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Sete

Author: Autora R
last update publish date: 2026-02-02 15:53:52

Meu nome é Daniel Moreti.

E isso deveria significar poder, controle, frieza.

Mas tudo isso se tornou ruído desde Lara.

Eu já mandei homens para a morte sem perder o sono. Já negociei vidas como se fossem fichas de pôquer. Ainda assim, aquele beijo roubado na penumbra da boate… aquilo me desarmou. A lembrança ardia como fogo lento, queimando por dentro, atravessando minha pele, bagunçando uma mente que sempre foi calculista.

Ela dançava como se o mundo não tivesse sido cruel com ela. E, ainda as
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  • O mafioso terrível está obcecado por mim    Oito

    O camarim cheirava a pó de arroz, laquê barato e nervosismo. Lara ajustava a alça do figurino com mãos firmes demais para alguém que dizia a si mesma estar calma. O espelho devolvia seu olhar — forte, treinado, mas cansado. Aquela boate já não era mais apenas um palco. Desde a compra, tudo ali tinha mudado. Inclusive ela.A porta se abriu sem aviso.Lara não precisou virar para saber quem era.Daniel Moreti não fazia barulho. Ele simplesmente ocupava o espaço, como se o lugar sempre tivesse sido dele. O silêncio que se instalou foi mais pesado que qualquer música do salão.— Você demora — ele disse, a voz baixa, controlada.Ela engoliu em seco. Tentou responder, mas as palavras ficaram presas. Havia semanas que lutava contra aquilo — contra o olhar dele, contra a forma como ele parecia enxergá-la além do palco. Contra o medo misturado com algo ainda mais perigoso.Ele se aproximou. Não tocou nela de imediato. Daniel nunca precisava apressar nada.— Você sabe por que eu estou aqui — co

  • O mafioso terrível está obcecado por mim    Sete

    Meu nome é Daniel Moreti.E isso deveria significar poder, controle, frieza.Mas tudo isso se tornou ruído desde Lara.Eu já mandei homens para a morte sem perder o sono. Já negociei vidas como se fossem fichas de pôquer. Ainda assim, aquele beijo roubado na penumbra da boate… aquilo me desarmou. A lembrança ardia como fogo lento, queimando por dentro, atravessando minha pele, bagunçando uma mente que sempre foi calculista.Ela dançava como se o mundo não tivesse sido cruel com ela. E, ainda assim, eu sentia que tinha sido.A porta do escritório se abriu sem cerimônia.— Chefe — disse um dos meus homens, jogando um envelope grosso sobre a mesa. — Tudo o que conseguimos sobre a garota.Lara.Abri o dossiê com impaciência contida. Fotos simples. Nome completo. Endereços. Depois, as linhas que fizeram algo raro acontecer: meu rosto relaxar.Órfã.Sistema de acolhimento.Mudanças constantes.Trabalhando à noite para sobreviver.E então, quase escondido entre dados frios, um detalhe que me

  • O mafioso terrível está obcecado por mim    Seis

    A boate nunca esteve tão silenciosa.Não porque a música tivesse parado — ela pulsava como sempre —, mas porque o ar estava diferente. Tenso. Os garçons se moviam com cuidado exagerado, os seguranças evitavam olhar para o camarote central, e o dono da casa suava como se estivesse prestes a desmaiar.Daniel Moretti não negociava.Ele determinava.O envelope grosso repousava aberto sobre a mesa do escritório. Dentro, dinheiro suficiente para quitar dívidas, comprar outra boate, desaparecer por alguns anos se quisesse.— Feche — Daniel disse, a voz calma demais. — Hoje. Agora.— Mas… os clientes… — o homem tentou.Daniel ergueu os olhos lentamente.— Todos vão embora — completou. — A casa é minha esta noite.Não houve discussão. Em menos de quinze minutos, o local foi esvaziado com desculpas mal elaboradas: problemas elétricos, inspeção surpresa, emergência técnica. As luzes diminuíram. As portas se fecharam.Restaram apenas Daniel, seus homens espalhados como sombras, e uma dançarina qu

  • O mafioso terrível está obcecado por mim    Cinco

    Daniel O sangue ainda escorria quando Lara o puxou para dentro de casa.Ela não sabia quem ele era. Não sabia do nome, do passado, nem do preço que aquela ajuda custaria. Só viu um homem ferido, pálido, com os olhos escuros queimando de dor e urgência, e fez o que sempre fez desde que a vida a endurecera cedo demais: ajudou.Daniel mal se lembrava de como chegou ali. Apenas flashes — os capangas traidores, o disparo ardendo no flanco, a corrida cega pelas ruas molhadas, e então aquela mulher. Lara. Voz firme, mãos trêmulas, mas decididas.Ela limpou o ferimento, costurou como pôde, ficou acordada a noite inteira. Ele observava em silêncio, guardando cada detalhe: o jeito como ela mordia o lábio ao se concentrar, o medo disfarçado por coragem, a bondade imprudente.Na manhã seguinte, quando ela finalmente dormiu no sofá, Daniel foi embora.Sem adeus. Sem explicações.Porque homens como ele não deixam rastros… só consequências.Meses depois, o nome Daniel Moretti fazia as famílias da c

  • O mafioso terrível está obcecado por mim    Quatro

    Lara passou a noite inquieta.Mesmo cansada, o sono vinha em fragmentos curtos, interrompidos por sonhos confusos e pela sensação constante de que algo a observava do outro lado da porta. Cada ruído do prédio parecia ampliado. Um passo no corredor. Um elevador distante. O vento batendo contra a janela. Tudo fazia seu corpo reagir antes da mente.Quando o dia amanheceu, ela estava exausta.Ainda assim, levantou-se. Não tinha escolha. A faculdade agora fazia parte da sua rotina, e desistir antes mesmo de começar não era uma opção. Vestiu-se com as mesmas roupas simples do dia anterior, prendeu o cabelo e saiu, tentando ignorar o aperto persistente no estômago.O campus estava mais movimentado naquela manhã.Grupos de estudantes caminhavam juntos, riam alto, falavam sobre matérias, festas e professores renomados. Lara atravessava aquele espaço como quem entra em território estrangeiro. Sentia-se deslocada, não por falta de inteligência ou capacidade, mas por algo mais sutil e cruel.Ela

  • O mafioso terrível está obcecado por mim    Três

    A noite já estava avançada quando Lara deixou a boate. O brilho do néon ficou para trás assim que ela atravessou a porta, e o ar frio da rua tocou sua pele como um lembrete brusco da realidade. Ela puxou o casaco para mais perto do corpo e começou a caminhar em direção ao ponto de ônibus, os saltos agora guardados na bolsa, substituídos por passos mais silenciosos.A rua estava quase vazia.No começo, ela não soube dizer exatamente quando a sensação surgiu. Não foi um som específico, nem um movimento claro. Foi algo mais instintivo, um arrepio que percorreu sua nuca, como se alguém a observasse atentamente. Lara diminuiu o passo por reflexo e olhou de relance para o outro lado da rua.Nada.Continuou andando. Alguns metros depois, ouviu o ruído baixo de um motor. Um carro preto avançava devagar, sem pressa, acompanhando o ritmo dela. Não era incomum ver carros àquela hora, mas algo naquele movimento controlado demais fez o estômago de Lara se contrair.Ela acelerou o passo.O carro ta

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