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Capítulo 5

Penulis: Suely
No dia em que minha mãe receberia alta, desci por alguns minutos.

Quando voltei, ouvi gritos vindos do quarto antes mesmo de chegar à porta.

Acelerei o passo.

Juliana estava ajoelhada ao lado da cama, curvada, pedindo perdão sem parar.

— Me desculpa, tia. Fui eu que machuquei a Carol e destruí o relacionamento dos dois.

Ela chorava tanto que mal conseguia respirar.

— Eu não tenho vergonha na cara. Fui eu que seduzi o Gabriel. Pode me bater, pode me xingar. Eu mereço!

Entre soluços, continuou:

— Mas não se preocupa. Eu vou embora por conta própria. Vou devolver a felicidade da Carol para ela!

Minha mãe mal tinha se recuperado e já precisava lidar com mais aquele choque.

Tomada pela raiva, apontou para Juliana e tentou se levantar.

— Cala a boca! Eu nunca vou deixar a Carol ficar com um canalha desses!

Mas, assim que tentou dar um passo, suas pernas cederam.

Ela caiu no chão, levando a mão ao peito e lutando para respirar.

— Tia! Tia, o que aconteceu?!

Juliana correu para ajudá-la, mas eu a empurrei para longe.

— O que você está fazendo?!

Ela recuou, assustada.

— Carol... Eu... Eu só vim pedir desculpas para sua mãe.

Apertei o botão de emergência e ajudei minha mãe a voltar para a cama.

Com os olhos vermelhos, Juliana estendeu a mão para me segurar.

— Carol, deixa eu explicar...

Não deixei.

Acertei um tapa com toda a força em seu rosto.

A cabeça dela virou para o lado, e as marcas dos meus dedos surgiram quase imediatamente em sua pele.

Eu a encarei, consumida pela raiva.

— Não bastou roubar meu namorado? Agora você também quer matar minha mãe?

Minha voz tremia.

— Juliana, como você consegue ser tão cruel?

Agarrei seu braço e comecei a arrastá-la para fora do quarto.

Foi então que Gabriel apareceu na porta.

Seu olhar foi direto para o rosto inchado de Juliana.

A reação foi imediata.

— Você enlouqueceu?! Ela é sua melhor amiga!

Antes que eu pudesse responder, Gabriel me empurrou com força e puxou Juliana para os braços.

— Você está bem? Está doendo?

Fui arremessada para trás.

Meu corpo bateu violentamente contra o suporte de soro, e um dos ganchos se cravou nas minhas costas.

A dor explodiu de uma vez, tão intensa que minhas pernas quase cederam.

Comecei a tremer.

Em poucos segundos, o sangue atravessou minha roupa e começou a pingar no chão.

Minha mãe arregalou os olhos.

Abriu a boca, desesperada, mas não conseguiu emitir nenhum som.

Então perdeu os sentidos.

— Mãe!

A dor nas costas deixou de importar.

Saí cambaleando para o corredor, gritando por um médico.

Gabriel ficou imóvel.

Quando finalmente pareceu perceber o estado em que eu estava, vi preocupação em seu rosto pela primeira vez.

Juliana se abaixou e tentou me ajudar a levantar.

— Não encosta em mim!

Minha voz ecoou pelo corredor.

— Some daqui! Para de fingir!

A expressão de Gabriel se fechou.

Sem dizer mais nada, segurou a mão de Juliana e a puxou consigo.

— Já que ela não quer ajuda, deixa que se vire sozinha.

Apertou a mão dela.

— Primeiro vou levar você para cuidar desse ferimento.

Fiquei olhando os dois se afastarem sem sequer voltar a cabeça.

E, naquele instante, o pouco que ainda restava dentro de mim morreu de vez.

Horas depois, quando a luz da sala de emergência finalmente se apagou, o médico veio falar comigo.

Minha mãe tinha sofrido um infarto.

Apesar de todas as tentativas de reanimação, não resistira.

Minhas pernas perderam a força.

Desabei no chão.

Chorei até meu corpo inteiro doer, até o ar faltar nos pulmões.

A última pessoa neste mundo que realmente me amava também tinha ido embora.

Três dias depois, após enterrar minha mãe, peguei minha mala e chamei um carro para o aeroporto.

Durante aqueles três dias, Gabriel e Juliana me mandaram mais de cem mensagens e fizeram dezenas de ligações.

Não respondi a nenhuma.

Só quando o avião atravessou as nuvens e a luz quente do sol entrou pela janela peguei o celular novamente.

A foto de nós três ainda estava na tela.

Fiquei olhando para ela por alguns segundos.

Três pessoas sorrindo.

Como se nada pudesse nos separar.

Como se aquela felicidade tivesse sido real.

Então murmurei:

— Adeus.

Apaguei a foto.

E, junto com ela, deixei para trás a última lembrança que ainda me prendia àquela vida.

Dali em diante, nossos caminhos não voltariam a se cruzar.

Haveria distância suficiente entre nós para transformar tudo aquilo em passado.

Era hora de seguir em frente.

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