LOGINDepois do jantar, em uma noite tranquila, Kael sugeriu um passeio pelo jardim suspenso.Ele ficava no topo da torre mais alta do castelo, o lugar favorito do meu pai. Mesmo no inverno, algumas plantas resistentes à geada ainda floresciam ali.Um floco de neve pousou na minha bochecha. Kael, naturalmente, estendeu a mão e enxugou a umidade. O gesto foi tão natural como se fôssemos um casal ligado há anos. A mão dele era quente, e eu me inclinei levemente ao seu toque.— Kael… — murmurei seu nome.Uma emoção profunda passou por seus olhos, e ele se aproximou ainda mais de mim. Uma tensão delicada tomou o ar. Eu podia ouvir meu próprio coração batendo.Foi então que passos ecoaram na entrada do jardim.Kael e eu nos afastamos rapidamente e nos viramos.Quando vi a figura familiar, a atmosfera acolhedora se desfez.— Mortlock — eu disse, com a voz fria como gelo.Ele parecia pálido e abatido, completamente destruído.— Grace. Tenho algo importante para te dizer.Kael se moveu in
Virei as costas para a dor desesperada nos olhos de Mortlock.Sua dor, seu arrependimento — já não eram mais meu fardo.O barulho do Baile do Solstício de Inverno foi ficando para trás. Ao sair do Castelo Versta, eu sabia que, desta vez, nunca mais voltaria.Já era tarde quando retornei ao antigo castelo dos Vance. Eu já havia dispensado os servos da família há muito tempo; agora, era a única pessoa ali.Fui até o escritório e espalhei os tesouros que havia coletado nas Ruínas de Aethel. Eram valiosos o suficiente para garantir uma vida confortável em qualquer lugar do mundo. Mas, ao olhar para eles, senti um vazio profundo.Riqueza, poder, independência — eu tinha tudo o que um dia desejei. Então por que ainda me sentia tão sozinha?Sentei-me na grande poltrona do meu pai, observando o espaço ao meu redor, ao mesmo tempo familiar e estranho.Enquanto estava perdida em pensamentos, uma batida suave veio da porta.A porta se abriu, e uma figura familiar entrou.— Kael? — levant
O Baile do Solstício de Inverno é o evento mais importante do calendário vampírico. Mesmo tendo deixado minha antiga vida para trás, a tradição exigia que eu retornasse à capital para a cerimônia.Os portões do Castelo Versta continuavam tão imponentes quanto sempre, mas, ao entrar no salão familiar, percebi que algo estava errado. Todos falavam em voz baixa, e o ar estava carregado de tensão.— Lady Grace.Uma voz familiar me deteve.Era Marcus, o velho mordomo do castelo. Seu rosto, normalmente impassível, estava marcado pela preocupação.— Marcus, o que aconteceu? — perguntei.Ele suspirou.— Isabella… deu ao príncipe um elixir proibido.— O quê? — mal consegui acreditar.— Abraço da Lua.Era uma das poções proibidas mais antigas e perigosas, conhecida por aprofundar à força o vínculo de sangue até que duas vidas ficassem irrevogavelmente entrelaçadas. Mas os efeitos colaterais eram catastróficos.— O poder de Sua Alteza está diminuindo — disse Marcus, balançando a cabeça
Eu estava organizando o que havia coletado na entrada das Ruínas de Aethel — alguns pergaminhos raros que me deixavam um passo mais perto de reconstruir a Casa Vance.— Grace!Mortlock. De novo.Nem levantei o olhar enquanto me preparava para sair.— Achei que tinha sido clara, Mortlock. Não temos nada para conversar.— Não, nós precisamos conversar — a voz dele estava mais firme do que antes, carregada de uma obsessão quase frenética. — Trouxe alguém comigo hoje. Ela vai me ajudar a provar tudo.Isso me fez erguer os olhos.Mortlock estava a alguns passos de distância. Ao lado dele, de cabeça baixa, estava Isabella. O rosto dela estava pálido como a morte. Mortlock segurava sua mão com tanta força que sua postura rígida deixava claro que ela havia sido arrastada até ali contra a própria vontade. Ele ainda havia trazido alguns jovens herdeiros da Casa Versta, como se quisesse provar algo diante de uma plateia.— O que você está fazendo? — franzi a testa.Mortlock avançou até m
Nas profundezas sombrias das Ruínas de Aethel, minha lâmina atravessou o último espectro. Seu fogo azul fantasmagórico se dissipou no ar.Um mês disso me refez por completo.As cicatrizes do veneno de prata haviam desaparecido, substituídas por uma sensação de poder que eu nunca havia conhecido. Cada luta, cada encontro com a morte, me aproximou de quem eu realmente sou.Eu estava prestes a avançar ainda mais pelas ruínas quando uma voz familiar chamou atrás de mim.— Grace!Meu corpo ficou rígido.Virei-me lentamente. Mortlock emergia das sombras na entrada das ruínas, sua capa negra agitada pelo vento noturno. Seu rosto bonito era uma máscara de fúria e confusão.— Por que você fez isso? — exigiu ele, avançando em minha direção, com os olhos ardendo de raiva. — Por que escreveu o nome de Isabella no vínculo de sangue? Por que mentiu para mim?— Mentir para você? — soltei uma risada curta e amarga. — Não é isso que você queria? Agora Isabella é sua companheira ligada. Vocês po
Acordei três dias depois.Minha regeneração vampírica havia eliminado o veneno de prata, mas o ferimento ainda doía. Estava deitada na minha própria cama. Por uma fresta nas cortinas, conseguia ver a noite profunda lá fora.Minha criada, Mira, estava ao meu lado. Ao me ver acordar, ela se levantou num pulo.— Minha senhora! A senhora finalmente acordou! Vou avisar ao príncipe imediatamente!— Não — eu a interrompi com a voz rouca. — Onde ele está?— O príncipe esteve com Lady Isabella nesses últimos três dias — disse Mira com cuidado. — Ela ficou muito assustada e está com febre alta desde então.Fechei os olhos, sentindo um gosto amargo na boca.Exatamente como eu esperava.Mesmo quando fui envenenada e minha vida estava em risco, Isabella ainda era tudo o que importava para ele.— Gostaria de descansar — falei suavemente.Mira assentiu. Quando estava prestes a sair, alguém bateu à porta.— Grace?Era Mortlock.— Ouvi dizer que você acordou. Você está bem?Mira foi abrir