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Capítulo 3

Autor: Washing Wheat
Naquele dia, voltei para casa cambaleando e me encolhi em um canto do meu quarto.

Eu batia no próprio peito repetidas vezes enquanto a dor do luto me dilacerava.

— Lily! — Gritava minha memória. — Por que você morreu? Por que nos deixou?

Na plataforma, meu eu atual permanecia sentado de olhos fechados, com lágrimas escorrendo pelo rosto.

A multidão começou a ficar inquieta.

— Esperem. Por que ela parece tão devastada?

— Se ela realmente protegeu o agressor, por que estaria chorando desse jeito?

O Sr. Warren rugiu por cima das vozes.

— Lágrimas de crocodilo!

Ele apontou para mim, tremendo de raiva.

— Minha esposa se ajoelhou diante da porta dela até abrir a própria testa, e Rachel não abriu!

— Ela colocou aquele cachorro em cima de nós! Como alguém assim poderia ser uma boa pessoa?

— Lily cresceu com ela, e foi assim que ela tratou a mãe de sua amiga morta!

Naquele momento, a Sra. Warren apareceu perto da frente da multidão, com os cabelos soltos e embaraçados, apertando uma boneca desgastada contra o peito.

— Lily é uma boa menina. — Murmurava ela. — Lily não está com medo. A mamãe está aqui.

A ira da multidão voltou a se inflamar.

A expressão de Claire se contorceu. Ela subiu correndo na plataforma e agarrou meus ombros, sacudindo-me com força.

— Olhe para eles, Rachel!

— Foi isso que o seu silêncio causou!

— Você não tinha pais. Lily e eu tivemos pena de você quando tinha sete anos e estava sozinha. Nós a tratamos como família, e foi assim que nos retribuiu?

Ela me deu um tapa no rosto.

— Você acha que essas memórias vão me amolecer? Lily está morta!

— E a pessoa que ajudou a matá-la foi você, Rachel Vale!

Seu ódio era intenso o suficiente para me despedaçar. Ainda assim, por baixo dele, eu via uma dor tão profunda que jamais havia cicatrizado.

A morte de Lily tinha sido uma ferida gigantesca para Claire. Mesmo depois que se tornou mais suave, tudo dentro dela permaneceu machucado e destruído.

Então Claire se endireitou. Ela enxugou as lágrimas com a base da mão, empurrando-as para cima, e sua tristeza voltou a se transformar em gelo.

— Rachel, escute bem. Eu não vou parar até encontrá-lo.

— E, quando isso acontecer, mandarei vocês dois para o inferno.

Ela ordenou aos técnicos que ampliassem o alcance da extração.

Eles ajustaram o console. O ponteiro vermelho do monitor disparou.

Dentro do capacete, as sondas penetraram mais fundo em meu crânio.

Eu gritei.

A corrente elétrica atravessou meu cérebro. Uma luz branca explodiu atrás dos meus olhos. Meu corpo se debatia contra as amarras até que as algemas de ferro cortaram minha pele.

Sangue escorreu pela linha do meu cabelo e pingou sobre a cadeira de metal.

A tela tremeluziu freneticamente.

Salas de aula. Riachos. Trilhas na montanha.

Memória após memória de Claire, Lily e eu juntas.

Mas não a noite em que Lily foi atacada.

A multidão se agitou.

— Por que aquela noite não está aparecendo?

— A mensagem de Lily não dizia que Rachel sabia quem era?

Claire se virou para o técnico.

— O que está acontecendo?

— Por que vocês não conseguem encontrar a memória com o agressor nela?

O técnico enxugou o suor da testa.

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