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Capítulo 2

Author: September
Quando a cerimônia teve início, eu fiquei a três passos de distância de Sophia e observei Luca manter os olhos fixos no rosto dela. Quando a mão dela tremeu ao segurar o buquê, ele a tomou entre as suas e passou o polegar devagar sobre os nós dos dedos.

Uma vez, no campo de tiro subterrâneo da família Bellandi, eu disparei uma arma pela primeira vez e quase a deixei cair quando o recuo sacudiu o meu pulso. Naquela ocasião, Luca segurou a minha mão exatamente da mesma forma e sussurrou:

— Não tenha medo. Estou aqui com você.

Ele continuava o mesmo: atencioso, ainda sabia como segurar alguém como se aquela pessoa fosse algo precioso.

Só que agora não fazia mais isso por mim.

— Aceita Sophia Rossetti como sua legítima esposa — perguntou o padre —, para estar ao lado dela nos momentos de glória e nos de adversidade, acompanhando tanto a ascensão quanto a queda de ambas as famílias?

Luca fez uma breve pausa. O olhar dele deslizou na minha direção por menos de um segundo, e, naquele instante, pareceu que tudo ao nosso redor dentro da igreja havia desaparecido. Havia dor nos seus olhos, mas a expressão se desfez antes que eu pudesse ter certeza do que tinha visto.

— Aceito — respondeu ele.

Sophia começou a chorar. A igreja inteira irrompeu em aplausos. Eu também bati palmas, bem baixinho, pois Sophia parecia radiante e, além disso, não sabia mais o que fazer com as minhas próprias mãos.

Algumas pessoas olharam para trás, como se esperassem que eu desabasse ali mesmo. Tive vontade de perguntar por que ele só conseguia olhar para mim quando ninguém mais estava vendo.

Mas não disse nada. A garganta estava tão apertada que eu não conseguiria falar sem fazer uma cena.

A festa de recepção foi realizada em um hotel da família Rossetti, às margens do lago. Antes do jantar, Anthony, o braço direito de Luca, parou ao meu lado, perto da porta do salão principal. Baixou a cabeça, com um ar quase envergonhado.

— Senhorita Vane, o senhor Bellandi pediu para avisar que, se não estiver se sentindo bem, pode ir descansar.

Olhei bem nos olhos dele.

— Ele mandou você me dizer que devo ir embora?

Anthony não respondeu.

Claro que não responderia.

Peguei o celular e enviei uma mensagem para Luca:

[Você me viu. Sabe muito bem quem eu sou.]

A resposta chegou quase no mesmo instante:

[Volte para casa, Elena. Não torne essa situação mais difícil do que já é.]

Mais difícil para quem? Fiquei encarando aquelas palavras até que elas começaram a ficar embaçadas diante dos meus olhos. Do outro lado do salão, Sophia dançava nos braços dele, na primeira valsa do casal. Ela se ergueu na ponta dos pés para sussurrar algo no ouvido de Luca, que inclinou a cabeça para ouvi-la melhor. A mão dele repousava na cintura dela com uma naturalidade que só o costume cria.

Por um instante, senti que ia vomitar.

Foi então que Sophia me viu e acenou, com um sorriso aberto e inocente. Fez um gesto com os lábios, perguntando: Você está bem?

Eu apenas balancei a cabeça em sinal de confirmação, pois não conseguia odiá-la. Ainda não. Não quando ela me olhava com a mesma preocupação que tinha demonstrado todos aqueles anos, quando me ajudou a me manter de pé.

Saí do local antes mesmo de cortarem o bolo.

Chegando em casa, sentei-me no chão da cobertura com vista para o lago, ainda vestida de dama de honra, e tentei respirar. Aquele era o apartamento que eu e Luca tínhamos escolhido juntos, antes do nosso casamento. Os copos de cristal, os discos e o casaco dele ainda estavam exatamente no mesmo lugar onde ele os deixou.

Durante cinco anos, eu vivi convivendo com a ausência dele, como se a minha lealdade sozinha pudesse aquecer aquele ambiente vazio.

E agora ele estava vivo, casado e me tratando como se eu fosse um problema.

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