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Capítulo 6 - Ameaça

Author: Dona Alencar
last update publish date: 2026-10-16 01:31:41

A Ameaça

Henrique passou a manhã tentando descobrir a origem da mensagem anônima. Clara, apesar da preocupação, recusou-se a abandonar o trabalho.

— Não vou me esconder — afirmou.

— Não estou pedindo que se esconda. Estou pedindo que tenha cuidado.

— Então fique perto.

A resposta fez Henrique perder o fôlego por um instante.

— Pretendo.

A equipe de segurança rastreou a mensagem até um aparelho descartável, ativado nas proximidades da empresa. As câmeras mostraram apenas uma pessoa de capuz entrando no estacionamento.

Clara observou as imagens várias vezes.

— Pare aqui — pediu.

Henrique congelou o vídeo.

— O que você viu?

— O relógio.

No pulso da pessoa havia um relógio prateado com uma pequena marca azul.

— O advogado usa um igual — disse Henrique.

— Mas isso não prova nada.

— Não. Porém, é um começo.

Henrique chamou o advogado para uma conversa. O homem negou qualquer envolvimento, mas sua reação foi nervosa demais. Enquanto ele falava, Clara percebeu que o celular dele vibrava repetidamente.

— Quem está ligando? — perguntou.

— Ninguém importante.

Henrique estendeu a mão.

— Mostre o telefone.

O advogado recuou.

— Não tem direito de—

— Tenho quando alguém ameaça minha funcionária dentro da minha empresa.

O homem saiu da sala abruptamente. Henrique ordenou que a segurança o acompanhasse, mas, quando chegaram ao estacionamento, ele já havia desaparecido.

Naquela noite, Henrique levou Clara para sua casa, um apartamento amplo e silencioso no último andar de um edifício luxuoso.

— Você ficará aqui até descobrirmos quem está por trás disso — disse ele.

Clara olhou ao redor.

— E você?

— Também.

— Isso parece uma péssima ideia.

— Concordo.

— Então por que estamos fazendo?

Henrique sustentou seu olhar.

— Porque quero protegê-la. E porque, se você ficar sozinha, vou passar a noite imaginando todos os perigos possíveis.

Clara suspirou.

— Você é sempre tão controlador?

— Não com quem não me importa.

A sinceridade suavizou sua expressão.

— Vou dormir no quarto de hóspedes.

— Eu sei.

— E não tente entrar lá.

— Clara, eu mal consigo me aproximar sem pedir permissão.

Ela sorriu.

— Está aprendendo.

Mais tarde, enquanto Henrique preparava café, Clara encontrou uma fotografia antiga sobre a estante. Nela, ele aparecia ao lado de um homem mais velho.

— Seu pai?

Henrique ficou imóvel.

— Sim.

— Ele fundou a empresa?

— Começou tudo. Eu assumi depois que ele morreu.

— Vocês eram próximos?

Henrique demorou a responder.

— Éramos. Mas brigamos antes de ele morrer. Eu queria expandir a empresa; ele achava que eu estava transformando tudo em uma competição.

— E quem estava certo?

— Talvez os dois.

Clara se aproximou.

— Você ainda sente culpa.

— Todos os dias.

Ela tocou de leve seu braço.

— Não pode mudar o passado.

— Mas posso evitar repetir os erros.

Henrique olhou para a mão dela sobre seu braço.

— É isso que estou tentando fazer com você.

Clara não retirou a mão.

— Então não me trate como alguém que precisa ser salva.

— Está bem.

— Trate-me como sua parceira.

— Está bem.

O silêncio entre eles se tornou íntimo. Henrique tocou o rosto dela, esperando uma reação. Clara não recuou.

O beijo dessa vez foi mais demorado, mas ainda cuidadoso. Não havia pressa, apenas a descoberta de algo que ambos tentavam controlar havia semanas.

Quando se afastaram, Clara encostou a testa na dele.

— Isso ainda é uma péssima ideia.

— Sem dúvida.

— E você ainda é um homem complicado.

— Também sem dúvida.

Ela riu baixinho.

Então o alarme do apartamento disparou.

Henrique imediatamente se afastou e pegou o telefone. A equipe de segurança informou que alguém havia tentado abrir a porta de serviço do prédio.

Clara ficou pálida.

— Ele nos encontrou.

Henrique segurou sua mão.

— Fique atrás de mim.

— Parceiros, lembra?

Ele assentiu.

— Então fique ao meu lado.

Os dois seguiram até a sala de monitoramento, onde as câmeras mostravam uma figura entrando pela garagem. O rosto estava escondido, mas o relógio prateado aparecia claramente.

Henrique chamou a polícia e bloqueou os elevadores. Minutos depois, os seguranças encontraram o invasor tentando fugir pela escada.

Era o advogado.

Ao ser detido, ele confessou que trabalhava para um grupo interessado em assumir o controle da empresa. Marcelo havia sido apenas o primeiro envolvido. As ameaças contra Clara tinham sido feitas para intimidar Henrique e fazê-lo abandonar a investigação.

Quando tudo terminou, Clara sentou-se no sofá, ainda tremendo.

Henrique ajoelhou-se diante dela.

— Você está bem?

— Estou. Só assustada.

— Eu sinto muito.

— Você não fez isso.

— Mas coloquei você no meio.

Clara segurou o rosto dele.

— Eu escolhi ficar.

Henrique fechou os olhos por um instante.

— Não sei o que faria se algo acontecesse com você.

— Então não pense nisso.

— É impossível.

— Por quê?

Ele abriu os olhos.

— Porque eu amo você.

Clara ficou completamente imóvel.

Henrique pareceu surpreso com as próprias palavras, mas não voltou atrás.

— Eu sei que é cedo. Sei que tudo aconteceu rápido. Mas é a verdade.

Clara sentiu os olhos marejarem.

— Você não pode dizer isso depois de uma noite como esta.

— Posso. Porque o medo deixou claro o que eu já vinha tentando negar.

Ela sorriu entre lágrimas.

— Você é mesmo um CEO safado.

— E você é a única mulher que conseguiu me fazer querer ser melhor.

Clara o beijou novamente, dessa vez sem hesitação.

Lá fora, a cidade continuava iluminada. Dentro daquele apartamento, entre perigos e segredos, os dois finalmente deixaram de lutar contra o que sentiam.

Mas, em algum lugar, alguém ainda observava a empresa.

E a ameaça estava apenas começando.

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