INICIAR SESIÓNMeus primeiros dias na Aethelgard Capital & Holdings não estavam sendo fáceis. Eu estava exausta, mas, ao mesmo tempo, feliz. Estava aprendendo muito e fazendo novas amizades, embora, por enquanto, apenas com as meninas da limpeza e do setor de cópias.
As pessoas do meu próprio setor e de outros departamentos por onde precisei passar não eram muito amigáveis. Parecia haver muitas "Kátia" espalhadas pelos corredores, medindo-me da cabeça aos pés. Aquela aura constante de negatividade e falsa superioridade dia após dia parecia sugar todas as minhas energias. … Já passava das três horas da tarde. O tempo parecia voar, e eu precisava voar junto. A secretária do CEO havia me pedido para pegar os fechamentos bimestrais, organizá-los em pastas e distribuí-los pela imponente mesa da sala de reuniões. O motivo? Uma consulta médica de última hora. Faltavam apenas alguns minutos para o encontro começar. Como ela tinha coragem de me jogar uma responsabilidade daquelas bem em cima da hora? Estava organizando tudo com a respiração acelerada, pensando: se ela não estivesse com aquele barrigão de grávida, ia escutar poucas e boas... Quem eu estava querendo enganar? Com certeza não teria coragem de falar metade do que pensava. De repente, um bater de palmas estalado ecoou bem atrás de mim. Dei um salto de susto. Me virei de supetão para ver quem era, e o fôlego quase me faltou. Era um homem de trajes impecáveis, alto, de uma beleza estonteante. E, coroando tudo aquilo, um sorriso de canto, absolutamente maligno, desenhava-se em seu rosto. — Desculpa, não queria te assustar, achei que era a Morena — disse sorrindo, parecendo divertir-se com a situação. Morena, pelo visto, era o apelido carinhoso de Helena, a secretária do CEO. Tentei recolher os pedaços da minha dignidade, recuperei a compostura e expliquei, totalmente sem jeito, que ela havia tido um imprevisto médico e me pedido para quebrar esse galho. — Está ótimo, muito obrigado, disse ele, estendendo a mão com firmeza. — Muito prazer. Pelo visto você é nova por aqui. Meu nome é Alexander. Alexander? Seria Alexander Aethelgard? O próprio CEO? Engoli em seco, tentando me recompor enquanto gaguejava meu nome em um fio de voz. Meu fôlego tinha sumido de vez. Apressei-me em dizer que já estava tudo pronto, desejei uma boa reunião e praticamente fugi da sala, deixando-o lá, analisando os documentos com aquele olhar calculista antes de os outros entrarem. No elevador, a caminho de volta para o meu andar, dei de cara com a minha chefe, a elegante Mara. — Você por aqui? — disse ela, sorridente, mas com um misto de surpresa e confusão. — Sim, vim deixar os relatórios para a reunião — respondi, tentando disfarçar o coração ainda acelerado. — Ah... a reunião com o Alexander? — perguntou ela, arqueando as sobrancelhas, parecendo ainda mais intrigada por me ver envolvida com o alto escalão. Expliquei rapidamente que estava apenas quebrando um galho para a Helena, que precisara voar para uma consulta médica de última hora. ... Eu havia conhecido a Helena logo nos meus primeiros dias de trabalho, bem ali no setor de cópias. Estava aguardando para usar a máquina quando ela apareceu com um barrigão enorme de grávida. Não resisti, brinquei com o tamanho da barriga e perguntei se ela precisava de ajuda para carregar o volume. Foi o suficiente para a conversa engatar. Ela era completamente diferente dos demais funcionários: doce, carismática e de uma alegria contagiante. Nos cruzamos poucas vezes pela empresa depois daquilo, mas todas as ocasiões rendiam ótimos papos. Eu gostava muito dela, até porque era uma das poucas pessoas que parecia realmente me notar ali dentro. Pelo visto, o sentimento era recíproco; na primeira oportunidade de aperto, foi a mim que ela recorreu, como se eu fosse a única no mundo em quem ela confiava para quebrar aquele galho.Com o apartamento finalmente impecável e o cheiro de casa nova se espalhando pelos cômodos, naquela quinta-feira pela manhã aproveitei para arrumar as malas, pois aproveitaria o restante da semana flexível para matar a saudade do meu pai. Levantei bem cedo, antes mesmo de o sol despontar por completo no horizonte, joguei alguns itens essenciais em uma mala pequena de bordo e chamei um táxi rumo ao aeroporto. Já devidamente acomodada na poltrona do avião, observando através da pequena escotilha o mar infinito de nuvens branquinhas lá fora, lembrei-me da foto provocante que Alexander havia me enviado no dia anterior. Um sorriso travesso e ligeiramente audacioso brotou nos meus lábios. Decidi, ali mesmo, que não deixaria aquela provocação barato. Tirei uma foto discreta e bem enquadrada mostrando a janela da aeronave, com a asa cortando o céu azul, mas segurei o envio por algum tempo. Fui estrategista: esperei pacientemente o pouso, a jornada de carro até a pequena e aconchegante
Poder trabalhar de casa remotamente estava se provando uma verdadeira bênção disfarçada em meio ao caos da rotina. Já se haviam passado três dias completos desde que ele embarcou rumo ao exterior, e ainda não me ligou para nenhuma demanda urgente ou imprevisto de última hora, o que, por um lado, era excelente, pois provava matematicamente que a nossa organização prévia da agenda e o alinhamento de relatórios haviam funcionado com precisão cirúrgica.Por outro lado, confesso sem hesitar que havia um estranho e incômodo vazio na minha rotina. O silêncio do meu home office parecia ecoar a falta daquela presença marcante.Aproveitei o tempo livre ganho com a flexibilidade de horários e o ritmo mais dinâmico para colocar praticamente tudo em ordem no meu novo apartamento. Entre dezenas de caixas de papelão desencaixotadas, cortinas leves penduradas nas janelas e alguns detalhes delicados de decoração espalhados pela sala, o espaço finalmente começava a ter cara de "casa de moça". Antes
O tempo parecia passar ainda mais rápido na presença daquele homem, como se os ponteiros do relógio conspirassem para encurtar os minutos em que eu estaria sob o seu campo de visão. O restante da semana transformou-se em um verdadeiro turbilhão, impulsionado pelo frenesi do remanejo das atividades, pelo alinhamento de relatórios e, sobretudo, pela iminência da longa viagem que ele faria para o exterior na segunda-feira ao amanhecer.Tudo precisava estar milimetricamente impecável, pois a agenda internacional dele para os dias fora incluía uma maratona exaustiva de reuniões estratégicas, jantares de negócios com executivos e palestras em grandes conferências. A cada documento que eu revisava, a sensação de que o espaço ao meu redor encolhia tornava-se mais palpável, um reflexo direto da pressão invisível que a ausência dele começava a projetar sobre o escritório.Quando finalmente chegamos à sexta-feira à tarde, o andar executivo parecia estranhamente silencioso, quase ecoando o vazi
No dia seguinte, Alexander chegou um pouco mais tarde do que o habitual, mas o que realmente chamou a atenção não foi o relógio, e sim o seu semblante. Seus traços normalmente tensos pareciam suavizados, desprovidos daquela rigidez característica que parecia fazer parte do seu terno feito sob medida.Ele trazia um sorriso discreto nos lábios e uma leveza incomum no passo; parecia que toneladas de peso haviam sido magicamente retiradas de seus ombros largos.Querendo ou não, aquela pausa com os velhos amigos de infância lhe fez bem. Fugir por algumas horas daquela redoma de vidro e concreto da holding parecia ter trazido de volta o homem por trás do cargo.Fiquei observando-o de relance enquanto ele cruzava a antessala, constatando que o CEO implacável e sempre carrancudo ficava absurdamente mais perigoso quando decidia sorrir. Havia algo magnético ali, uma descontração que parecia redefinir o espaço ao seu redor. E aquilo, por si só, era um perigo e tanto para o meu autocontrole recém
Já passava muito da hora de encerramento do expediente quando eles finalmente decidiram sair da sala privativa. Enquanto a algazarra ecoava, eu já havia corrido contra o tempo para reorganizar a agenda, remarcando e cancelando alguns compromissos menores daquela tarde que haviam sido atropelados pela visita surpresa.Estavam todos prontos para a famosa maratona de "algumas rodadas de bebidas" — como um dos amigos fez questão de anunciar em alto e bom som.A turma já ia saindo pela porta da antessala quando Alexander parou, olhou para mim com aquela expressão polida e se despediu:— Bom descanso, Alice. Obrigado por gerenciar o caos de hoje.Eu sorri educadamente, respirando aliviada por finalmente poder ir para casa descansar os pés. Mas, antes que eu pudesse responder, um dos amigos de infância dele se meteu, abrindo um sorriso malicioso:— Bom descanso o caramba! Ela vai com a gente!Fiquei completamente sem rumo, estacada no lugar, sem a menor ideia de como me comportar naquela arm
Já havia se passado uma semana inteira desde que eu assumira o cargo na sala do senhor Aethelgard — ou melhor, Alexander, como ele havia feito questão de exigir com aquela voz firme e autoritária que parecia vibrar no meu estômago.A vergonha paralisante do primeiro dia já tinha ficado para trás, mas o meu sistema nervoso parecia não ter recebido o memorando. Bastava que ele se levantasse da mesa, cruzasse o escritório ou respirasse um pouco mais perto para que as minhas pernas decidissem virar gelatina pura.O que diabos está acontecendo comigo? Eu me perguntava mentalmente, revirando os olhos para mim mesma enquanto fingia concentrar os olhos na planilha da tela do computador.Tudo bem, eu admitia: ele era absurdamente lindo, charmoso e dono de um porte físico que parecia ter saído diretamente de uma campanha de grife internacional. Mas o meu corpo precisava aprender urgentemente a se comportar! Afinal de contas, ele era meu chefe, o homem mais temido da diretoria... e, céus, bota s







