite, a cidade quase me espancou até a morte.

A mãe de Claire a arrastou para longe depois daquilo. Dois dias mais tarde, a família Sutton se mudou para o outro lado do estado e nunca mais voltou.

Agora, Claire estava diante de mim com o mesmo olhar congelado.

Ela ergueu a mão.

— Ampliem. Não me importo, façam o que for necessário.

O técnico hesitou.

— Srta. Sutton, o corpo dela está extremamente debilitado. Se ampliarmos a extração enquanto ela resiste com tanta força...

— Ela pode não sobreviver.

Claire riu friamente.

— Sobreviver?

— Passei anos construindo esta máquina para descobrir a verdade. A vida dela não é uma preocupação para mim.

— Pessoas como ela estão melhor mortas.

Tremendo, o técnico aumentou os parâmetros.

A máquina rugiu. As agulhas do capacete penetraram mais fundo.

A dor me despedaçou.

Sangue escorria pelo meu nariz, pelos meus ouvidos e pelos cantos dos meus olhos. Meu peito queimava como se alguém tivesse acendido um fogo dentro dele.

A voz do técnico tremia.

— Srta. Sutton... devemos continuar?

— Ela está quase morrendo.

Claire encarou a tela.

— Continuem.

A máquina emitiu um grito ainda mais alto.

Meus próprios gritos ecoaram pela praça.

Os olhos de Claire ficaram vermelhos. De repente, ela perdeu o controle e gritou:

— Rachel, quem é?

— Quem vale tudo isso?

Então ela desabou.

Ela se apoiou em meu ombro e chorou com tanta força que o corpo inteiro tremia.

— Nós éramos suas amigas. — Soluçou ela. — Nós éramos suas amigas.

Suas lágrimas caíram quentes sobre a minha mão.

Em algum lugar sob toda aquela dor, eu a ouvi.

Minha Claire estava chorando.

Por instinto, tentei erguer a mão e enxugar suas lágrimas.

Aquele único momento de fraqueza foi suficiente.

A memória que eu havia enterrado por dez anos explodiu na tela.

A multidão prendeu a respiração.

Claire se virou bruscamente.

Na tela, a chuva castigava a floresta.

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