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Capítulo 46

Autor: A. OLIVEIRA
last update Data de publicação: 2026-09-05 04:03:48

Antônio ficou parado ali por um segundo, o braço ainda firme em volta da minha cintura, os olhos fixos em Lucas com uma frieza que eu nunca tinha visto naquele rosto antes, nem nos momentos mais tensos que já tínhamos vivido juntos.

— Algum problema aqui? — repetiu, dessa vez mais devagar, cada palavra pesando como um aviso.

Lucas engoliu em seco, o corpo inteiro se recompondo na hora, os punhos se abrindo, a postura desmoronando de um jeito quase cômico assim que percebeu quem estava na minha
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  • O acordo perfeito   Capítulo 111

    Às 07:00 da noite, o carro parou na frente da mansão. O Antônio desceu primeiro, deu a volta e abriu a minha porta com aquela cerimônia que eu ainda não tinha me acostumado a achar normal. Antes de descer, varri a rua com os olhos, de ponta a ponta: os carros estacionados, as janelas dos vizinhos, a esquina escura. Nenhum vulto, nenhum farol aceso, nenhum sedã cinza. Só um gato atravessando a calçada. Mesmo assim, a minha nuca ficou arrepiada. Entramos juntos, o hall quente, a casa inteira cheirando a lençol limpo. A Dona Rosa nos esperava com os olhos brilhando e nos levou, quase correndo, até a suíte azul do primeiro andar, pronta como um quarto de hotel de cinco estrelas: lençóis de percal, flores frescas na mesinha, toalhas dobradas, e uma bandeja com água aromática e água comum, para eles escolherem qual preferem tomar a noite.— Dona Rosa, muito obrigada — falei, com a voz embargada, passando a mão numa toalha dobrada. — De verdade. Os meus pais nunca tiveram tanto luxo na vida.

  • O acordo perfeito   Capítulo 110

    O resto da sexta passou tão tranquilo que eu desconfiei do relógio.O Lucas ficou na dele, o dia inteiro, revisando planilha com a cara de quem estava ocupado demais pra ser vilão. Da Júlia, nem sinal. Como a gente não trabalha no mesmo setor, tentei descobrir por fofoca, perguntando aqui e ali na copa e no corredor, mas ninguém comentou nada. Parecia que estava tudo tranquilo, e foi justamente isso que me deixou inquieta. Deixei o gravador ligado na gaveta o dia inteiro, trocando a pilha às 15:00h, como quem alimenta um bicho de estimação, e não captei nem um suspiro. Almocei na copa com a Renata e a Bruna, que passaram mais de quarenta minutos discutindo o que a gente ia vestir no jantar de noivado, e eu só concordei com a cabeça, rindo, enquanto a minha cabeça já estava a quinhentos quilômetros dali.Porque, no dia seguinte, finalmente iria ver meus pais.A minha mãe ligou às 14:10h, no meio da tarde, e eu atendi no corredor, com o coração disparado.— Filha, o seu pai está insupor

  • O acordo perfeito   Capítulo 109

    Acordei às 03:10 da manhã sem saber por quê.O quarto estava azul de luar, o ar-condicionado zumbindo baixinho, os lençóis embolados nos meus pés. Demorei um segundo pra entender o que tinha me tirado do sono. Não foi barulho. Foi silêncio demais. Daquele que parece que alguém prendeu a respiração do outro lado da parede.Virei de lado.O Antônio dormia ao meu lado, de bruços, sem camisa, um braço dobrado debaixo do travesseiro e o outro esticado na minha direção, com a mão aberta sobre o lençol, como se, mesmo dormindo, estivesse me protegendo. O luar desenhava uma linha prateada ao longo das costas dele, descendo pela curva do ombro, e a respiração subia e descia tão pesada, tão tranquila, que fiquei um bom tempo só olhando.Ele não parecia um CEO que vivia apagando incêndios, nem o filho que ouvia sermão do pai, nem o homem que tinha trancado uma porta por causa de uma traição. Parecia um menino que, depois de muito tempo, tinha finalmente aprendido a dormir.Eu o amava.Não adiant

  • O acordo perfeito   Capítulo 108

    Ele tinha esperado a Júlia sair. Entrou sem bater, as mãos nos bolsos, o olhar de quem acabou de ver uma cena engraçada e finge não ter visto.No instante em que ele entrou, deslizei a mão pra dentro da gaveta, sem desviar os olhos dele, e apertei o botão. A luzinha vermelha acendeu no escuro da gaveta.— Está tudo bem? — perguntou, com um sorriso de canto. — Eu ouvi um barulho.— Controla a sua namorada. — Eu não elevei a voz dessa vez. Falei devagar, pausada, cada palavra caindo como pedra. — Ela está me ameaçando.Ele arregalou os olhos, num susto tão exagerado que dava pra rir.— Do que você está falando? A Júlia não machucaria nem uma formiga.— Lucas.— Sério, Angel. Você anda estressada. Isso de ficar vendo ameaça em tudo... — Ele fez um gesto vago com a mão, quase compadecido. — Eu posso te ajudar com alguma coisa?— Só se for assunto de trabalho. — Apontei a porta. — Se não for, pode se retirar.Ele ficou me olhando por três segundos, calculando. Depois deu de ombros, um sorr

  • O acordo perfeito   Capítulo 107

    Na manhã seguinte, o dia começou como todos os outros nas últimas semanas: com o Antônio no volante, a mão dele na minha, e a certeza idiota de que nada podia dar errado. Eu devia ter desconfiado. Em novela, quando tudo está bonito demais, é porque o vilão está só afinando a trilha.Até as 10:00 horas, o Lucas apareceu três vezes na minha sala. A primeira, pra perguntar se eu preferia o relatório em PDF ou impresso. A segunda, pra confirmar um horário de reunião que eu tinha confirmado por e-mail na véspera. A terceira, pra me avisar que ia almoçar mais tarde. Eram perguntas inúteis, ele apenas queria me lembrar de que estava por perto, respirando no mesmo andar e isso estava me irritando muito, mas eu respondia a todas com a mesma cordialidade seca, o sorriso colado, a caneta vermelha por cima da mesa pronta pra jogar nele, caso me sentisse ameaçada.Às 11:30h, as batidas na porta vieram curtas, e eu levantei a cabeça sem esperar ninguém. Muito menos ela.— Posso entrar?A Júlia já e

  • O acordo perfeito   Capítulo 106

    Cheguei na minha sala com as mãos geladas. Fechei a porta, encostei nela e fiquei ali, de olhos fechados, repetindo a frase como quem decora uma lição: "Quando ele perder a pobre noiva dele." Perder. Peguei um bloco de notas e escrevi tudo, palavra por palavra, com a data e a hora. Duas vezes. Se um dia eu desaparecesse e alguém viesse me procurar, teria pistas ali, na minha sala: uma folha dobrada entre dois livros decorativos na minha estante, a outra na gaveta de baixo, embaixo das pastas, e o gravador no fundo da gaveta de cima, apenas com minha conversa com o Lucas, que não era nada incriminador ainda. Precisava trazer a Júlia pra sala, para tentar coletar alguma prova contra ela.Pensei em ligar pro Antônio. Abri o nome dele no celular, e o dedo ficou parado em cima. Mas não liguei. Como eu ia contar aquilo, se o Antônio nunca soube o que o Lucas e a Júlia tentaram fazer comigo no lago?Eu tinha medo de como ele reagiria. Conhecia o Antônio o suficiente pra saber que ele ia fica

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