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Capítulo 3

last update publish date: 2026-11-02 03:39:15

O telefone de casa tocou logo cedo, quebrando o silêncio da manhã de sábado. Era a Mara. Além de mim, ela havia colocado outras três assistentes na chamada em conferência.

— Meninas, como hoje é sábado e só precisamos fazer aquelas alterações que passei para vocês após a reunião de ontem, vamos trabalhar de casa, anunciou ela, com aquela voz prática e decidida.

— Começo a reunião com vocês às 9:00 horas da manhã em ponto. Não se atrasem!

Durante a reunião online, a chamada foi interrompida por uma notificação na tela da Mara. Ela pausou a fala, olhou para o identificador e pediu um momento. No segundo em que bateu o olho no nome de quem estava chamando, o rosto dela ficou completamente pálido.

— É o Alexander, disse compassado e pensativa fazendo um sinal com a mão para aguardar.

Até eu, a mais nova do grupo, sabia: receber uma ligação direta do próprio CEO nunca era sinal de boa coisa.

O silêncio na chamada em conferência tornou-se absoluto. Todas nós ficamos estáticas, roendo unhas e morrendo de curiosidade, tentando captar qualquer fragmento de áudio do outro lado. Tudo o que consegui pescar foi a voz trêmula da Mara pronunciando o meu nome.

Mil e uma catástrofes começaram a rodopiar na minha cabeça. Fiquei amarela, sem ar, sentindo o coração disparar em uma taquicardia violenta. Os documentos da reunião de ontem só podiam estar errados! Será que havia vazado alguma informação sigilosa daqueles fechamentos bimestrais? E, pior: será que a culpa ia cair direto nas minhas costas só porque fui eu quem os organizou e distribuiu na mesa?

Alguma coisa muito grave tinha acontecido para o próprio Alexander ligar pessoalmente para a chefe em pleno sábado pela manhã.

Ela desligou a chamada, respirou fundo e retornou à sala online. Antes que pudesse abrir a boca, nós as quatro patetas reunidas na tela, dissemos em uníssono, com exata a mesma carga de desespero:

— O que aconteceu?!

Ela nos encarou com um olhar sarcástico e um sorriso de canto de boca que não prometia nada de bom.

— A minha conversa é com a Alice... pausou, deixando o suspense se alastrar pela tela — ...no final desta reunião.

Senti o chão sumir sob os meus pés, fiquei meio tonta e o coração parecia bater fora do lugar. O restante daquela reunião online se transformou em uma verdadeira tortura chinesa; minha mente vagava em um loop de pânico, e eu não consegui reter uma única palavra do que foi dito.

Até que, milagrosamente — ou seria tragicamente? A Mara encerrou a chamada com as outras meninas e meu celular vibrou na mesma hora, chamando na linha direta.

Atendi ao telefone e mal consegui emitir um som. Do outro lado, a voz da Mara soou grave:

— Alice... você ainda está aí?

Naquele segundo, o meu cérebro decretou o pior. Eu não tinha passado pelo período de experiência. Estava sumariamente demitida, no meio de um sábado, por telefone.

— S-sim... respondi, engasgando no próprio sufoco, esperando o golpe final.

— Olha, eu tenho duas notícias para você: uma boa e uma ruim. A boa é que os bebês da Helena nasceram! Gêmeos. Por isso aquele barrigão enorme que ela ostentava, pensei.

O choque da revelação me atingiu em cheio, mas o meu desespero não diminuiu um milímetro. A pior parte ainda estava por vir. E, com o coração disparado na garganta, perguntei de imediato:

— E... qual é a ruim?

— A notícia ruim... na verdade, é ruim só para mim, disse Mara, soltando uma risada curta e debochada, tirando sarro da minha cara de pânico completo.

— O Alexander quer que você seja a secretária dele enquanto a Helena estiver de licença-maternidade.

Quase desmaiei ali mesmo, encostada na parede da sala. Eu não sabia se sentia um alívio imenso por não ter sido demitida ou um terror absoluto só de pensar em trabalhar o dia todo, cara a cara, com aquele homem intimidador.

— Mas como assim?! gaguejei, atropelando as palavras.

— Ele nem me conhece! Eu sou só uma assistente novata, não tenho experiência nenhuma para ser secretária de um CEO!

Enchi a Mara com uma metralhadora de perguntas e dúvidas, sem conseguir acreditar naquilo. Do outro lado da linha, ela soltou um suspiro divertido antes de me dar o golpe final:

— Olha, Alice, ele não entrou em detalhes. Só me disse que tinha que ser você. Segundo ele, se a Helena confiou o suficiente para te pedir ajuda numa emergência ontem, era porque você tinha o discernimento e a discrição necessários para a função. E, querendo ou não, o Alexander não costuma dar ponto sem nó.

Fiquei um bom tempo estirada ali no tapete da sala, com os olhos fixos no teto branco, tentando absorver o furacão que acabara de passar pela minha vida.

De repente, um estalo me fez lembrar das roupas da Helena, ou Morena, como o próprio CEO a chamara tão intimamente. Ela estava sempre impecável, elegante, parecendo ter saído de uma revista de moda corporativa.

Meu Deus... pensei, sentindo o desespero se renovar.

— Ele deve ser extremamente exigente com a imagem.

Levei as mãos à cabeça, apavorada: eu simplesmente não tinha roupas para aquele nível de exigência!

Até que uma luz brilhou no meio do caos: lembrei do cartão de crédito que meu pai me dera para emergências estritamente necessárias. Se aquilo ali não era uma emergência de grau máximo, eu não sei o que seria!

Não pensei duas vezes. Levantei do tapete de um pulo, corri para a cidade e fiz um verdadeiro arrastão nas lojas. Comprei algumas roupas com corte de alfaiataria, uma bolsa nova e elegante que passava longe das minhas mochilas de assistente, e ainda arrematei dois pares de sapatos novos. Tudo milimetricamente calculado para não fazer feio, e principalmente, para não dar motivos para o temido Alexander Aethelgard revirar os olhos diante de mim no primeiro dia.

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