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A Centésima Traição Foi a Última

A Centésima Traição Foi a Última

Oleh:  LotusTamat
Bahasa: Portuguese
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No dia do nosso décimo aniversário de casamento, o meu marido, Luciano Frota, passou pela porta abraçado à sua centésima amante. Sem o menor pudor, ele arrancou do meu pescoço o colar que simbolizava o nosso compromisso e o colocou nela. Em meio às gargalhadas dos convidados, a garota puxou o tecido do meu vestido de gala com uma timidez fingida e disse: — Iara, o Sr. Luciano disse que quer que eu use este vestido agora. Aquela peça era, na verdade, o meu vestido de noiva de dez anos atrás, redesenhado para a ocasião. Eu fiz questão de usá-lo hoje na esperança tola de que ele se lembraria do seu significado. Em vez disso, ele exigia que a sua esposa se despisse em público para agradar a outra mulher. Sob os olhares carregados de desprezo de todos ao redor, abri o meu primeiro sorriso sincero em uma década e anunciei: — Luciano, vamos nos divorciar.

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Bab 1

Capítulo 1

Assim que o meu marido trouxe a sua centésima amante para casa no dia do nosso aniversário de casamento, eu o encarei com serenidade.

— Luciano, vamos nos divorciar. — Declarei, sem alterar o tom de voz.

O silêncio que se seguiu durou apenas um instante, logo engolido por uma explosão de gargalhadas, como se eu tivesse acabado de contar a melhor piada do ano.

— O que é isso, senhor Luciano? Já perdemos as contas de quantas vezes a sua esposa fez essa cena! — Zombou um dos convidados, erguendo a taça.

— Será que ela atingiu a meta de cem pedidos de divórcio? Acho que devíamos dar uma festa para comemorar! — Emendou outro, arrancando mais risos.

O olhar de Luciano, antes frio, transformou-se em puro desprezo. Ele deu um passo na minha direção e agarrou o meu queixo com uma força brutal, quase quebrando o meu osso.

— Divórcio? — Ele soltou um riso anasalado, cheio de escárnio. — Iara, você não se cansa de encenar esse mesmo drama há dez anos? Uma mulher que mandou a própria mãe a me dopar para conseguir ir para a minha cama não tem o direito de exigir nada. Se não fosse pelo meu dinheiro, já tinham desligado os aparelhos da sua mãe há muito tempo!

Lá estava aquela velha acusação de novo. Uma década inteira havia se passado, mas ele continuava com a certeza absoluta de que eu e a minha mãe havíamos armado um golpe para separá-lo do seu primeiro e grande amor, Viviana Lima.

Como eu não respondi, ele interpretou o meu silêncio como confissão de culpa, soltando o meu rosto com um empurrão.

Ao lado dele, Felícia Costa, uma jovem que era a cópia fiel de Viviana, apressou-se em entregar um lenço de seda para ele. Luciano esfregou os dedos com força, como se quisesse limpar a sujeira que eu havia deixado na sua pele.

— A Felícia está exausta e precisa do melhor quarto da casa. Além disso, providencie roupas adequadas para ela. — Ordenou ele, sem sequer olhar para mim.

— Tudo bem. — Respondi, mantendo a voz monótona. — O quarto de hóspedes ao lado da suíte principal serve? Foi lá que as outras noventa e nove ficaram.

As sobrancelhas de Luciano se juntaram em uma expressão de desgosto que eu conhecia muito bem. Sempre que eu saía do roteiro de desespero que ele esperava, aquela mesma cara de aversão surgia, como se pensasse que eu estava apenas fingindo não me importar.

Ele puxou a garota pela cintura, ignorando a minha provocação.

— Faça como quiser, desde que a Felícia fique confortável. Ela não trouxe roupas boas, então pode pegar aquelas peças de grife que você nunca usou e o conjunto de diamantes azuis que está no seu porta-joias.

Ele fez uma pausa, e o seu olhar desceu para o vestido que eu usava, carregado de uma malícia cruel.

— E tire esse vestido agora mesmo. A Felícia gostou do modelo.

As risadas no salão cessaram de imediato. Exigir as minhas roupas e joias já era uma humilhação tremenda, mas me obrigar a tirar uma peça com tanto valor sentimental na frente de todos era o mesmo que esfregar a minha dignidade na lama.

Felícia entrou na brincadeira, mordendo os lábios com uma expressão de desejo e timidez, enquanto os seus dedos roçavam a barra da minha saia.

— Claro, sem problemas. — Concordei sem hesitar, levando as mãos às alças do vestido.

O som do tecido de seda rasgando ecoou alto pelo salão. Antes que os convidados pudessem soltar exclamações de choque, os meus dedos já estavam no fecho das costas.

— Já chega! — Berrou Luciano, agarrando o meu pulso com violência. — Você perdeu o resto de vergonha na cara que tinha, Iara? Suma daqui e vá se trocar!

Ele me empurrou com tanta força que perdi o equilíbrio e bati contra a torre de taças de champanhe logo atrás de mim. O líquido gelado se misturou aos cacos de vidro que rasgaram a minha pele, provocando uma ardência insuportável. Fechei os olhos por um segundo, e quando os abri, não havia mais nada além de um vazio absoluto dentro de mim.

— Está bem. — Murmurei.

Como eu já esperava, os sussurros maldosos começaram a se espalhar entre os convidados engravatados.

— Ela não tem amor-próprio nenhum quando o assunto é dinheiro. E ainda tem a coragem de falar em divórcio!

— Senhora Frota? Essa aí tem menos moral do que os empregados da casa.

— Fiquei sabendo que a mãe dela vive doente e é o senhor Luciano quem banca todos os tratamentos. Não é à toa que ela engole tanto sapo.

Cada palavra sussurrada cortava os meus ouvidos como lâminas afiadas. O que ninguém sabia era que, de fato, aquela era a centésima vez que eu pedia a separação. No entanto, era a primeira vez que o saldo da minha conta bancária dava para levar a minha mãe para longe daquele inferno.

No meio da madrugada, sons abafados e gemidos começaram a vazar da suíte principal. Eu estava parada em frente à porta, cumprindo mais uma das regras doentias de Luciano. Sempre que uma amante nova não sabia como agradá-lo, era o meu dever ir até lá e ensinar. Eu havia feito isso com todas as noventa e nove mulheres anteriores.

— A sua cintura é tão macia, Felícia. — Elogiou Luciano, com a voz carregada de prazer, antes de gritar para fora. — Iara, pegue a caixa de preservativos na gaveta do closet e traga aqui!

Com as mãos e os pés congelados, empurrei a porta e caminhei em linha reta até o armário, sem desviar o olhar.

Felícia vestia a minha camisola de seda favorita e sorria para mim em tom de desafio, enquanto Luciano fumava recostado na cabeceira da cama, observando a cena com diversão.

Abri a gaveta, encontrei a caixa que ele havia pedido e estiquei a mão, conformada com a minha humilhação.

Foi então que o celular no bolso do meu roupão começou a vibrar de forma desesperada. O brilho da tela iluminou o ambiente escuro, exibindo as palavras "Hospital Santa Maria, Chamada de Emergência".

Um calafrio subiu pelos meus pés e paralisou a minha espinha. Com as mãos trêmulas, atendi a ligação.

— Senhora Iara, venha para o hospital agora mesmo! — A voz do outro lado da linha soava apavorada. — A sua mãe entrou em falência múltipla de órgãos. Já administramos adrenalina três vezes, mas ela não está respondendo.

— Mãe! — Gritei, sentindo o meu coração parar.

Esquecendo qualquer resquício de orgulho, me joguei de joelhos no chão e agarrei a ponta do lençol de Luciano, implorando por ajuda.

— Luciano, por favor, pede para o motorista me levar ao hospital! É a minha mãe, os médicos disseram que ela não vai resistir! — As palavras saíam atropeladas, misturadas com lágrimas de pânico que faziam o meu corpo inteiro tremer.

— Ah, é mesmo? A despedida final? — Ele puxou o tecido da minha mão, rindo com desprezo. — Você está cada vez mais criativa, Iara. De tarde faz o teatro do divórcio e de madrugada apela para o drama familiar? Você tem tanta necessidade de chamar a minha atenção que é capaz de rogar praga para a própria mãe?

— É verdade, eu juro! Pega o telefone e ouve! — Tentei me levantar, agarrando o aparelho que ainda vibrava no chão. — Eu te imploro, Luciano, me dá pelo menos a chave de um dos carros!

Assustada com o meu desespero, Felícia se encolheu e buscou refúgio nos braços dele. Luciano acariciou as costas da garota para acalmá-la e voltou a me encarar, transbordando repulsa.

— Já chega de escândalo. Você veio aqui só para estragar a minha noite, não foi? Você me dá nojo. Luiz! — Gritou ele, chamando o mordomo, que apareceu correndo no quarto. — Leve essa mulher para o porão e tranque a porta para ela aprender a se comportar. Ninguém tem permissão para soltá-la até que eu mande!

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