LOGIN— Sinto muito. Mas sua agência não fará parte da campanha. Não é o que ela está buscando. — A mulher se surpreendeu — Tiveram três chances, não conseguiram agradá-la e se não conseguiram com todas essas tentativas é melhor desistir.
— Querida — Agarrou o pulso de Mariane se afastando de algumas pessoas — isso é por causa da minha recusa em dar um dos meus garotos para ela? Porque eu posso mudar de ideia. Preciso dessa campanha, minha agência está falindo e se ela não aceitar, ninguém vai querer. Sua influência é grande. — Mariane negou — Te mando outra lista do book azul, e você escolhe qualquer um.
— Não tem nada a ver com o seu book azul, tem a ver apenas com o humor dela. — A mulher negou-se a acreditar — Seu nome está na minha agenda e fazemos mais de uma campanha por semana. Logo mandarei mensagem.
Se despediu com desculpas e correu para fora. O carro de Mariane ainda estava ali e aquele era um convite para entrar. Sua sorte é que sair de noite para se divertir lhe dá inúmeras liberdades de usar os táxis. Beber e voltar para casa dirigindo não dava certo.
Isso quando voltava para casa.
— Por que demorou? Quero tomar café, estou com fome — Avisou outra vez e bastou uma olhada para Jean para saber onde foi parar o café que pediu a ele. — E o Hotel?
— Já está reservado.
— E o garoto? — Tornou a perguntar — é de uma agência? Quero que seja uma pessoa maravilhosa. Mais bonito que o último.
— Não é de nenhuma agência, nenhuma delas quer deixar a senhora usufruir dessa parte — Laissa estreitou os olhos em direção a garota. — Foi um achado.
— Um achado? — Se surpreendeu — Por esse achado eu posso te dar um bônus caso me dê felicidades.
— Eu garanto — Mentiu, e mandaria mensagem para Mason.
— Depois do almoço, quero o Cast da nova agência. — Mariane quase engasgou — Prepare uma mala para o hotel e não se esqueça de comprar um presente… Vou estar no setor de criação, pois tive ideias novas, não me incomode por nada além do café. Até o almoço. — Ordenou assim que o carro parou. Ela desceu do mesmo entrando em seu prédio como se o mundo girasse ao seu redor.
Mariane respirou fundo já sacando o celular.
— Socorro.
Achar outra agência que pudesse organizar um desfile de Cast em poucas horas para o comando de Laissa Chase não era difícil. Todos gostariam de ter aquela mulher associada à sua agência. Marcou os horários e escolheu a dedo os homens que podiam participar tal como dona da linha e antes do horário estava no restaurante preferido de sua chefe esperando pelo almoço.
Se sentou à mesa à espera de mais uma pessoa e agradeceu aos céus quando Mason sentou em sua frente. Não desviou o olhar do celular, embora estivesse tudo marcado, para Laissa estar presente precisava de uma boa iluminação, petiscos que ela ficasse bem, e o hotel teria que estar do seu agrado. Ah, trabalhar para aquela mulher era um luxo e uma desgraça, tudo na mesma intensidade.
— Jason não sabe que você está aqui, né? — Passou à página da sua agenda vermelha, todos os horários de Laissa precisavam estar organizados.
— Claro que não. Disse que iria procurar por um curso aqui no centro. — Mariane revirou os olhos dando um mero sorriso. — E como vão ser as coisas?
— Pedi para te encontrar aqui porque é onde vou ficar mais tempo para esperar o almoço dela — Mason olhou ao redor, o lugar era chique e bem movimentado, no entanto, as pessoas notavelmente eram de um nível acima das estrelas?
— Tudo bem. Eu preferia que tivesse me ligado. — Mariane o olhou pela primeira vez naquela tarde. Queria se arrepender de ter que levar Mason só em vê-lo usando o uniforme escolar.
— Já vou te adiantar que nada será como você quer, Mason Price. às 20h um carro vai estar na esquina do bar, vou mandar a placa por mensagem. Ele te levará para um hotel e desse hotel o seu destino é a cobertura.
— A cobertura? Ela é mesmo bem rica — Mariane desceu uma sobrancelha.
— Você não conhece Laissa Chase? — O garoto deu de ombros.
Mariane quis desistir novamente porque não era possível. Não sabia ao certo quem iria morrer, o Mason? A Laissa por não ser conhecida por aquele idiota? Ela por mandar um IDIOTA PRA CAMA COM UMA MASOQUISTA?
Talvez ele não saber quem era Laissa Chase, deixaria as coisas ainda melhor. Ele entraria para um mundo que provavelmente não conhecia, mas podia se apaixonar pelo dinheiro fácil… e a quantidade chamava muitos para aquele ramo. No entanto, poucos aceitavam ficar por muito tempo.
— A partir do momento em que as portas se fecharam com você dentro da cobertura, Mason você terá que fazer tudo que aquela mulher mandar. Ela está pagando, então sua missão é apenas obedecer sem questionar. Sem dizer uma palavra sequer, entendeu? — O garoto assentiu — Fala se ela quiser que fale e faça um ótimo trabalho na cama… quem sabe assim, possa distrair ela por uma noite enquanto procuro outro.
— Você não confia em mim? — Quis rir.
na verdade não iria julgar um Price e sua performance na cama, Mason e Jason eram seus irmãos postiços então havia certo respeito por serem sua família, contudo, Jesse, Mike, Micon dentre outros Price não entravam na sua lista de respeito, mas estavam listados como “fui pra cama e graças a Jashin me comeram bem”.
Mason era alto, com braços grossos, maiores que suas coxas e as costas largas tão como o tronco definido, certeza que Laissa iria se impressionar com o corpo, o cabelo bem cortado, o rosto delicadamente másculo com expressões sérias puxadas do senhor Liam muito com cara de mal. Então estava tudo certo.
— Confiar, confiar não confio. Mas não se preocupe porque seu desenvolvimento hoje só está em risco meu trabalho, contas e de eu contar para o Jason que você me procurou para virar um prostituto. — Mason entreabriu os lábios, chocado. — E claro, um bônus em uma alta quantia de dinheiro. Eu adoro essa parte.
— Você virou o satanás.
— Ah Mason, você não conheceu o satanás ainda. Mas vai, hoje à noite.
— O quê? — Mariane levantou indo em direção a sua encomenda e Mason a seguiu. Foi em silêncio ao seu lado até o carro onde o motorista já lhe esperava.
— Te mando mais detalhes depois. E seja feliz.
— Obrigado — devolveu o cumprimento com certo nojo do deboche dela, mas tudo bem, não ia surtar.
Voltou para o bar do seu irmão, onde foi recebido pela primeira com tudo organizado. Isso era um milagre, desde que começou a trabalhar ali.
— Mason, chegou. E o curso? Achou? — Encontrou Jason na cozinha, cortava seus temperos para mais tarde. Além do bar serviam jantares a qualquer hora, o que lhe trazia ainda mais clientes quando queriam jantar fora de casa ali no bairro.
— Ah, engenharia mecânica parece bem legal. Não que eu consiga fazer — mentiu e sentou na cama tentando pegar uma fatia de tomate e foi ameaçado com uma faca.
— A mamãe ligou hoje cedo — Mason quis sorrir — Apenas mandou dizer para você se cuidar. Se não conseguir terminar a escola esse ano, possivelmente ano que vem você pode começar.
— É sério? Ela não vai se importar comigo?
— Você sabe como nossos pais são. Me expulsaram de casa quando descobriram que eu era gay e cortaram os laços quando aquele vizinho fofoqueiro contou que eu estava… — Se calou no meio da explicação, aquilo foi o fundo do poço para sua vida — enfim, você sair do futebol e não passar em nenhuma faculdade trouxe vergonha a glamorosa família Price. Ela não vai passar a mão na sua cabeça.
— Eu não achei que ela seria assim.
— A senhora Price obedece ao marido, como uma boa esposa de mil anos atrás. — Mason deitou na mesa. Se ser expulso de casa e humilhado pelo pai era ruim, imagina ser abandonado pela mãe que cuidava de si com tanto amor. — Eu posso pagar esse curso pra você.
— O quê? Não — Se endireitou na cadeira — não quero que faça nada agora, você já disse que vai pagar a escola… Eu vou arrumar um trabalho. — Suspirou desviando o olhar — O curso já seria demais e o seu noivo? O que iria dizer?
— Apolo está de acordo. Disse que te ajudaria se precisasse também. Até falou que estavam precisando de gente no aquário. Abriu vagas para alimentar os animais.
— Que animal? — Jason deu as costas para a pia.
— Tigres — Respondeu calmamente.
— E por que abriu vagas especificamente para alimentar tigres?
— Porque o último serviu de petisco — Mason levantou o mais calmo possível procurando um avental — Limpar o bar não parece tão ruim agora né?
Era a pior coisa do mundo, porém, entre limpar um bar e alimentar um tigre ou ser o próprio alimento do mesmo, o bar era o de menos.
Mas naquele dia havia algo especial que sentia no fundo do coração que aquele não seria seu destino para sempre. Conseguiria aquele bico e daria o seu melhor. Se em uma noite conseguisse o valor de um carro, podia pagar sua escola, cursos, a faculdade, todas as suas contas e até Jason. Não dependeria de ninguém e esfregaria na cara de Liam que não precisava dele pra nada.
O treinador entrou no vestiário com dois homens.— Silêncio!Ninguém calou.— CALEM A BOCA!Aos poucos.— Temos representantes universitários aqui.Mason congelou.Um deles chamou seu nome.— Mason Price.Levantou.— Seu desempenho esportivo é excelente.— Obrigado.— Suas notas não.Todos riram.Mason fechou os olhos.— Eu sei.— Mas melhoraram.Silêncio.— Queremos oferecer uma vaga condicional. Se concluir o ano mantendo a melhora acadêmica, haverá bolsa esportiva.Mason ficou parado.— Está falando sério?— Muito.O vestiário explodiu.Jason provavelmente ouviria o grito do outro lado da cidade.Depois outro representante chamou:— Yuri Vicente.Yuri arregalou os olhos.Mason sorriu.— Vai lá, capitão.Yuri deu um soco leve no ombro dele. Os dois haviam conseguido. Nenhuma coleira. Nenhum cheque. Nenhum pai. Nenhuma mulher rica. Eles.--Laissa esperou Mason do lado de fora. Ele apareceu ainda molhado, mochila no ombro e sorriso enorme. Ela tentou manter a elegância. Falhou. Mason
Yuri chegou ao treino disposto a destruir Mason.Não literalmente.Talvez um pouco.O pai passara a semana lembrando-o de que havia perdido a braçadeira.Comparando-o com o irmão.Perguntando quando voltaria a ser alguém importante.Yuri tinha o segredo perfeito.Laissa.Mason.A coleira.O patrocínio.Bastava falar.Uma fotografia.Um comentário.Uma mensagem anônima para o diretor.Mas, antes de entrar no campo, encontrou Mason sozinho no vestiário.— Preciso falar com você.Mason nem levantou.— Se for Laissa, não.— Não é.— Milagre.Yuri sentou.— Vou contar.Mason olhou.— O quê?— Tudo que sei.A expressão dele mudou.— Para quem?— Diretor. Treinador. Talvez meus pais.Mason levantou.— Você é um filho da—— Senta.— Não me manda sentar.— Então fica em pé e escuta.Mason ficou.Yuri respirou.— Eu preciso da braçadeira.— Então j**a melhor.— Não é tão simples.— Pra mim também não.— Meu pai disse que eu fui uma vergonha.Mason se calou.Yuri contou.O irmão perfeito.As bols
Jonathan abriu a porta e encontrou Mariane chorando.— O que aconteceu?Ele entrou.Tentou falar.Não conseguiu.Ele a abraçou.— Foi a Laissa?Mariane chorou ainda mais.— Dessa vez fui eu.Sentaram.Ela contou tudo.Mason.Jason.Terreno.Mentiras.Jonathan escutou até o fim.— Ele tem razão — ela disse.— Em estar bravo?— Em tudo.Jonathan suspirou.— Você passou anos tentando não perder esse emprego.— E comecei a perder todo o resto.Ele ficou em silêncio.— Eu te amo, Mari. — Ela olhou. — Mas não quero viver esperando sua chefe ligar.Mariane fechou os olhos.— Eu sei.— Não quero que deixe sua carreira. Só quero que exista uma parte da sua vida onde ela não manda.Mariane pensou em Laissa.Depois em Mariane Price.Duas mulheres completamente diferentes.Uma mandava.Outra obedecia.E, entre elas, Mariane passara anos fazendo as duas coisas.Obedecendo Laissa.Mandando em si mesma que precisava aceitar.Levantou.— Onde vai?— Trabalhar.Jonathan fez uma cara incrédula.— Sério?
— Está fazendo o quê?— Nada.— Então faça nada mais longe.Ele riu.— Bom dia, mestra.Laissa fechou os olhos outra vez.— Melhor.Mason olhou para o teto.Pela primeira vez desde que entrara naquele mundo, não se sentia comprado.E isso tornava tudo muito mais perigoso.Porque agora tinha alguma coisa de verdade a perder.Jason não acreditava em coincidências.Talvez porque a vida tivesse lhe ensinado cedo demais que quando coisas estranhas começavam a se encaixar, normalmente havia uma desgraça escondida atrás.Mason tinha dinheiro.Muito mais do que deveria.Mason dormia fora.Mariane buscava Mason.Laissa patrocinara a escola.Laissa comprara o terreno.E, acima de tudo, Mason tinha marcas.Jason conhecia marcas.Conhecia dinheiro.Conhecia homens e mulheres pagando para possuir horas da vida de outra pessoa.Conhecia aquela sensação de ter dinheiro no bolso e nenhuma vontade de explicar de onde veio.Por isso, quando Mason entrou no bar perto do meio-dia usando uma camisa larga d
— Sente.— Prefiro ficar em pé.— Não foi um pedido.Mason ficou olhando para ela. Depois sorriu de canto. — Hoje não, Laissa.O sorriso de Laissa desapareceu. Não porque tivesse sido desobedecida. Mas porque não havia agressividade na recusa. Apenas firmeza.— Interessante.— Quero conversar primeiro.— Está começando a ficar muito exigente para alguém que apareceu sem convite.Mason caminhou até a mesa. Tirou um envelope do bolso. Colocou diante dela. Laissa reconheceu. Dinheiro. O último pagamento.— O que é isso?— Tudo que sobrou.— Não pedi devolução.— Eu sei.— Então leve.— Não.Ela levantou.— Mason.— Não quero mais.Silêncio.— Dinheiro?— Por sexo.Laissa ficou completamente parada.Ele respirou fundo.— Vou continuar pagando minhas coisas com o que já tenho. Vou trabalhar no bar, jogar, tentar melhorar minhas notas e conseguir uma bolsa.— E acha que vai conseguir fazer tudo isso sozinho?— Preciso tentar.— Orgulho idiota.— Talvez.Mason aproximou-se.— Mas se eu contin
— Eu estou falando sério. Você não vai dormir com ele.Silêncio. Laissa ficou completamente imóvel.— Repita, se tiver coragem.Mason engoliu em seco.— Não dorme com Yuri.— Você está me proibindo?— Estou pedindo.— Não parece um pedido.Mason respirou. Tentou novamente.— Por favor.Aquilo pareceu atingir Laissa de maneira diferente. Mason nunca pedia. Brigava. Reclamava. Desafiava. Fugia. Mas não pedia daquele jeito.— Por que eu deveria aceitar?— Porque eu não quero outro cara com você.— Isso ainda não responde.— Responde sim.— Não.Laissa aproximou-se ainda mais.— Quando começamos isso, não estabelecemos exclusividade. Você recebia para estar comigo. — Mason desviou os olhos. — Nunca me pediu namoro. Nunca disse que queria ser o único. Então não apareça agora querendo colocar uma coleira em mim, Mason Price. — Ele tornou a encará-la. A frase acertou em cheio. — Você pode usar uma porque escolhe usar. Eu não. Eu não pertenço a você. Não pertenço à sua vontade. Então entenda







