ANMELDENCapítulo 3 — A Coroação
Narrativa do Autor O grande dia finalmente havia chegado. Durante anos, Ruivo, Noemi, Miúdo, Bárbara, Mago e Débora haviam preparado os filhos para aquele momento. Tinham ensinado tudo o que acreditavam ser necessário para que a nova geração assumisse o legado da família. Agora, pela primeira vez, seriam eles a dar um passo para trás. A cerimônia aconteceria naquela noite, em uma mansão luxuosa, afastada do movimento do Rio de Janeiro. O lugar havia sido preparado para receber os principais chefes dos morros ligados à facção e suas famílias. Mas, antes da festa, havia uma última missão para as mães. Transformar aquela noite em uma lembrança inesquecível. Noemi estava sentada diante do espelho enquanto uma cabeleireira finalizava seus cabelos. Ela observava o próprio reflexo e sorria discretamente. — Parece que foi ontem que eu estava segurando JN nos braços — comentou. Ruivo, parado na porta, sorriu. — E agora ele vai receber a nossa coroa. Noemi respirou fundo. — Nossa não. A dele. Ruivo se aproximou e beijou a testa da esposa. — Você sabe que uma parte de mim sempre vai enxergar aquele menino. — Eu também. Noemi estava linda em um vestido azul brilhante, elegante e adequado à ocasião. O tecido valorizava suas curvas sem esconder quem ela era. Ela se levantou. — E você? Já escolheu a roupa? Ruivo apontou para o terno. — Está ali. Noemi olhou. — Está bonito. — Só bonito? — Muito bonito. Ele sorriu. — Melhor assim. No outro quarto, Bárbara também se preparava. Aos quarenta anos, continuava sendo uma mulher de beleza marcante. Seus cabelos ondulados, quase crespos, estavam cuidadosamente arrumados, e o vestido de gala valorizava seu corpo. Ela observava sua filha diante do espelho. Hinara tem dezoito anos. Hinara havia escolhido um vestido elegante e delicado. — Você está linda — Bárbara disse. — A senhora também, mãe — Hinara respondeu. Miúdo apareceu na porta. Alto, forte, vestido de maneira impecável, ele parou ao ver a família. — Agora entendi por que demoraram tanto. Bárbara riu. — Homem não entende nada de preparação para uma festa. — Eu só queria saber se ainda vamos chegar a tempo. — Vamos. Ele olhou para a filha. — E você se comporta em? — Pai! Miúdo riu. — Só estou falando. Bárbara se aproximou dele. — Hoje não é uma noite qualquer. O sorriso de Miúdo desapareceu lentamente. — Eu sei. Ele olhou para a filha. Depois para Bárbara. — Amanhã, tudo será diferente. Hinara ficou em silêncio. Ela sabia que aquela noite também marcaria o fim de uma fase para a família. Na outra casa, Débora estava diante do espelho. Aos quarenta anos, mantinha uma beleza elegante. Seus cabelos loiros estavam cuidadosamente penteados, e seu vestido fazia seus olhos claros parecerem ainda mais marcantes. Mago entrou no quarto. — Está pronta? Ela virou-se. — Agora estou. Mago sorriu. — Você está linda. — Você também. Ele estava elegante, mas mantinha a postura firme que sempre o acompanhara. Débora se aproximou. — Você está preparado para entregar o lugar ao seu filho? Mago demorou alguns segundos para responder. — Não sei se um pai está preparado para isso. Ela segurou sua mão. — Mas ele está. Mago assentiu. — Alexandre nasceu para esse momento. Na mansão, os preparativos estavam concluídos. As luzes iluminavam o jardim, a música preenchia o salão e dezenas de convidados começavam a chegar. Os três herdeiros aguardavam em uma sala reservada. JN estava no centro. Vestia uma camisa preta elegante, aberta no colarinho, com um cordão de ouro contendo suas iniciais. MK estava ao lado dele, também de preto, usando um cordão com as letras MK. Alexandre, ainda conhecido por todos como Gigante, completava o trio. Seu cordão trazia as iniciais AG. Depois daquela noite, aquele seria seu novo vulgo. AG. Os três se olharam. — Chegou a hora — MK falou. JN respirou fundo. — Chegou. Alexandre sorriu de lado. — Então vamos fazer história. A porta se abriu. Ruivo entrou primeiro. Ao lado dele estava Noemi. Miúdo e Bárbara vieram logo depois. Mago e Débora fecharam o grupo. Por alguns segundos, ninguém disse nada. Os pais simplesmente olharam para os filhos. Havia orgulho nos olhos de todos. E também uma tristeza silenciosa. Porque aquela era a última vez que estariam juntos daquela maneira. — Venham — Ruivo chamou. Os três jovens se aproximaram. Ruivo colocou a mão no ombro de JN. — Eu passei muitos anos preparando você para esse dia. JN assentiu. — Eu sei. — Agora não vou mais estar ao seu lado para tomar as decisões por você. Noemi segurou a mão do filho. — Mas sempre estará no nosso coração. JN abraçou a mãe. Por alguns segundos, ninguém conseguiu falar. Do outro lado, Miúdo abraçou MK. — Faça valer a pena. — Vou fazer. Bárbara beijou o rosto do filho. — Nunca esqueça de onde veio. — Nunca. Mago aproximou-se de Alexandre. Os dois se encararam. — A partir de hoje, você não será mais apenas o Gigante da Rocinha. Alexandre levantou o queixo. — AG. Mago sorriu. — AG. Débora abraçou o filho com força. — Seja melhor do que nós. — Vou tentar. — Não tente — ela respondeu. — Faça. Pouco depois, as portas do grande salão se abriram. Todos se levantaram. As conversas cessaram. Marcola ocupava o lugar central preparado para a cerimônia. Os chefes presentes observavam atentamente. As gêmeas também estavam ali, acompanhando tudo ao lado da família. Era impossível não perceber o quanto aquele momento significava. Marcola ergueu-se. — Hoje não estamos aqui apenas para celebrar três jovens. Seu olhar percorreu o salão. — Estamos aqui para reconhecer uma nova geração. JN deu um passo à frente. Depois MK. Por último, Alexandre. As famílias observavam. Marcola chamou JN. — Jonathan. JN aproximou-se. — Você recebe hoje a responsabilidade de continuar o legado deixado por seu pai e por aqueles que vieram antes dele. A coroa foi colocada sobre sua cabeça. O salão permaneceu em silêncio. Então os aplausos começaram. JN respirou fundo. A partir daquele instante, era oficialmente o novo dono do Vidigal. Em seguida, MK foi chamado. — Marcos. Ele caminhou até o centro. — Você estará ao lado do novo dono. Não como sombra, mas como braço direito. A coroa simbólica foi colocada sobre ele. MK abaixou a cabeça por um instante. Depois ergueu os olhos. Os aplausos ecoaram novamente. Por fim, chegou a vez de Alexandre. Marcola o observou. — Alexandre, o Gigante. O jovem avançou. — A partir desta noite, seu nome será conhecido como AG. Alexandre recebeu a coroa. Mago e Débora se olharam. Era o momento que haviam esperado durante toda a vida. Os três jovens ficaram lado a lado. JN. MK. AG. A nova geração. As mães assistiam emocionadas. Os pais mantinham a postura firme, mas seus olhos denunciavam tudo. Orgulho. Alívio. Saudade antecipada. Depois da cerimônia, enquanto a festa começava, os seis pais se reuniram discretamente. A viagem para a África aconteceria nos próximos dias. Seis meses longe. Seis meses deixando os filhos conduzirem seus próprios caminhos. Noemi olhou para Ruivo. — Agora é com eles. Ele segurou a mão dela. — Sempre foi. Bárbara abraçou Miúdo. Débora segurou o braço de Mago. Os seis olharam uma última vez para os filhos. JN, MK e AG estavam juntos no centro do salão. A velha geração havia cumprido sua parte. A herança agora pertencia aos filhos. E aquela seria a última noite em que os seis pais ocupariam aquele lugar ao lado deles. A partir do dia seguinte, a história seria escrita por uma nova geração.Capítulo 10 – A tarde de sábadoNARRADORA tarde de sábado estava chegando quando Jaqueline, uma das gêmeas, chegou da praia com suas amigas.Uma delas sempre está na cama de MK.Mas ele não quer compromisso com ela nem com ninguém.Alice e Maestro tambem foram para África junto com Noemi e Ruivo. Jaqueline e as amigas entraram falando alto, comentando sobre o baile Jéssica estava dormindo acordou irritada com as meninas que chegaram falando alto. Ela saiu do sofá e foi para o quarto, entrou no banheiro e foi tomar banho para despertar.Vandinha riu falando essa sua irmã é muito chata. Jaqueline falou: Ela não gosta de barulho e nós fizemos barulho. Vandinha subiu as escadas correndo e foi se desculpar com Jéssica. Mas Jéssica foi ríspida com vandinha.Nossa mas voce é grossa só estou pedindo desculpas.— Você não me conhece mesmo, né, garota? Eu não gosto que me acordem com barulho, fico muito bolada. É melhor você sair daqui, eu não quero ser grossa com você.Vandinha, na mesm
Capítulo 9 – A manhã seguinteNARRADORJN chegou em casa do baile da Rocinha quando o sol já estava alto.Tomou banho, vestiu uma roupa leve e foi para a varanda de sua suíte no alto do morro do Vidigal.Observou aquele lugar e sentiu saudades dos seus pais.Mas logo veio a realidade.Ele estava onde deveria.E seus pais mereciam descansar.Eles estavam fazendo o que mais gostavam, estavam no meio de amigos, como sempre tiveram.JN pegou um copo d'água e ficou ali por alguns minutos, olhando o movimento lá embaixo.O Vidigal acordava devagar.As crianças corriam pelas vielas, os comerciantes abriam as portas, a vida seguia.Ele respirava fundo e agradecia por estar ali.Não era um lugar fácil.Mas era o lugar dele.De repente, seu rádio chiou.Era da contenção.— Patrão, tem uma senhora com duas filhas querendo falar com o senhor.JN pegou o rádio.— Pega o nome dela e pede para voltar depois das duas da tarde. Pela manhã eu não vou atender ninguém.— Entendido, patrão.— E manda o no
Capítulo 8 O baile da RocinhaNARRADORA noite na quadra da Rocinha era um espetáculo à parte.As luzes coloridas cortavam a fumaça que subia do chão, o grave do funk fazia o peito tremer e a multidão cantava em coro cada verso que os MCs mandavam.Oruan foi um dos primeiros a subir no palco.Pegou o microfone com a mão firme e disparou os primeiros versos, a galera veio abaixo, gritando, pulando, levantando os braços.A energia tomou conta do lugar. O camarote VIP era o ponto mais cobiçado da noite. dava para ver o mar de gente se movendo como ondas. os vapores circulando vendendo e as mulheres bonitas que não paravam de chegar.Subiam as escadas com salto alto, vestidos curtos e um sorriso ensaiado.AG estava sentado no centro, com uma garrafa na mão e os olhos percorrendo o salão.Ao lado, JN e MK conversavam baixo, observando o movimento.Mas nem tudo era festa.Por trás dos sorrisos e dos abraços, alguns aliados do comando olhavam com inveja.Não gostavam de ver os três se
Capítulo 7 – O despertar do AGNARRADORAlexandre, o AG da Rocinha, acordou meio tonto pela manhã em uma das casas do morro da Rocinha.Levantou rápido, a cabeça doeu, ele segurou nas têmporas tentando lembrar onde estava, e logo percebeu que não era na sua mansão no alto da Rocinha.Olhou para o lado, tinha duas mulheres dormindo nuas com os corpos marcados da noite intensa que tiveram. Uma era loira a outra era mulata. A mulata se chama Sofia ela é amiga da loira ninguém nunca soube seu nome só a chama de loira. AG deu um sorriso de canto lembrando o que tinha acontecido à noite.Levantou sem fazer barulho, pegou sua bermuda no chão, tirou dois maços de notas do bolso, botando em cima do peito de cada uma, e saiu da casa indo direto para sua moto, metendo marcha pra casa.Chegando em casa, AG foi direto para seu quarto, tirando suas roupas, jogando no cesto, entrando direto pro chuveiro.Tomou seu banho, botou uma bermuda jeans com uma regata, passou perfume e desceu para tomar se
Capítulo 6 NARRADORA Casa ,estava silenciosa quando JN e MK chegaram.Lara e Bia estavam sentadas no sofá da sala, com duas cervejas na mesa e um olhar que já dizia tudo.MK fechou a porta atrás de si passando a chave. Lara levantou a garrafa.— Só nós quatro. Foi o que combinamos.Bia se levantou e foi até JN.Ela encostou o corpo nele e ergueu o rosto.JN inclinou a cabeça e beijou seu pescoço.Ao lado, MK já tinha puxado Lara pela cintura.Eles não a beijaram na boca só seus pescoços e seios.As mãos de Lara subiram pelo peito dele.Bia puxou JN pelo braço e o levou em direção ao quarto.A cama era king grande, de casal, com lençóis escuros.Lara e MK entraram atrás.Já estavam se pegando sem nenhum pudor.Não havia o que dizer.MK sentou na borda da cama e puxou Lara para o colo.Ela sentou sobre ele, abriu as pernas e inclinou o tronco para trás.JN estava com Bia ao lado.Ele tirou o vestido dela devagar, passou a mão pelas costas e a deitou na cama.Os dois casais começaram
Capítulo 5 Narrativa do Autor Os primeiros dias depois da coroação tinham uma sensação diferente.O Vidigal continuava o mesmo.As pessoas continuavam seguindo suas rotinas, o comércio continuava movimentado e a comunidade permanecia cheia de vida.Mas, para JN e MK, alguma coisa havia mudado.Agora, quando entravam na boca, os olhares eram diferentes.Não porque eles tivessem mudado.Mas porque todos sabiam que, a partir daquele momento, eram eles que estavam à frente.JN ainda estava se acostumando a ouvir algumas pessoas chamando-o de patrão.Para ele, continuava sendo o mesmo JN de sempre.O filho de Ruivo.O amigo de MK.O cara que cresceu correndo pelas vielas do Vidigal.Só que agora carregava uma responsabilidade que antes pertencia ao pai.Naquela manhã, ele estava sentado observando o movimento quando MK chegou.— Bom dia, chefe.JN levantou os olhos.— Começou?MK abriu um sorriso.— Só estou testando.— Então testa outra coisa.— O quê?— Não me chama de chefe.MK sentou







