LOGINEm cada pulso uma pulseira que custava no mínimo a sua casa e o carro que comprou após três anos economizando, em seus dedos apenas um anel com uma esmeralda maior que os olhos da dona e nas orelhas esmeraldas em três tamanhos formando uma corrente de cima para baixo, tão elegante e luxuosa para uma manhã escura na vida dela.
E claro, o usual conjunto negro tal como sua alma.
— James… — O corpo de Laissa travou. Devagar, devolveu a xícara para seu lugar e encarou a mulher do outro lado — Chegou no horário e já foi embora. Assinou todos os documentos e o contrato de confidencialidade com uma multa milionária caso toque em seu nome.
— Ótimo. — Ergueu-se outra vez e desfilou pela sala chegando às janelas de vidro. — Ele disse alguma coisa?
— Não senhora. Veio em silêncio e se foi.
— Mariane… Eu não gosto de mentiras, você sabe disso e não quero ter que demitir outra pessoa hoje — a voz era tão fina como uma pena, delicada como algodão, mas tão ameaçadora quanto uma arma apontada em sua cabeça.
— Ele a chamou de louca — Contou de uma vez, Laissa girou em direção a mulher — Disse que não faz questão de cruzar seu caminho porque quer distância. Que uma mulher linda como a senhora não deveria maltratar homens para seu prazer. E desejou que todo sofrimento que o fez passar, volte em dobro para seus ombros.
— Maltratar? — Ela caminhou de volta para o sofá juntando as pernas ao sentar — Eu não maltratei aquele homem, eu o puni como era merecido. Que tipo de pessoa ele é? Não foi capaz de agradecer por ter sido leve com ele.
— A senhora usou algemas.
— É algo normal. Não vejo problemas nisso — Pegou seu café.
— Usou fogo para queimar as feridas.
— Ele tinha uma palavra de segurança.
— Feridas que a senhora abriu com um chicote.
— CHEGA! — A garota se esquivou quando outra xícara foi arremessada em sua direção. — Vou visitar um novo prédio para uma possível compra.
Avisou ao ficar de pé, calma, elegante, fina e seguiu para a mesa buscando suas anotações e enquanto caminhava para a saída, recebeu o chapéu e sua bolsa de volta ao pé da porta.
— Ah e… encontre outro. — Sorriu para Mariane que engoliu a seco.
— Outro prédio?
— Um Submisso. Um bonito, forte, quero na minha casa amanhã pela manhã.
— Amanhã de manhã a senhora tem que escolher modelos para uma campanha de moda íntima. A agência organizou um desfile. — A chefe a olhou dos pés à cabeça antes de colocar seus óculos.
— Então amanhã antes da lua tomar o lugar do sol.
E deu as costas deixando uma mulher desesperada para trás.
O olhar calmo de que estava tudo sob-controle mudou no instante em que as portas do elevador tiraram Laissa do seu campo de visão. Voltou para a sala da mulher procurando dentre todas as bebidas mais forte para lhe servir e beber tudo de uma vez para ver se morria com uma única dose.
— É, não foi dessa vez. Que saco. meu Jashin, eu vou morrer não é? Leva-me logo de uma vez porque não aguento mais.
Saiu dali descendo um andar para se ver dentro do seu mundo. Desviou de algumas pessoas correndo de um lado para o outro, findando campanhas e clientes que enalteceu a empresa de Laissa, bom, cada um seu trabalho. Parou na sua sala se jogando contra a cadeira, louca para começar seus afazeres… nem tanto assim.
— Mariane, eu estou com o cast de amanhã para o desfile dos modelos. E é cada um mais bonito que o outro — Avisou para a loira depositando a pasta na mesa.
— Obrigada. Deixa aí, preciso fazer outra coisa urgente.
— Ah, entendi. Vi que nossa rainha está toda de preto hoje, aconteceu algo? — Mariane desviou da tela do computador para sua amiga.
— O que você quer saber? Não tem nada para saber por que se você pudesse resolver alguma coisa pra mim eu te contaria, mas além de tudo isso não ser da sua conta, eu não tenho cinco milhões de reais para pagar a multa dos segredos daquela maluca — se calou depois de um tempo, levantou rodeando sua mesa.
Queria gritar, surtar de vez, mas apenas agarrou as pontas de seu cabelo alisando seu coque antes de voltar-se a outra que já se afastava.
— Quer saber, Sasha, você pode fazer uma coisa por mim sim. Ligue para a equipe de limpeza e mande para a sala da Laissa, por favor — a garota tratou de anotar — Peça para Jean ter o bom senso de não fofocar sobre Laissa quando a trouxer para o trabalho e também a Connie para PARAR DE ESPALHAR O RESTO DAS FOFOCAS DESSE LUGAR.
— Nossa… Calma Mariane. Estamos animados com a nova campanha. Mas toda notícia da nossa rainha lá de cima é como uma bomba aqui embaixo. Sem contar que hoje mais cedo vimos àquele cara subir aqui, já o vi na casa da Laissa. Ele era um dos empregados dela e saiu daqui muito zangado.
— Trabalhar para Laissa D. Chase não é algo fácil. E agora tenho que encontrar um novo e bom empregado para ela. — Pegou suas coisas pela sala — Não me mandem mensagem hoje. Vou atrás de uma coisa muito importante.
— Mas e a campanha nova?
— Eu não tô ligando pra essa droga agora. Me deixa em paz. — Bradou ainda mais zangada e saiu do escritório.
Desceu para seu carro e assim que se viu livre de tudo e de todos tirou um simples caderninho dourado do fundo da bolsa discando o primeiro número que achou.
— Oi, sou Mariane Dream, a assistente direta de Laissa Chase… sim, sim quanto tempo. — Sorriu se encostando ao banco — Pois é, então, estou procurando um dos seus garotos… Céus qualquer um… não, não é para mim é pra Laissa… alô? Alô? Oi? Mas O quê?
Discou o número outra vez e antes de começar a falar o que deseja: — Não ligue mais para minha agência atrás dos meus modelos pra esse tipo de serviço. Os últimos que mandei para essa mulher me voltaram com marcas que não puderam usar seus copos por quase dois meses. Não vou sacrificar uma pessoa.
E essa também foi à desculpa de mais seis agências que se recusaram a falar mais sobre o assunto.
Mariane baixou o celular do ouvido com ódio. Gritou dentro do carro socando o volante, o banco ao lado. Jogou sua bolsa pelos ares, o caderno e o celular.
Desceu do carro para tomar um ar e o estacionamento quente apenas a deixou ainda mais irritada. Tirou o casaco dos seus ombros tentando enrolar seu cabelo para não tocar na pele.
Laissa Chase, um nome muito conhecido na internet, mas poucos sabiam da sua vida particular, poucos daquele mundo, pois todas as agências de modelos com um longo histórico de book azul já havia riscado o número de Laissa da lista de clientes.
— O que eu vou fazer? Céus, eu vou morrer… Ainda nem quitei meu apartamento, e o meu carro? Nem casei, não, não vou casar.
Choramingou por todo lugar tentando lembrar alguma agência que podia enviar alguém sem querer esquecendo o nome de Laissa, mas isso seria um trabalho em vão.
Porém, sua cabeça lhe entregou uma luz, uma luz que se iluminou trazendo o rosto de um grande amigo, seu irmão de coração e boas lembranças como uma cobrança de favores. Ah, isso seria perfeito.
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O olhar de Mason seria capaz de assustar qualquer criatura de filme de terror. Ele fechou a porta do banheiro do bar com força, arrancou as luvas das mãos e as atirou sobre o balcão.
— O que você está fazendo? — Jason resmungou. — Volta ao trabalho.
— Eu não vou limpar aquilo. Você ficou maluco?
Jason saiu de trás do balcão e parou diante do irmão.
— O único maluco que eu estou vendo é você. Papai mandou você para a minha casa porque resolveu virar rebelde sem causa e largar o futebol. Sabe o que isso pode custar? Uma faculdade.
— Existem outras.
— Não quero saber. Você não vai morar na minha casa de graça, comer de graça e ainda reclamar do trabalho. Vai limpar o chão, lavar a louça, limpar o banheiro e servir mesa até conseguir entrar numa faculdade. Se conseguir, ainda vai precisar de dinheiro. — Jason apontou para o avental. — Eu não sou o seu pai.
— Graças a Deus.
O sino rústico sobre a porta tocou antes que Jason pudesse responder. Era cedo para clientes, mas não cedo o bastante para Liam Price entrar no bar.
Jason se colocou instintivamente ao lado do irmão.
— Você fez alguma coisa que eu ainda não sei? — sussurrou. — Mason, eu juro que mato você. Quando aceitei que viesse morar comigo, prometeu não esconder mais merda nenhuma.
— Faz uma semana que fui expulso de casa. Nem tive tempo de fazer outra besteira.
— Oi, Liam. — Jason avançou meio passo, ocupando o caminho. — Que surpresa. Fazia meses que eu quase conseguia esquecer a sua cara. O que você quer?
— Não vim por sua causa.
O treinador entrou no vestiário com dois homens.— Silêncio!Ninguém calou.— CALEM A BOCA!Aos poucos.— Temos representantes universitários aqui.Mason congelou.Um deles chamou seu nome.— Mason Price.Levantou.— Seu desempenho esportivo é excelente.— Obrigado.— Suas notas não.Todos riram.Mason fechou os olhos.— Eu sei.— Mas melhoraram.Silêncio.— Queremos oferecer uma vaga condicional. Se concluir o ano mantendo a melhora acadêmica, haverá bolsa esportiva.Mason ficou parado.— Está falando sério?— Muito.O vestiário explodiu.Jason provavelmente ouviria o grito do outro lado da cidade.Depois outro representante chamou:— Yuri Vicente.Yuri arregalou os olhos.Mason sorriu.— Vai lá, capitão.Yuri deu um soco leve no ombro dele. Os dois haviam conseguido. Nenhuma coleira. Nenhum cheque. Nenhum pai. Nenhuma mulher rica. Eles.--Laissa esperou Mason do lado de fora. Ele apareceu ainda molhado, mochila no ombro e sorriso enorme. Ela tentou manter a elegância. Falhou. Mason
Yuri chegou ao treino disposto a destruir Mason.Não literalmente.Talvez um pouco.O pai passara a semana lembrando-o de que havia perdido a braçadeira.Comparando-o com o irmão.Perguntando quando voltaria a ser alguém importante.Yuri tinha o segredo perfeito.Laissa.Mason.A coleira.O patrocínio.Bastava falar.Uma fotografia.Um comentário.Uma mensagem anônima para o diretor.Mas, antes de entrar no campo, encontrou Mason sozinho no vestiário.— Preciso falar com você.Mason nem levantou.— Se for Laissa, não.— Não é.— Milagre.Yuri sentou.— Vou contar.Mason olhou.— O quê?— Tudo que sei.A expressão dele mudou.— Para quem?— Diretor. Treinador. Talvez meus pais.Mason levantou.— Você é um filho da—— Senta.— Não me manda sentar.— Então fica em pé e escuta.Mason ficou.Yuri respirou.— Eu preciso da braçadeira.— Então j**a melhor.— Não é tão simples.— Pra mim também não.— Meu pai disse que eu fui uma vergonha.Mason se calou.Yuri contou.O irmão perfeito.As bols
Jonathan abriu a porta e encontrou Mariane chorando.— O que aconteceu?Ele entrou.Tentou falar.Não conseguiu.Ele a abraçou.— Foi a Laissa?Mariane chorou ainda mais.— Dessa vez fui eu.Sentaram.Ela contou tudo.Mason.Jason.Terreno.Mentiras.Jonathan escutou até o fim.— Ele tem razão — ela disse.— Em estar bravo?— Em tudo.Jonathan suspirou.— Você passou anos tentando não perder esse emprego.— E comecei a perder todo o resto.Ele ficou em silêncio.— Eu te amo, Mari. — Ela olhou. — Mas não quero viver esperando sua chefe ligar.Mariane fechou os olhos.— Eu sei.— Não quero que deixe sua carreira. Só quero que exista uma parte da sua vida onde ela não manda.Mariane pensou em Laissa.Depois em Mariane Price.Duas mulheres completamente diferentes.Uma mandava.Outra obedecia.E, entre elas, Mariane passara anos fazendo as duas coisas.Obedecendo Laissa.Mandando em si mesma que precisava aceitar.Levantou.— Onde vai?— Trabalhar.Jonathan fez uma cara incrédula.— Sério?
— Está fazendo o quê?— Nada.— Então faça nada mais longe.Ele riu.— Bom dia, mestra.Laissa fechou os olhos outra vez.— Melhor.Mason olhou para o teto.Pela primeira vez desde que entrara naquele mundo, não se sentia comprado.E isso tornava tudo muito mais perigoso.Porque agora tinha alguma coisa de verdade a perder.Jason não acreditava em coincidências.Talvez porque a vida tivesse lhe ensinado cedo demais que quando coisas estranhas começavam a se encaixar, normalmente havia uma desgraça escondida atrás.Mason tinha dinheiro.Muito mais do que deveria.Mason dormia fora.Mariane buscava Mason.Laissa patrocinara a escola.Laissa comprara o terreno.E, acima de tudo, Mason tinha marcas.Jason conhecia marcas.Conhecia dinheiro.Conhecia homens e mulheres pagando para possuir horas da vida de outra pessoa.Conhecia aquela sensação de ter dinheiro no bolso e nenhuma vontade de explicar de onde veio.Por isso, quando Mason entrou no bar perto do meio-dia usando uma camisa larga d
— Sente.— Prefiro ficar em pé.— Não foi um pedido.Mason ficou olhando para ela. Depois sorriu de canto. — Hoje não, Laissa.O sorriso de Laissa desapareceu. Não porque tivesse sido desobedecida. Mas porque não havia agressividade na recusa. Apenas firmeza.— Interessante.— Quero conversar primeiro.— Está começando a ficar muito exigente para alguém que apareceu sem convite.Mason caminhou até a mesa. Tirou um envelope do bolso. Colocou diante dela. Laissa reconheceu. Dinheiro. O último pagamento.— O que é isso?— Tudo que sobrou.— Não pedi devolução.— Eu sei.— Então leve.— Não.Ela levantou.— Mason.— Não quero mais.Silêncio.— Dinheiro?— Por sexo.Laissa ficou completamente parada.Ele respirou fundo.— Vou continuar pagando minhas coisas com o que já tenho. Vou trabalhar no bar, jogar, tentar melhorar minhas notas e conseguir uma bolsa.— E acha que vai conseguir fazer tudo isso sozinho?— Preciso tentar.— Orgulho idiota.— Talvez.Mason aproximou-se.— Mas se eu contin
— Eu estou falando sério. Você não vai dormir com ele.Silêncio. Laissa ficou completamente imóvel.— Repita, se tiver coragem.Mason engoliu em seco.— Não dorme com Yuri.— Você está me proibindo?— Estou pedindo.— Não parece um pedido.Mason respirou. Tentou novamente.— Por favor.Aquilo pareceu atingir Laissa de maneira diferente. Mason nunca pedia. Brigava. Reclamava. Desafiava. Fugia. Mas não pedia daquele jeito.— Por que eu deveria aceitar?— Porque eu não quero outro cara com você.— Isso ainda não responde.— Responde sim.— Não.Laissa aproximou-se ainda mais.— Quando começamos isso, não estabelecemos exclusividade. Você recebia para estar comigo. — Mason desviou os olhos. — Nunca me pediu namoro. Nunca disse que queria ser o único. Então não apareça agora querendo colocar uma coleira em mim, Mason Price. — Ele tornou a encará-la. A frase acertou em cheio. — Você pode usar uma porque escolhe usar. Eu não. Eu não pertenço a você. Não pertenço à sua vontade. Então entenda







