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Capítulo 3 - John

Author: Lili Marques
last update publish date: 2026-02-24 10:41:52

Eu já havia lidado com esse tipo de problema: pessoas que não queriam seguranças como suas sombras até que realmente estivessem em perigo. Isso não mesmo me afetava mais. Anos na Cerberus me fizeram tolerante.

— Você vai ter toda a explicação assim que chegar em casa — Magie disse, tentando acalmar a fera de um metro e meio. — O irmão protetor ataca novamente.

— Ele não pode fazer isso! — Carla exclamou, batendo o pequeno pé no chão, como se fosse uma criança mimada.

Eu quis rir. Tanta teimosia em um corpo tão pequeno, mas a situação era séria demais para isso.

— Seu irmão está machucado e se sentindo mais do que impotente nesse momento — Magie falou mais uma vez, tentando trazer juízo à cabeça da outra, e eu me perguntei se ela teria gostado de ter um Alejandro para mantê-la segura no meio do inferno pelo qual passou. — Ele sente a necessidade de proteger vocês todas, e com a perna assim não vai conseguir. Então dê um desconto a ele, que só está querendo o seu bem.

— Você o defende agora porque não é com você! — Carla retrucou, irredutível, me dando vontade de curvá-la sobre o capô do carro e lhe dar umas palmadas para que deixasse de teimosia.

— Não estou defendendo-o. Estou lembrando o quão importante é o que ele está fazendo por você — eu quis gritar em comemoração por uma delas ao menos ter bom senso. — Algumas pessoas não têm essa mesma sorte!

Magie deu a volta e entrou no carro, parecendo um tanto melancólica — e eu até poderia imaginar o motivo. Mas Carla permaneceu do lado de fora por mais alguns segundos, me encarando como se eu fosse uma pedra em seu sapato que ela precisava remover.

Entrei no meu carro e saí logo atrás delas. Isso iria mudar em breve. Andaríamos juntos no mesmo carro, mas, por ora, deixaria que ela aproveitasse os últimos momentos de liberdade até que falasse com o irmão e eu assumisse sua proteção oficialmente.

Por sorte, o caminho até a casa de Alejandro não demorou. Mesmo assim, Carla mal esperou que Magie estacionasse o carro para pular fora dele, se apressando a entrar em casa — sem deixar de me lançar um olhar mortal.

Mal sabia ela que eu estava sorrindo por dentro, querendo dizer o quão boba era por estar com raiva de ter um segurança. Existiam coisas muito piores na vida do que ter alguém do seu lado vinte e quatro horas por dia para garantir seu bem-estar.

A segui, observando desde a entrada da casa até o quarto do irmão, analisando todos os pontos vulneráveis da propriedade e o que precisaria ser feito para melhorar a segurança.

— E então, como foi? — ouvi Alejandro gritar assim que alcancei o último degrau da escada, enquanto Carla já corria pelo corredor.

— Quem é esse homem que está me seguindo o tempo todo? — ela perguntou, colocando as mãos na cintura, parecendo um pequeno touro ranzinza.

Parei logo atrás dela, passando os olhos rapidamente pelo quarto, gravando tudo o que havia ali, mas meu olhar insistia em seu voltar para ela.

— Oi, John. Muito obrigado por ter vindo — voltei meus olhos para Alejandro, observando a perna engessada antes de dar um passo à frente, estendendo a mão para ele.

Normalmente, não faria algo tão formal assim, mas ele ainda não estava na minha lista de amigos próximos, mesmo que fôssemos todos gratos por ele ter ajudado Sophie.

— É um prazer poder ajudar.

— Eu não preciso de ajuda! — ela gritou ao meu lado, semicerrando o olho bom em minha direção. — Não quero ninguém atrás de mim, me seguindo como uma sombra.

— Tarde demais, querida. Assim que seu marido souber da queixa, vai querer ir atrás de você por vingança ou querendo tê-la de volta — Alejandro disse, repetindo exatamente o que pensei ao saber da história completa. — Então, para sua segurança, John vai garantir que o filho da puta não tenha chance de te causar mais mal do que já causou.

Ela bufou, soltando os braços, antes de sair batendo os pés contra a madeira, rebolando a bunda arrebitada. Mas, dessa vez, eu não fui atrás dela. Tinha outros assuntos para discutir com seu irmão.

— É normal reagir assim, logo ela vai se acalmar. Trabalhei por dois anos na empresa de Cris antes de pedir demissão e ir trabalhar exclusivamente para Patrick. Sei bem como são essas coisas.

— É bom saber disso. É bom saber que minha irmã está em boas mãos.

— Agora me conte mais sobre Carla e esse relacionamento deles — pedi, sabendo que precisava de toda informação pessoal, que não encontraria em nenhum lugar além de com alguém próximo.

Saber como o relacionamento dos dois começou e qual era o comportamento do ex-marido, quanto ele era bem visto por todos, era essencial para eu ter certeza de qual terreno estava pisando.

— Preciso pegar minhas coisas. Não consegui trazer nada quando fugi — Carla apareceu no quarto, avisando, sem nem ao menos se dignar a me olhar. — E tem que ser agora. Quero aproveitar enquanto Levi está no trabalho, porque assim que for suspenso, ele com certeza vai colocar fogo em tudo que for meu.

— Vamos no meu carro. Eu dirijo — respondi, apontando o caminho do corredor para ela, que travou um instante, me encarando como se quisesse arrancar minha cabeça.

— Ótimo! Se quer bancar o empregado, vai carregar todas as minhas coisas! — ela afirmou, passando por mim com a mesma fúria de antes.

Respirei fundo para me controlar — e só me dei conta do meu erro quando senti o perfume adocicado dela invadir minhas narinas, bagunçando meus sentidos.

— Será um prazer, senhorita.

Mas, assim que alcançou o portão, ela estancou no lugar ouvindo o celular tocar. Os ombros ganharam uma tensão que não estava ali nem mesmo com toda a raiva que estava sentindo por ter sua liberdade roubada. O corpo todo pareceu oscilar para frente e para trás. Então eu a segurei, colocando minhas mãos cuidadosamente no centro de suas costas, torcendo para que ela não estivesse machucada ali também.

— Ele... — ouvi um sussurro escapar de sua boca, e olhei por cima de seu ombro, vendo a foto do desgraçado preencher a tela enquanto o nome piscava em uma chamada.

Ela estava sem a armadura naquele momento. Não era mais a mulher durona cheia de raiva, mas sim uma mulher assustada a ponto de tremer apenas por ver uma foto através do telefone.

— Está tudo bem. Ele não pode te tocar através do celular — tentei garantir a ela, já pegando o aparelho de sua mão e colocando no meu bolso. — Ele nunca mais vai te tocar. T

eria que passar por mim primeiro.

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