LOGIN— Oi, Liam. — Jason avançou meio passo, ocupando o caminho. — Que surpresa. Fazia meses que eu quase conseguia esquecer a sua cara. O que você quer?
— Não vim por sua causa.
Liam esperou até Jason sair do caminho. Então encarou Mason dos pés à cabeça: os tênis impecáveis tinham sido substituídos por botas velhas; o uniforme esportivo, por uma camiseta simples e um avental sujo.
— Oi, pai. — Mason tentou sorrir. — Espero que tenha vindo me levar para casa. A mãe sent…
O tapa interrompeu a frase.
Mason cambaleou para trás e se apoiou no balcão, mais surpreso do que ferido.
— Você está maluco?
Liam ergueu uma carta. Mason reconheceu o brasão de uma faculdade antes que o pai amassasse o papel, rasgasse-o em quatro partes e jogasse os pedaços no chão.
Mason se abaixou imediatamente para juntá-los.
— Desde que saiu do futebol, nenhuma faculdade esportiva quis você. Ainda assim, achei que tivesse se inscrito em outras. — Liam observou o filho recompor a carta apenas para descobrir a rejeição. — Descobri que não fez nada. Não entrou em lugar nenhum.
— Liam, chega. — Jason segurou o braço do pai quando ele ameaçou avançar outra vez. — Deixa meu irmão em paz.
— Defende tanto esse inútil? Então cuide dele. A partir de hoje não existe mesada, escola paga, curso, carro, cartão. Nada.
Mason ergueu a cabeça. O silêncio doeu mais do que o tapa.
Liam virou as costas e saiu com a mesma frieza com que entrara.
Jason ficou parado por alguns segundos, respirando fundo, antes de olhar para Mason ainda ajoelhado entre os pedaços da carta. Problemas. O irmão mais novo era um poço de problemas e, agora, estava oficialmente sob o teto dele.
Mesmo assim, Jason se agachou.
— Sinto muito pela faculdade.
Mason apertou os pedaços de papel na mão.
— Eu saí do futebol porque escutei ele falar sobre não poder mais pagar as aulas e os cursos dessa droga. Achei que isso deixaria todo mundo mais feliz.
— Não posso dizer se fez certo ou não. Mas me diz: o que merda tem agora? — Mason o olhou — Faltam quantos meses pra você terminar o colegial? E a mensalidade dessa escola é quanto? Caralho Mason você veio cheio de dívidas pro meu lado?
— Vai me expulsar também? — Levantou rápido e Jason mais rápido ainda, no entanto, não conseguiria crescer para cima do seu irmão mais novo este tendo quase dois metros de altura.
— Não. Vou te mandar terminar o seu trabalho. Limpe o chão, o banheiro, a louça e ainda vai servir como garçom durante todas as noites para pagar o resto da sua escola, e talvez uma boa faculdade.
— Jason… — Lamuriou apertando ainda mais a carta em suas mãos e deu as costas.
— Oh moleque que só me dá trabalho. — Outra vez o sino soou naquele lugar — AINDA TÁ FECHADO. — Gritou irritado virando para encontrar Mariane com um largo sorriso e o peito estufado. — Céus, mais problemas? — Colocou as mãos na cintura sentindo o corpo inteiro arrepiar só de se lembrar das coisas que aquela mulher poderia lhe trazer.
— Não são problemas Jason, só soluções — correu até o homem que já voltava para trás do balão — Jason é um caso de vida ou morte, por favor.
— O que é que você quer, Mariane? Eu estou cheio de problemas agora, o Mason veio morar comigo, o meu bar não está com o mesmo movimento e eu vou casar, eu vou casar.
— Melhor ainda, eu tenho a solução para te dar dinheiro — Jason parou do outro lado do balcão em frente à mulher que sorriu, ele finalmente estava escutando. — Eu preciso que você durma com minha chefa.
Jason arregalou os olhos dando uma risada achando que o que ela dizia era uma mera brincadeira, no entanto, não havia sorrisos vindo dela. Engoliu a seco de apoiando no balcão. Por que o mundo estava se acabando agora nas suas costas? Será que só ele seria castigado? É o bar, o casamento, Mason e agora a Mariane?
— Você sabe que minha chefa é muito rica, herdeira de tantas pessoas por ser a única garota da família. Ela pagaria uma fortuna por uma noite com um homem. — Jason subiu o olhar, totalmente incrédulo. — Jason…
— Eu sei que te devo um favor, mas o meu tempo de dormir com mulheres por dinheiro, acabou. Eu concluí minha faculdade, ajudei meus pais e para quê? Hein? Terminar com um bar falido e o encosto do meu irmão? — Mariane piscou quase chorando, não queria escutar aquilo. — E outra que nem durmo mais com mulheres. Eu sou gay. E além do mais, você disse que essa maluca tem gostos singulares e eu não sou nem louco de me meter nisso.
— Mas pensa no dinheiro, Jason, você me deve um favor — O garoto tirou o avental saindo de trás do balcão.
— Eu te pago de todas as formas que imaginar, menos indo dormir com mulher por dinheiro, ainda mais com essa sua chefa perturbada. — Mariane desviou o olhar, já estava desesperada — ela é tão rica, acha uma agência.
— Já liguei para todas — Jason que caminhava em direção ao seu casaco parou e virou para Mariane — Ela não é louca, eu juro. É tão bonita, é sensual e rica, milionária, imagina se ela gosta de você, ficará rico.
— CHEGA MARIANE — Gritou assustando a assistente que travou em seus saltos — Não vou fazer isso. Quero que os céus caiam na minha cabeça antes de fazer isso novamente. Chega, e chega — Pegou seu casaco.
— Jason, se eu não achar ninguém ela vai me demitir. — Lamuriou e nem mesmo isso fez com que o homem cedesse.
— Então acho melhor você correr. — Passou por ela novamente — Mason EU VOLTO JÁ. CUIDA DE TUDO — Voltou para Mariane outra vez — Beba alguma coisa LEVE, e não me volte mais aqui com esse assunto.
Foi embora deixando a garota para trás. Mariane sacou o celular novamente correndo para o balcão, dentre seu caderno dourado e contatos de agências que não lhe atendiam mais para esse trabalho, ela desabou no balcão. Laissa iria lhe torturar se não levasse alguém para lá.
Só abriu os olhos novamente quando escutou passos ao seu redor, não iria se assustar conhecendo muito bem os passos de Mason Price, o irmão querido que no momento não parecia tão querido assim. Escutou quando o mesmo foi para trás do balcão e até quando lhe serviu uma bebida depositando em sua frente.
Ela endireitou seu corpo sorrindo para o outro que apenas ergueu uma sobrancelha. Não fazia muito tempo que havia visto, mas Mason tinha crescido uns dois metros, certeza.
— Dia difícil de trabalho? — Ela confirmou — Você parece que envelheceu cem anos do nada.
— Obrigada. Mulheres gostam de receber esse tipo de elogio. — Bebeu rapidamente batendo o copo e pediu outro, Mason negou — Você não tá trabalhando aqui? Então me serve.
— Você é uma bêbada louca, não me faça servir mais bebida, eu sei do seu segredo.
— Eu não sei por que venho sempre pedir ajuda de vocês. — Ele deu de ombros cruzando seus braços muito bem malhados.
— Posso te servir mais bebidas — tentou conversar — Se me contar mais sobre o favor que ofereceu a Jason agora pouco. — Mariane ergueu uma sobrancelha — Eu posso dormir com uma mulher por dinheiro.
— Eu posso dormir com uma mulher por dinheiro.
— O quê? — Ficou em silêncio por um momento até lembrar-se da conversa, sorriu guardando suas coisas na bolsa e desceu do banco. — É melhor eu ir embora.
— Não, espera. Eu posso fazer isso — Correu até ela a impedindo de dar um passo — Posso transar com uma mulher, ela me paga e eu vou embora. Pronto!
— Você é só um moleque, para de falar tanta besteira. — Tentou ir, mas outra vez Mason segurou seu braço e era impossível se afastar daquela parede de dois metros. — Por que você cresceu tanto? comeu o quê?
— Eu tenho 1,98 de altura e eu não sou um moleque, fiz 18 mês passado. — Mariane revirou os olhos dando uma risada logo mais.
— Ah, sai da minha frente garoto.
— Espera, Mariane, é sério — Dessa vez, parou na porta esticando os braços — Eu saí do futebol porque meus pais não podiam mais pagar, isso me custou várias faculdades e eu não tinha me inscrito em nenhuma outra.
— Você foi bem burro, isso sim.
— Liam me expulsou de casa e disse que nem a mensalidade da escola vai pagar. Eu tenho que trabalhar para o Jason e olha, eu tive que limpar o banheiro com essas luvas — Mariane arregalou os olhos se afastando e começou a tirar o casaco do seu corpo pisoteando logo depois
Ele riu, claro que não tinha usado aquelas luvas. Mas foi engraçado.
— Não quero passar o resto da minha vida nesse bar, quero fazer faculdade. Imagina que eu posso me livrar do peso nas costas do Jason. Ela paga bem, não é?
— Sim, paga por uma noite quase o valor do meu carro.
— Seu carro custou uns 100 mil. — O sorriso dele cresceu.
— Foi 80 mil, idiota.
Desviou o olhar caminhando pelo pequeno salão, não estava a fim de mandar um moleque para os braços de Laissa Chase, ela com certeza comeria ele vivo, Jason iria descobrir e toda aquela família seria destruída.
Escutou o celular vibrar e bastou uma olhada na tela com uma ameaça branda de Laissa para ela encarar Mason que sorria todo galante.
O treinador entrou no vestiário com dois homens.— Silêncio!Ninguém calou.— CALEM A BOCA!Aos poucos.— Temos representantes universitários aqui.Mason congelou.Um deles chamou seu nome.— Mason Price.Levantou.— Seu desempenho esportivo é excelente.— Obrigado.— Suas notas não.Todos riram.Mason fechou os olhos.— Eu sei.— Mas melhoraram.Silêncio.— Queremos oferecer uma vaga condicional. Se concluir o ano mantendo a melhora acadêmica, haverá bolsa esportiva.Mason ficou parado.— Está falando sério?— Muito.O vestiário explodiu.Jason provavelmente ouviria o grito do outro lado da cidade.Depois outro representante chamou:— Yuri Vicente.Yuri arregalou os olhos.Mason sorriu.— Vai lá, capitão.Yuri deu um soco leve no ombro dele. Os dois haviam conseguido. Nenhuma coleira. Nenhum cheque. Nenhum pai. Nenhuma mulher rica. Eles.--Laissa esperou Mason do lado de fora. Ele apareceu ainda molhado, mochila no ombro e sorriso enorme. Ela tentou manter a elegância. Falhou. Mason
Yuri chegou ao treino disposto a destruir Mason.Não literalmente.Talvez um pouco.O pai passara a semana lembrando-o de que havia perdido a braçadeira.Comparando-o com o irmão.Perguntando quando voltaria a ser alguém importante.Yuri tinha o segredo perfeito.Laissa.Mason.A coleira.O patrocínio.Bastava falar.Uma fotografia.Um comentário.Uma mensagem anônima para o diretor.Mas, antes de entrar no campo, encontrou Mason sozinho no vestiário.— Preciso falar com você.Mason nem levantou.— Se for Laissa, não.— Não é.— Milagre.Yuri sentou.— Vou contar.Mason olhou.— O quê?— Tudo que sei.A expressão dele mudou.— Para quem?— Diretor. Treinador. Talvez meus pais.Mason levantou.— Você é um filho da—— Senta.— Não me manda sentar.— Então fica em pé e escuta.Mason ficou.Yuri respirou.— Eu preciso da braçadeira.— Então j**a melhor.— Não é tão simples.— Pra mim também não.— Meu pai disse que eu fui uma vergonha.Mason se calou.Yuri contou.O irmão perfeito.As bols
Jonathan abriu a porta e encontrou Mariane chorando.— O que aconteceu?Ele entrou.Tentou falar.Não conseguiu.Ele a abraçou.— Foi a Laissa?Mariane chorou ainda mais.— Dessa vez fui eu.Sentaram.Ela contou tudo.Mason.Jason.Terreno.Mentiras.Jonathan escutou até o fim.— Ele tem razão — ela disse.— Em estar bravo?— Em tudo.Jonathan suspirou.— Você passou anos tentando não perder esse emprego.— E comecei a perder todo o resto.Ele ficou em silêncio.— Eu te amo, Mari. — Ela olhou. — Mas não quero viver esperando sua chefe ligar.Mariane fechou os olhos.— Eu sei.— Não quero que deixe sua carreira. Só quero que exista uma parte da sua vida onde ela não manda.Mariane pensou em Laissa.Depois em Mariane Price.Duas mulheres completamente diferentes.Uma mandava.Outra obedecia.E, entre elas, Mariane passara anos fazendo as duas coisas.Obedecendo Laissa.Mandando em si mesma que precisava aceitar.Levantou.— Onde vai?— Trabalhar.Jonathan fez uma cara incrédula.— Sério?
— Está fazendo o quê?— Nada.— Então faça nada mais longe.Ele riu.— Bom dia, mestra.Laissa fechou os olhos outra vez.— Melhor.Mason olhou para o teto.Pela primeira vez desde que entrara naquele mundo, não se sentia comprado.E isso tornava tudo muito mais perigoso.Porque agora tinha alguma coisa de verdade a perder.Jason não acreditava em coincidências.Talvez porque a vida tivesse lhe ensinado cedo demais que quando coisas estranhas começavam a se encaixar, normalmente havia uma desgraça escondida atrás.Mason tinha dinheiro.Muito mais do que deveria.Mason dormia fora.Mariane buscava Mason.Laissa patrocinara a escola.Laissa comprara o terreno.E, acima de tudo, Mason tinha marcas.Jason conhecia marcas.Conhecia dinheiro.Conhecia homens e mulheres pagando para possuir horas da vida de outra pessoa.Conhecia aquela sensação de ter dinheiro no bolso e nenhuma vontade de explicar de onde veio.Por isso, quando Mason entrou no bar perto do meio-dia usando uma camisa larga d
— Sente.— Prefiro ficar em pé.— Não foi um pedido.Mason ficou olhando para ela. Depois sorriu de canto. — Hoje não, Laissa.O sorriso de Laissa desapareceu. Não porque tivesse sido desobedecida. Mas porque não havia agressividade na recusa. Apenas firmeza.— Interessante.— Quero conversar primeiro.— Está começando a ficar muito exigente para alguém que apareceu sem convite.Mason caminhou até a mesa. Tirou um envelope do bolso. Colocou diante dela. Laissa reconheceu. Dinheiro. O último pagamento.— O que é isso?— Tudo que sobrou.— Não pedi devolução.— Eu sei.— Então leve.— Não.Ela levantou.— Mason.— Não quero mais.Silêncio.— Dinheiro?— Por sexo.Laissa ficou completamente parada.Ele respirou fundo.— Vou continuar pagando minhas coisas com o que já tenho. Vou trabalhar no bar, jogar, tentar melhorar minhas notas e conseguir uma bolsa.— E acha que vai conseguir fazer tudo isso sozinho?— Preciso tentar.— Orgulho idiota.— Talvez.Mason aproximou-se.— Mas se eu contin
— Eu estou falando sério. Você não vai dormir com ele.Silêncio. Laissa ficou completamente imóvel.— Repita, se tiver coragem.Mason engoliu em seco.— Não dorme com Yuri.— Você está me proibindo?— Estou pedindo.— Não parece um pedido.Mason respirou. Tentou novamente.— Por favor.Aquilo pareceu atingir Laissa de maneira diferente. Mason nunca pedia. Brigava. Reclamava. Desafiava. Fugia. Mas não pedia daquele jeito.— Por que eu deveria aceitar?— Porque eu não quero outro cara com você.— Isso ainda não responde.— Responde sim.— Não.Laissa aproximou-se ainda mais.— Quando começamos isso, não estabelecemos exclusividade. Você recebia para estar comigo. — Mason desviou os olhos. — Nunca me pediu namoro. Nunca disse que queria ser o único. Então não apareça agora querendo colocar uma coleira em mim, Mason Price. — Ele tornou a encará-la. A frase acertou em cheio. — Você pode usar uma porque escolhe usar. Eu não. Eu não pertenço a você. Não pertenço à sua vontade. Então entenda







