Share

- 4 -

Author: LuadMel
last update publish date: 2025-05-06 22:50:36

Escutou o celular vibrar e bastou uma olhada na tela com uma ameaça branda de Laissa para ela encarar Mason que sorria todo galante.

Ah, tudo bem, ele era bem bonito, diferente do irmão, mantinha os cabelos sempre bem cortados e os anos no futebol deram a ele um corpo malhado e forte, sem contar que com dois metros de altura lhe fazia parecer mais velho, e não um garoto de dezoito anos que acabou nascer na vida adulta. Céus, em pensar que ela o viu nascer, que trocou suas fraldas sujas.

— Você pelo menos já dormiu com alguém?

— Todas as garotas da minha turma e as líderes de torcida também, e eu precisava de nota em geografia. — Mariane se surpreendeu, não conhecia esse lado do seu irmão postiço mais novo — E tive que me sacrificar também pelo meu time quando fiquei preso com as líderes de torcida rival, eram só umas 4 ou 5 eu não lembro.

— Ai, credo, quantos tipos de doença você pode ter? — pegou suas coisas outra vez.

— Não, eu estou bem, Mariane me ajuda. — Os olhos negros brilharam mais.

Então, seria demitida ou odiada pela família que lhe criou?

Se fosse odiada pela família, ao menos ainda teria dinheiro para pagar suas contas.

— Mason a minha chefa já está na casa dos trinta anos e ela é muito, muito difícil você não aguentaria dez minutos perto dela.

— Difícil é ter que limpar esse chão inteiro coberto de vômito. — Agachou diante dela juntando as mãos — Por favor.

— Ah, tá bom, tá bom garoto. Que saco. — O empurrou para longe — Vou te ligar amanhã ao meio-dia para confirmar algumas coisas. Esteja preparado.

— Obrigado.

— Não me agradeça ainda. Você vai ver que a vida adulta é uma merda logo nas primeiras semanas para aprender a ser gente. Ah e o mais importante, não conte pro Jason, se não nós dois não iremos sobreviver. — Ele assentiu e saltou com um grito de vitória. — Esse merece sim umas t***s na cara pelo menos. — Foi embora.

-

-

O relógio marcou exatamente cinco da manhã quando os olhos daquela mulher se abriram para o luar. Sentou na cama admirando seu ilustre quarto antes de caminhar até a janela e puxar uma única fresta do tecido para ver o sol, mas ele não havia nascido. Voltou ao quarto estudando sua cama antes de se aproximar dela lembrando vagamente das noites anteriores.

Sempre ia dormir muito feliz depois de bater em alguém. E naquela noite não tinha acontecido nada, o que lhe pareceu péssimo. Sob as sapatilhas brancas para combinar com o quarto, andou até sua mesa de centro buscando o celular. Nenhuma mensagem, mas alguns e-mails. Discou o número de sua assistente.

— O que conseguiu? — Bradou assim que foi atendida. Levantou voltando a caminhar pelo quarto.

— Senhora Chase? O que aconteceu? — A voz rouca do outro lado denunciava o cansaço.

— Aconteceu que você não me deu resposta. Quero saber o que conseguiu. — Saiu do quarto caminhando lentamente até seu closet. Era seu segundo lugar preferido da casa.

— Ah, meu Jashin, está falando sério? — Laissa parou de andar na mesma hora — Achei uma pessoa para a senhora avaliar. Espero que goste.

— E é bonito? Pode me mandar agora. — Ordenou e escutou barulhos estranhos do outro lado da linha. Será que ela estava na casa de alguém? A voz era de um homem? Então Mariane dormia agarrada a um homem e ela com ninguém? Estava errado, muito errado.

— Ninguém vai a sua casa às cinco horas da manhã. E daqui há pouco vamos nos encontrar na agência para o desfile que marcou muito cedo. — Laissa sentou na poltrona olhando para suas novas sacolas de compras, devia ter aberto para experimentar, mas o cansaço lhe pegou noite passada e nem era do jeito que gostava.

— Eu tinha planos para hoje. Gostaria de ter ido viajar — Viajar no meio da semana para um país distante voltar logo depois, esse era um dos seus truques preferidos.

— Eu sei. Eu sei, mas não vai acontecer. E pode dormir tranquila, porque o seu garoto vai estar na sua casa como planejado.

— Oh não, espere. É um evento especial. Quero aquele quarto de hotel, com tudo que tem direito. O mesmo de sempre, quero ter uma noite incrível. Estou… alô? Alô? AAAHHHHH!

Soltou o celular aos poucos olhando ao redor novamente. Tratou de desfilar para um banho matinal gelado e perfeito, com direito a esfoliante e fez tudo sozinha sem sua empregada. Voltou ao closet e escolheu a dedo o conjunto íntimo do dia. Tudo tinha que estar perfeito. Optou por usar outro conjunto preto, a saia mal chegava aos joelhos tal como o paletó clássico da Chanel lhe entregando elegância.

Trouxe novamente seu sobretudo preto e o chapéu para se esconder do sol, sua pele pálida chegava a ser linda demais e muito sensível a qualquer raio solar. Seu look foi completo com os braceletes preferidos de pérolas negras e um anel de rubi negro por cima das luvas pretas.

Perfeita!

Desceu para o andar debaixo e não se espantou ao ver a mesa do café arrumada para começar o dia. Passou por ela até o seu lugar, tudo bem quente e parecia muito lindo. Não costumava tomar café sozinha e se vê diante de todas as coisas que gostava sem uma companhia, decidiu que passar fome era bem melhor. Deu as costas para a saída e achou seu motorista pronto e arrumado para começar o dia.

-

-

— Essa mulher é maluca — O homem murmurou colocando o último sapato — Você não tem que ficar se humilhando pra ela, Mariane você me disse que iria sair desse trabalho.

— Agora não, Jonathan — a viu voltar ao quarto colocando suas botas longas para sintonizar com o vestido preto da noite passada — Não tem como eu sair desse emprego porque tenho muitas contas para pagar. E eu gosto de trabalhar com ela.

— A gente estava transando… transando, você parou tudo para atender ela e agora vai sair assim? Nem amanheceu.

— Laissa marcou um desfile para o Cast da nova campanha de cuecas às 6:34 da manhã na agência, não posso me atrasar — Parou diante dele, lhe deu um selinho e virou catando sua bolsa e sumiu.

Já dentro do táxi, ligou para Sasha tendo em mente que tudo deveria estar organizado. A dona da agência também o aguardava, e os modelos já estavam prontos. As empregadas haviam acordado mais cedo, ela já deveria ter tomado café, bem alimentada e feliz. Tudo que tinha que fazer era chegar na hora antes de Laissa, o que aconteceu como previsto.

Após dar uma olhada por todo o lugar do desfile foi esperá-la do lado de fora, e seu sorriso morreu ao vê-la descer daquele carro toda de preto. Mais do que o dia anterior, nem mesmo suas joias escaparam dessa vez.

Laissa caminhou até ela olhando-a dos pés à cabeça. Se já estava brava porque notou que ela estava ocupada àquela hora da manhã, imagina saber que aquele vestido era de noites de baladas? Sequer foi em casa.

— Bom dia senhora Chase… — Desejou e por um milagre, recebeu um sorriso mediano.

— Está elegante para uma manhã — Mariane sorriu vendo-a ajustar seu chapéu antes de erguer uma mão — Estou com fome. Quero um café quente em cinco minutos. Vamos entrar, o frio está me consumindo.

— Claro. — Ela passou e Mariane correu até o carro, Jean já estava rindo — Não teve café naquela casa? Eu disse para estar tudo pronto

— E estava. Todas acordaram cedo para preparar tudo. Ela só deu as costas.

— Eu nunca vou casar, e se eu não casar ninguém casa — Entregou a ele um cartão — Tem uma cafeteria aqui perto, vai e traz o café dela. Vou te mandar uma mensagem.

Correu para dentro novamente onde se colocou ao lado de sua chefa enquanto a dona da agência falava sobre o Cast e anunciou o desfile. Os homens começaram a entrar.

— Todos têm entre dezoito e vinte e dois anos como pediu — Mariane avisou e a outra assentiu — e já com experiência na passarela.

— É algum deles?

— Deles? Algum deles? O que é algum deles? — Se perdeu na pasta de fotos e sem entender nada.

— O garoto que me conseguiu — Mariane sentiu o coração acelerar — É algum deles?

— Não. Não, não é nenhum deles.

— Ótimo. Porque não gostei de ninguém aqui. Ligue para outra agência e peça um desfile de Cast, não irei aprovar esses aqui. — Mariane fechou a pasta, totalmente incrédula.

— Senhora Chase, essa agência pagou alguns para vir aqui, pois trouxeram gente de fora. Sem contar que esse é o terceiro desfile de Cast que a senhora marca quase na madrugada, para no fim não aprovar?

— Eu não quero que me questione, quero que me obedeça. Eu dei três chances a essa mulher e ela me traz cada vez mais homens artificiais, eles não me dão vontade de tirar a roupa dentro de uma cueca de marca. E é isso que eu quero, ver um homem sensual dentro de uma cueca e me despir para ele. Não sinto nada olhando para esses… modelos — Pegou sua bolsa e levantou. O desfile inteiro parou e ela apenas riu de canto, dando as costas a todos ali.

— O que aconteceu? — A dona da agência se aproximou de Mariane que teve que levantar para sustentar as loucuras daquela mulher. — Ainda não acabou, onde ela está indo?

— Sinto muito. Mas sua agência não fará parte da campanha.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • O Submisso da CEO Mimada   - 46 -

    O treinador entrou no vestiário com dois homens.— Silêncio!Ninguém calou.— CALEM A BOCA!Aos poucos.— Temos representantes universitários aqui.Mason congelou.Um deles chamou seu nome.— Mason Price.Levantou.— Seu desempenho esportivo é excelente.— Obrigado.— Suas notas não.Todos riram.Mason fechou os olhos.— Eu sei.— Mas melhoraram.Silêncio.— Queremos oferecer uma vaga condicional. Se concluir o ano mantendo a melhora acadêmica, haverá bolsa esportiva.Mason ficou parado.— Está falando sério?— Muito.O vestiário explodiu.Jason provavelmente ouviria o grito do outro lado da cidade.Depois outro representante chamou:— Yuri Vicente.Yuri arregalou os olhos.Mason sorriu.— Vai lá, capitão.Yuri deu um soco leve no ombro dele. Os dois haviam conseguido. Nenhuma coleira. Nenhum cheque. Nenhum pai. Nenhuma mulher rica. Eles.--Laissa esperou Mason do lado de fora. Ele apareceu ainda molhado, mochila no ombro e sorriso enorme. Ela tentou manter a elegância. Falhou. Mason

  • O Submisso da CEO Mimada   - 45 -

    Yuri chegou ao treino disposto a destruir Mason.Não literalmente.Talvez um pouco.O pai passara a semana lembrando-o de que havia perdido a braçadeira.Comparando-o com o irmão.Perguntando quando voltaria a ser alguém importante.Yuri tinha o segredo perfeito.Laissa.Mason.A coleira.O patrocínio.Bastava falar.Uma fotografia.Um comentário.Uma mensagem anônima para o diretor.Mas, antes de entrar no campo, encontrou Mason sozinho no vestiário.— Preciso falar com você.Mason nem levantou.— Se for Laissa, não.— Não é.— Milagre.Yuri sentou.— Vou contar.Mason olhou.— O quê?— Tudo que sei.A expressão dele mudou.— Para quem?— Diretor. Treinador. Talvez meus pais.Mason levantou.— Você é um filho da—— Senta.— Não me manda sentar.— Então fica em pé e escuta.Mason ficou.Yuri respirou.— Eu preciso da braçadeira.— Então j**a melhor.— Não é tão simples.— Pra mim também não.— Meu pai disse que eu fui uma vergonha.Mason se calou.Yuri contou.O irmão perfeito.As bols

  • O Submisso da CEO Mimada   - 44 -

    Jonathan abriu a porta e encontrou Mariane chorando.— O que aconteceu?Ele entrou.Tentou falar.Não conseguiu.Ele a abraçou.— Foi a Laissa?Mariane chorou ainda mais.— Dessa vez fui eu.Sentaram.Ela contou tudo.Mason.Jason.Terreno.Mentiras.Jonathan escutou até o fim.— Ele tem razão — ela disse.— Em estar bravo?— Em tudo.Jonathan suspirou.— Você passou anos tentando não perder esse emprego.— E comecei a perder todo o resto.Ele ficou em silêncio.— Eu te amo, Mari. — Ela olhou. — Mas não quero viver esperando sua chefe ligar.Mariane fechou os olhos.— Eu sei.— Não quero que deixe sua carreira. Só quero que exista uma parte da sua vida onde ela não manda.Mariane pensou em Laissa.Depois em Mariane Price.Duas mulheres completamente diferentes.Uma mandava.Outra obedecia.E, entre elas, Mariane passara anos fazendo as duas coisas.Obedecendo Laissa.Mandando em si mesma que precisava aceitar.Levantou.— Onde vai?— Trabalhar.Jonathan fez uma cara incrédula.— Sério?

  • O Submisso da CEO Mimada   - 43 -

    — Está fazendo o quê?— Nada.— Então faça nada mais longe.Ele riu.— Bom dia, mestra.Laissa fechou os olhos outra vez.— Melhor.Mason olhou para o teto.Pela primeira vez desde que entrara naquele mundo, não se sentia comprado.E isso tornava tudo muito mais perigoso.Porque agora tinha alguma coisa de verdade a perder.Jason não acreditava em coincidências.Talvez porque a vida tivesse lhe ensinado cedo demais que quando coisas estranhas começavam a se encaixar, normalmente havia uma desgraça escondida atrás.Mason tinha dinheiro.Muito mais do que deveria.Mason dormia fora.Mariane buscava Mason.Laissa patrocinara a escola.Laissa comprara o terreno.E, acima de tudo, Mason tinha marcas.Jason conhecia marcas.Conhecia dinheiro.Conhecia homens e mulheres pagando para possuir horas da vida de outra pessoa.Conhecia aquela sensação de ter dinheiro no bolso e nenhuma vontade de explicar de onde veio.Por isso, quando Mason entrou no bar perto do meio-dia usando uma camisa larga d

  • O Submisso da CEO Mimada   - 42 -

    — Sente.— Prefiro ficar em pé.— Não foi um pedido.Mason ficou olhando para ela. Depois sorriu de canto. — Hoje não, Laissa.O sorriso de Laissa desapareceu. Não porque tivesse sido desobedecida. Mas porque não havia agressividade na recusa. Apenas firmeza.— Interessante.— Quero conversar primeiro.— Está começando a ficar muito exigente para alguém que apareceu sem convite.Mason caminhou até a mesa. Tirou um envelope do bolso. Colocou diante dela. Laissa reconheceu. Dinheiro. O último pagamento.— O que é isso?— Tudo que sobrou.— Não pedi devolução.— Eu sei.— Então leve.— Não.Ela levantou.— Mason.— Não quero mais.Silêncio.— Dinheiro?— Por sexo.Laissa ficou completamente parada.Ele respirou fundo.— Vou continuar pagando minhas coisas com o que já tenho. Vou trabalhar no bar, jogar, tentar melhorar minhas notas e conseguir uma bolsa.— E acha que vai conseguir fazer tudo isso sozinho?— Preciso tentar.— Orgulho idiota.— Talvez.Mason aproximou-se.— Mas se eu contin

  • O Submisso da CEO Mimada   - 41 -

    — Eu estou falando sério. Você não vai dormir com ele.Silêncio. Laissa ficou completamente imóvel.— Repita, se tiver coragem.Mason engoliu em seco.— Não dorme com Yuri.— Você está me proibindo?— Estou pedindo.— Não parece um pedido.Mason respirou. Tentou novamente.— Por favor.Aquilo pareceu atingir Laissa de maneira diferente. Mason nunca pedia. Brigava. Reclamava. Desafiava. Fugia. Mas não pedia daquele jeito.— Por que eu deveria aceitar?— Porque eu não quero outro cara com você.— Isso ainda não responde.— Responde sim.— Não.Laissa aproximou-se ainda mais.— Quando começamos isso, não estabelecemos exclusividade. Você recebia para estar comigo. — Mason desviou os olhos. — Nunca me pediu namoro. Nunca disse que queria ser o único. Então não apareça agora querendo colocar uma coleira em mim, Mason Price. — Ele tornou a encará-la. A frase acertou em cheio. — Você pode usar uma porque escolhe usar. Eu não. Eu não pertenço a você. Não pertenço à sua vontade. Então entenda

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status