LOGINPonto de vista: EronQuando Soren entrou para formalizar o depoimento que até então existia apenas em conversas protegidas e registros preliminares, eu já sabia que qualquer palavra dita naquela sala precisaria sobreviver não apenas à investigação, mas também às casas que esperavam o primeiro exagero para transformar toda a cadeia em perseguição política contra Rael.Theron permaneceu próximo à mesa enquanto Josh controlava a entrada de documentos e testemunhas, e Lira ocupava uma cadeira mais afastada sem interferir, embora eu percebesse pela atenção dela que o ataque contra Ofélia havia tornado impossível tratar aqueles nomes como peças abstratas de uma disputa administrativa.“Quero que repita exatamente aquilo que consegue sustentar sob registro formal, sem acrescentar conclusões sobre Rael, Cassian ou qualquer pessoa que não tenha ouvido diretamente, porque a utilidade do seu depoimento depende justamente de não tentar provar mais do que realmente sabe.”Soren assentiu enquanto m
Ponto de vista: EronO beijo de Lira não pediu permissão e não ofereceu consolo. Veio com dentes, com a mesma teimosia com que ela carregava culpa que não lhe pertencia, e eu respondi na mesma moeda porque o lobo já estava rastejando sob a pele, faminto por algo que não fosse estratégia nem proteção. A boca dela sabia a raiva contida e a escolha perigosa que ela acabara de admitir. Eu segurei a cintura dela com as duas mãos e a puxei para o meu colo de uma vez, a cadeira rangendo sob o impacto, as pernas dela abrindo-se ao redor dos meus quadris como se aquele lugar fosse o único que ainda fazia sentido.Ela mordeu meu lábio até o gosto metálico aparecer e puxou meu cabelo para trás, forçando-me a olhar para cima.“Se você tentar me tratar como vidro agora, eu saio”, avisou, a voz rouca, o peito subindo rápido demais. “Eu não vim aqui para ser poupada. Vim para esquecer que Ofélia sangrou por causa da minha mãe e que metade dessa porra ainda parece minha culpa.”“Então usa”, respondi,
Ponto de vista: EronLira não chorou quando voltou da casa de Ofélia, e talvez por isso eu tenha entendido tão rápido o que estava acontecendo, porque o silêncio dela não tinha a estabilidade de quem conseguira organizar o que sentia, mas aquela rigidez antiga de quem começava a transformar a violência de outras pessoas numa culpa que caberia melhor dentro do próprio corpo.Ela permaneceu diante da janela do meu gabinete enquanto Josh terminava de atualizar a segurança ao redor de Ofélia, e eu esperei até que estivéssemos sozinhos antes de me aproximar, porque qualquer tentativa de arrancar uma resposta enquanto havia testemunhas provavelmente faria Lira vestir sarcasmo suficiente para esconder exatamente aquilo que eu precisava que ela não escondesse de mim.“Você está há quase uma hora tentando encontrar uma maneira de fazer o ataque contra Ofélia terminar sendo responsabilidade sua, e eu gostaria que me poupasse do trabalho de ouvir a versão em que procurar respostas sobre sua próp
Ponto de vista: LiraQuando cheguei à casa de Ofélia e encontrei a porta lateral aberta, uma cadeira caída perto da parede e uma faixa escura de sangue marcando a madeira junto ao corredor, qualquer esperança de que aquela visita tivesse terminado em alguma explicação simples morreu antes que eu conseguisse chamar pelo nome dela.Ofélia estava consciente quando a encontrei, embora permanecesse deitada onde uma vizinha a havia ajudado depois de ouvir ruído durante a madrugada, com um pano pressionado contra o ferimento na cabeça e uma irritação quase ofensiva diante da ideia de que alguém pudesse tratá-la como mulher frágil apenas porque mal conseguia se levantar sem sentir tontura.“Se você tentar me dizer que está bem enquanto existe sangue seco no seu cabelo e metade da sua casa parece ter sido atravessada por uma tempestade com preferência por papel velho, eu vou considerar isso uma provocação pessoal.”Ela tentou sorrir, mas a expressão se desfez antes de completar o gesto.“Eu es
Ponto de vista: InesEu soube que Lira havia voltado à casa de Ofélia antes que alguém considerasse aquela visita importante o suficiente para mencioná-la numa reunião, porque pessoas acostumadas a observar movimentos dentro de uma residência aprendiam cedo que as conversas mais perigosas raramente aconteciam diante de conselhos, guardas ou testemunhas preparadas para lembrar cada palavra depois.A informação veio acompanhada de poucos detalhes, embora nenhum deles me tranquilizasse, já que Lira permanecera tempo suficiente para que aquilo não parecesse uma visita sentimental e saíra carregando papéis que não possuía quando chegara.Quando contei a Rael, ele deixou o documento que estava lendo sobre a mesa e demorou alguns segundos antes de responder, enquanto a tensão no rosto dele dizia que também compreendia quanto as perguntas recentes haviam começado a se aproximar de coisas que já não podíamos controlar apenas com rumores.“Se Ofélia ainda conserva materiais de Luara e continua
Ponto de vista: AnaO beijo não veio como recompensa nem como consolo. Eu fechei a distância porque queria senti-lo sem a sombra de Ines, sem a mesa de negociação e sem a mentira pública grudada na pele dele. A boca de Theron respondeu na mesma hora, quente, faminta, com aquela pressão controlada que sempre traía o quanto ele continha o corpo quando o mundo estava olhando. Desta vez ninguém estava. Eu mordei o lábio inferior dele com força suficiente para arrancar um som baixo da garganta, e as mãos dele finalmente desceram para a minha cintura, puxando-me contra o peito sólido como se tivesse esperado a noite inteira para parar de fingir distância.O gosto dele era de irritação contida e desejo antigo. Eu empurrei o casaco dos ombros dele sem delicadeza, os dedos já trabalhando nos botões da camisa enquanto a língua dele invadia minha boca com uma urgência que fazia calor descer direto para entre minhas pernas. Theron não pediu licença para puxar meu vestido para cima; as palmas quen







