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UMA NOVA ROTINA

last update Data de publicação: 2026-09-10 08:34:23

Capítulo 5

Narrativa do Autor

Os primeiros dias depois da coroação tinham uma sensação diferente.

O Vidigal continuava o mesmo.

As pessoas continuavam seguindo suas rotinas, o comércio continuava movimentado e a comunidade permanecia cheia de vida.

Mas, para JN e MK, alguma coisa havia mudado.

Agora, quando entravam na boca, os olhares eram diferentes.

Não porque eles tivessem mudado.

Mas porque todos sabiam que, a partir daquele momento, eram eles que estavam à frente.

JN ainda estava se acostumando a ouvir algumas pessoas chamando-o de patrão.

Para ele, continuava sendo o mesmo JN de sempre.

O filho de Ruivo.

O amigo de MK.

O cara que cresceu correndo pelas vielas do Vidigal.

Só que agora carregava uma responsabilidade que antes pertencia ao pai.

Naquela manhã, ele estava sentado observando o movimento quando MK chegou.

— Bom dia, chefe.

JN levantou os olhos.

— Começou?

MK abriu um sorriso.

— Só estou testando.

— Então testa outra coisa.

— O quê?

— Não me chama de chefe.

MK sentou ao lado dele.

— Vai ter que se acostumar.

— Ainda não acostumei.

— Problema seu.

JN riu.

Os dois passaram a manhã cuidando do trabalho.

De vez em quando conversavam sobre algum assunto da comunidade, recebiam informações e resolviam o que precisava ser resolvido.

Quando alguma questão exigia uma conversa mais séria, eles sabiam que o lugar para isso era o QG do Vidigal.

Ali na boca, a rotina era outra.

Mais movimentada.

Mais informal.

Perto do horário do almoço, MK olhou para o amigo.

— Estou com fome.

JN olhou o relógio.

— Também.

— Vamos comer alguma coisa?

— Vamos.

Os dois saíram juntos.

Escolheram um lugar conhecido na comunidade e entraram.

Sentaram em uma mesa mais afastada.

JN pegou o cardápio, mas mal começou a olhar quando duas garçonetes se aproximaram.

— Boa tarde — uma delas falou.

— Boa tarde — MK respondeu.

Elas entregaram os cardápios.

— Já sabem o que vão pedir?

— Ainda não — JN respondeu.

Uma das garçonetes sorriu.

— Então vou deixar vocês escolherem.

Elas se afastaram.

MK acompanhou uma delas com os olhos.

JN percebeu.

— Nem disfarça.

— Para quê?

JN riu.

— Você não presta.

— E você presta?

— Nunca disse que prestava.

Os dois caíram na risada.

Eles eram solteiros.

Gostavam de festas, gostavam de sair e, principalmente, gostavam da companhia feminina.

Nenhum dos dois estava pensando em relacionamento.

A vida estava começando uma fase nova e eles queriam aproveitar.

Quando as garçonetes voltaram com os pedidos, a conversa continuou.

Uma delas se inclinou um pouco sobre a mesa.

— Vocês sempre vêm aqui?

MK respondeu:

— Agora que descobrimos vocês, talvez.

Ela sorriu.

— Então podem voltar.

JN olhou para a outra.

— Você também trabalha aqui à noite?

— Às vezes.

MK percebeu o olhar dela.

— E hoje?

— Hoje eu estou.

Ele sorriu.

— Então talvez a gente apareça.

As duas trocaram um olhar divertido.

Não havia mistério.

Era apenas flerte.

Uma conversa que poderia acontecer em qualquer lugar.

Depois de alguns minutos, uma das garçonetes perguntou:

— Vocês vão fazer alguma coisa hoje?

JN levantou uma sobrancelha.

— Por quê?

— Curiosidade.

MK riu.

— Você é curiosa.

— Talvez.

A outra entrou na conversa.

— Se não tiverem nada para fazer, podem passar na Casa 2.

— No Beco 9? — MK perguntou.

Ela assentiu.

— Isso.

JN olhou para o amigo.

MK já estava sorrindo.

— Que horas?

— Mais tarde.

— Então combinado.

As duas voltaram para o trabalho.

MK pegou o copo.

— Simples assim.

JN balançou a cabeça.

— Você não perde tempo.

— Nem você.

— Verdade.

Depois do almoço, os dois voltaram para a boca.

A tarde passou normalmente.

Mais tarde, seguiram para o QG do Vidigal.

Ali, a postura dos dois mudava.

As brincadeiras ficavam de lado e eles se concentravam nos assuntos que precisavam resolver.

JN sentou-se à mesa.

MK ficou ao lado dele.

Alguns homens apresentaram informações sobre o movimento da comunidade, e os dois acompanharam tudo com atenção.

JN fazia perguntas.

MK complementava quando achava necessário.

Aos poucos, começavam a encontrar o próprio ritmo.

Não tinham os pais por perto para orientar cada decisão.

Mas tinham aprendido muito observando-os.

Quando terminaram, já estava escurecendo.

MK olhou para o celular.

— Temos compromisso.

JN riu.

— Você lembra mesmo?

— Claro.

— Achei que ia esquecer.

— Eu nunca esqueço uma coisa dessas.

JN levantou-se.

— Então vamos para casa.

Os dois se separaram para se arrumar.

Mais tarde, JN tomou banho, escolheu uma roupa simples e passou perfume.

Não precisava de muito.

Aquela não era uma festa.

Era apenas uma noite para se divertir.

Quando saiu de casa, pegou o celular.

Havia uma mensagem.

“Estamos esperando.”

Ele sorriu.

Pouco depois, encontrou MK.

— Pronto?

— Sempre.

— Vamos.

Os dois seguiram pelas vielas do Vidigal conversando e rindo.

A nova posição não havia tirado deles aquilo que sempre foram.

Continuavam amigos.

Continuavam jovens.

Continuavam gostando de aproveitar a vida.

E, naquela noite, não queriam pensar em coroação, responsabilidade, reuniões ou problemas.

Queriam apenas se divertir.

A Casa 2, no Beco 9, estava logo à frente.

MK olhou para JN.

— Depois não diga que fui eu que tive a ideia.

JN riu.

— Eu nunca diria isso.

Os dois entraram.

A noite estava apenas começando.

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