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Capítulo 8: O Ritmo do Coração

Author: Aurora Drich
last update publish date: 2026-02-02 20:00:46

​Três meses haviam se passado desde que o contrato de Alice fora assinado, e a mansão Albuquerque já não parecia o mesmo mausoléu de mármore de antes. Havia flores frescas nos vasos, o som de risadas infantis ecoava com mais frequência e, o mais notável, o CEO de ferro parecia estar, lentamente, derretendo.

​Heitor desceu as escadas naquela manhã de quarta-feira e parou por um instante para observar a cena na sala de jantar. Léo estava sentado à mesa, tentando usar o garfo soz
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    ​A madrugada de 14 de maio em São Paulo estava excepcionalmente fria, mas dentro da mansão Albuquerque, a atmosfera estava carregada de uma eletricidade quente. Alice estava na 39ª semana de gestação. O quarto de Liam, posicionado estrategicamente entre o de Léo e o de Luna, estava pronto há semanas. Os móveis de carvalho claro exalavam um perfume suave de madeira nova, e o papel de parede de constelações brilhava discretamente sob a luz do abajur, criando um cenário de sonhos para o novo herdeiro. Cada manta de cashmere e cada pelúcia haviam sido cuidadosamente posicionadas por Isabela e Selma, esperando apenas pelo seu dono.​Por volta das três da manhã, o silêncio da suíte principal foi quebrado por um suspiro profundo de Alice. Ela sentiu a primeira contração verdadeira — não era como os alarmes falsos das semanas anteriores; era uma onda de pressão que nascia na base das costas e abraçava seu ventre com uma força inegável. Ela se sentou na cama, respirando pausadamente

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    ​Um ano havia se passado desde que os sinos da capela na mansão Albuquerque tocaram para anunciar o "sim" de Heitor e Alice. O tempo, que outrora parecia um inimigo cruel para ambos, agora corria com uma suavidade doce, preenchido por risos infantis e o som constante de novos projetos. ​A mansão não era mais apenas um monumento à riqueza; era um lar vivo. Alice, agora Sra. Albuquerque, não apenas se adaptara ao seu papel, como o transformara. Ela era a força por trás do Instituto Marina Santos, que em doze meses havia se tornado uma referência nacional no apoio a mães em situação de vulnerabilidade e no tratamento de doenças raras infantis. ​O Florescer do Instituto ​Naquela manhã de terça-feira, Alice caminhava pelos corredores da sede do Instituto, localizada em um prédio restaurado no centro de São Paulo. O ambiente era o oposto da frieza hospitalar: as paredes eram pintadas em tons pastéis, havia áreas de recreação coloridas e o cheiro de café fresc

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    ​O sol começou a se despedir no horizonte de São Paulo, tingindo o céu com camadas de ouro, lavanda e um rosa profundo que parecia refletir a paleta de cores escolhida para aquela tarde. Na mansão Albuquerque, o ar não estava apenas carregado com o perfume inebriante de milhares de gardênias e peônias brancas; havia uma eletricidade vibrante, um sentimento de que o tempo estava se dobrando para honrar um momento de justiça poética. O que antes era uma casa de mármore e silêncios pesados, agora pulsava como um coração vivo. ​O Despertar e a Transformação de Alice ​Alice acordou antes mesmo que a primeira equipe de apoio chegasse. O silêncio da manhã na suíte era quebrado apenas pela respiração rítmica de Luna, que completaria dois anos no próximo mês e insistira em dormir no "quarto da mamãe" naquela noite. Heitor, seguindo a tradição de Isabela de que os noivos não deveriam se ver desde o jantar da noite anterior, havia se retirado para a suíte de hóspedes na ala

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    ​A manhã seguinte ao aniversário de Léo não trouxe apenas a ressaca doce de uma festa bem-sucedida, mas uma determinação renovada nos olhos de Heitor. O pedido do filho — o simples e profundo "posso te chamar de mãe?" — havia sido o catalisador final. Heitor não queria mais apenas um compromisso emocional; ele queria que a segurança de Alice e das crianças fosse blindada por todos os ângulos possíveis. ​No escritório da mansão, o Dr. Vargas já aguardava com uma pasta de couro recheada de documentos. O advogado, sempre impecável e pragmático, tinha uma expressão séria. Ele sabia que o que Heitor pedia não era apenas uma formalidade, mas uma batalha jurídica de alta voltagem. ​— Heitor, Alice, sentem-se — começou Vargas, espalhando os papéis sobre a mesa de mogno. — O pedido do Léo ontem foi emocionante, mas para que isso se torne realidade no papel, precisamos falar sobre a Destituição do Poder Familiar da Letícia. ​Alice sentiu um frio na espinha. — Iss

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