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Capítulo 4

Author: Washing Wheat
E eu? Não passava de uma trabalhadora comum, que saiu de uma cidade pequena, entrou na universidade e acabou ficando na grande cidade, presa ao ritmo exaustivo do trabalho.

Se existisse algum vínculo de vida ou morte entre nós, seria um absurdo!

Ao ver Lucas com o rosto fechado e aquela expressão irritada, quis fugir e sorri:

— Sr. Lucas, se não tem mais nada, vou indo. Tchau, não precisa me acompanhar.

Quando tentei abrir a porta para descer do carro, Lucas foi mais rápido e segurou meu braço:

— Antes de esclarecer as coisas, fique ao meu lado.

— Por quê? Sua namorada não vai se importar?

— Eu não... — Lucas estava prestes a deixar as palavras escaparem, mas logo corrigiu. — Ela está no exterior.

— Entendi, a amada está no exterior, clássico! — Um estalo passou pela minha mente. — Será que você, depois de beber, me confundiu com sua namorada e me deixou chegar perto? Agora faz sentido. Afinal, o que a gente poderia ter em comum? Estou bem mais tranquila agora.

Lucas, porém, continuava com a expressão carrancuda, dizendo:

— Cale a boca, você não se parece com ela. — E acrescentou. — E ela também não consegue chegar perto de mim.

— Como assim? Está dizendo que, quando está bêbado, nem sua amada consegue se aproximar de você? Então será que você a ama de verdade? Seu coração não é sincero, hein?

O rosto de Lucas ficou ainda mais fechado, cheio de desprezo:

— Você fala demais!

Balancei a mão:

— Não tem jeito, minha mãe ouviu comédias demais enquanto me carregava na barriga!

O segurança que acabou de se enfiar no banco do motorista riu da minha fala.

Lucas, porém, nem ao menos sorriu para mim. Pelo contrário, ele falou para o segurança:

— Transfira dinheiro para ela e manda ela calar a boca!

O segurança me transferiu dez mil reais.

Imediatamente fiz um gesto como se estivesse zipando a boca, satisfazer o cliente era obrigação de qualquer trabalhador dedicado.

Mas querer que eu morasse na mansão dele? Absolutamente não.

O carro parou no pátio da mansão e eu cruzei os braços:

— Eu não vou dormir com você, nem por dinheiro. Nós, garotas nascidas nos anos 2000, temos princípios.

Lucas desceu do carro e me lançou um olhar de total desaprovação:

— Vá sonhando! Você vai para o quarto de hóspedes, se considere uma empregada. A partir de agora, você será responsável por cuidar de mim quando eu estiver bêbado!

E foi assim que acabei morando na casa daquele jovem ricaço...

Bem, no quarto de hóspedes.

À força, sem negociação.

Esse bêbado dominador do Lucas, me obrigando a ser sua empregada pessoal!

Se não fossem os dez mil reais transferidos todos os dias, eu jamais teria aceitado!

...

Todos os dias eu só podia rezar, pedir aos céus e à terra para que a amada do Lucas voltasse logo ao país.

"Quando isso acontecer, finalmente vou poder recuperar minha liberdade, não é?"

Afinal, que mulher aceitaria ter uma empregada tão bonita morando na casa do seu homem?

Lá fora, corriam boatos de que Lucas havia feito algo inédito: ele trouxe uma garota misteriosa para morar em sua casa.

Cada vez que bebia demais, ligava para ela vir buscá-lo.

Falavam como se eu tivesse um lugar especial no coração de Lucas.

Eu trabalhava durante o dia e, à noite, ainda tinha que ser sua empregada. Era exaustivo!

Quando minha raiva já atingia níveis comparáveis a uma panela de pressão, sua amada finalmente voltou ao país.

Mas, ao chegar apressadamente à mansão e me ver sentada no sofá da sala comendo frutas importadas e caras, ela ficou visivelmente aterrorizada.

Eu estava sentada de pernas cruzadas, esperando que ela demonstrasse desprezo e tentasse me expulsar. Porém, para minha surpresa...

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