LOGINA ideia de voltar para a casa dos pais — um lugar de indiferença e submissão — era impensável. Alana já havia suportado o suficiente.
Daniel a seguiu escada acima, mas não moveu um músculo para detê-la. Ele permaneceu encostado no batente, observando com um olhar gélido enquanto ela atravessava o closet. Eram quatro da manhã; o mundo lá fora estava mergulhado na escuridão, mas a claridade artificial do quarto denunciava a palidez cadavérica no rosto de Alana.
Quando ela passou por ele, mala em punho, Daniel finalmente quebrou o silêncio:
— Alana, minha paciência tem limite. Não espere que eu vá atrás de você ou que peça para você voltar.
Alana parou, sentindo o peso da irritação e do desdém na voz dele. Cada palavra era um prego no caixão de sua esperança.
— Esteja no cartório às nove da manhã — ela respondeu, sem olhar para trás.
— Estou ocupado. Se quer mesmo o divórcio, marque uma consulta com meu assistente — ele rebateu, tratando o fim do casamento como uma reunião de negócios desinteressante. — Não diga que estou sendo negligente. Se você se arrepender antes da consulta ser agendada, posso fingir que esta noite nunca aconteceu.
Daniel deu as costas, sentindo o amargor de quem lida com um funcionário ingrato. Na cabeça dele, Alana tinha tudo: conforto, segurança e liberdade financeira. Ele não entendia o que ela pretendia, mas tinha uma certeza absoluta: ela voltaria. A família dela jamais permitiria que ela perdesse o "bilhete premiado" que ele representava.
Ele caminhou até o parapeito do segundo andar e a viu pegar as chaves do carro na entrada.
— Esse carro foi um presente para você — disse ele, a voz ecoando grave pelo hall.
Alana olhou para as chaves. O carro custava pouco mais de 200 mil. Uma migalha comparada às joias de milhões que ele desfilava com Mariela. O vento do final de outono soprou lá fora, e o frio que ela sentiu no peito foi pior que o da madrugada. Com um gesto firme, ela arremessou as chaves de volta no console da entrada e saiu a pé, carregando apenas sua dignidade e uma mala.
A porta bateu com um estrondo que ecoou pela mansão silenciosa. Daniel zombou mentalmente. A casa ficava nos arredores da cidade; levaria uma hora de caminhada apenas para chegar à estrada principal. Sem transporte àquela hora, ele estava convencido de que, em dez minutos, o orgulho dela murcharia e ela tocaria a campainha.
Mas os minutos viraram uma hora.
Alana caminhou pela estrada deserta, o vento fustigando seus cabelos negros e gelando sua pele. Ela só pegou o celular para ligar para sua melhor amiga, Suzi, quando já estava longe dos portões do condomínio.
Quando Suzi finalmente estacionou o carro, encontrou Alana trêmula, com as mãos vermelhas de frio. A amiga a puxou para dentro do veículo, ligando o aquecedor no máximo. O calor súbito fez a geada nos cílios de Alana derreter, misturando-se às lágrimas que finalmente voltaram a cair, pesadas e amargas.
— Alana... — Suzi começou, a voz carregada de preocupação. — Vocês brigaram por causa daquela festa da Mariela? Eu vi as notícias...
Suzi apertou o volante, olhando para a amiga destruída ao seu lado.
"Ele realmente acha que pode comprar o seu silêncio enquanto exibe aquela mulher para o mundo todo?", Su perguntou, com raiva. "Alana, você não é mais a designer promissora que todos conheciam? Se ele quer tratar o divórcio como um compromisso de agenda, vamos dar a ele o show que ele merece. Mas primeiro, você precisa ver uma coisa que não saiu na mídia oficial."
Su entregou o celular para Alana. O que apareceu na tela não era apenas uma foto de festa, mas algo que provava que a relação de Daniel e Mariela ia muito além de negócios e joias caras.
A decisão de Alana em não usar o vídeo como munição imediata mostra que ela não quer apenas vingança, mas sim distância e dignidade. O contraste entre a "mesada" de 500 mil e o que realmente sobrava para ela revela o quanto esse casamento era uma armadilha dourada.
— Não é uma discussão, Su. É um divórcio — respondeu Alana. Sua voz era firme, embora seus olhos parecessem ter perdido o brilho, refletindo um vazio profundo.
Sem dizer mais nada, ela estendeu o celular para a amiga. Na tela, o vídeo da traição rodava, expondo a entrada de Mariela na suíte de Daniel. Su encostou o carro bruscamente, o rosto vermelho de indignação.
— Meu Deus! Aquele canalha... Ele te trai e ainda tem a audácia de te expulsar no meio da noite? Alana, ele é quem deveria sair daquela casa sem um tostão!
— Eu não mostrei o vídeo para ele — confessou Alana, desviando o olhar para a janela embaçada. — Se eu ficasse lá, o confronto só serviria para me humilhar ainda mais. E meus pais... você sabe como eles são. Eles nunca ficariam do meu lado; eles precisam da influência da família do Daniel mais do que precisam de mim.
Su soltou um suspiro pesado, engatou a marcha e dirigiu em silêncio até seu apartamento no centro da cidade. Quando o sol começou a despontar entre os prédios, elas finalmente entraram.Alana desabou no sofá, o corpo pesando como chumbo após o desgaste emocional.
— E agora? Quais são seus planos? — perguntou Su, entregando-lhe uma xícara de café quente.
— Primeiro, vou seguir o conselho "generoso" dele: ligar para o assistente e agendar o divórcio. Depois, preciso de um trabalho.
A ironia da situação era amarga. Embora Daniel se gabasse dos 500 mil mensais, a realidade era que Alana gastava quase tudo mantendo a mansão impecável, cuidando da rotina dele e comprando presentes caros para agradar os sogros. De toda aquela fortuna, restavam-lhe apenas 50 mil — o preço da sua rescisão pessoal.
— Então, antes de sair entregando currículos, você vai me ajudar! — Su tentou mudar o tom, buscando animar a amiga. — O professor de piano que eu contratei para a escola me deu um bolo de última hora. Preciso desesperadamente de alguém para assumir as aulas hoje!
Alana esboçou um sorriso triste, mas determinado. Tocar piano, algo que ela fazia apenas para entreter Daniel em jantares de negócios, agora seria sua primeira ferramenta de independência.
Enquanto Alana se preparava para a aula, o telefone de Freitas, o assistente pessoal de Daniel, tocou. Do outro lado da linha, a voz de Alana era profissional e fria, sem o tom dócil de sempre.
"Freitas, bom dia. Gostaria de verificar a agenda do Sr. Daniel. Preciso de dez minutos para a assinatura da nossa rescisão matrimonial. Qual o horário disponível?"
No escritório da empresa, Freitas empalideceu ao ouvir o pedido. Ele olhou para Daniel, que estava sentado à sua frente revisando contratos com uma expressão de tédio, certo de que a esposa ligaria chorando para pedir desculpas. Daniel não fazia ideia de que, naquele momento, Alana não estava apenas agendando um divórcio, mas redesenhando o mapa da própria vida.
Mariela sentiu, inconscientemente, um ligeiro desconforto."Aconteceu alguma coisa com Marília?"Alana sussurrou: "Não desligue ainda", e então olhou para Mariela."Se Marília não quiser te ver, você ainda assim a verá?"O corpo de Mariela tremia, e seu rosto ficava cada vez mais pálido e fraco.Ela havia considerado muitas possibilidades, como Marília correndo em sua direção como uma louca e lhe dando dois tapas quando se encontrassem.Ou talvez Marília fique desapontada com ela e se recuse a falar com ela...Espere um minuto, mas ela nunca imaginou que Marília nem sequer a veria!Marília não queria se encontrar, mas Daniel ainda poderia marcar um encontro se ela quisesse.Mas ela hesitou..."Volte a falar comigo depois de ter pensado melhor sobre isso."Alana estava prestes a desligar, então pediu que lhe desse mais tempo para pensar a respeito.Mariela imediatamente colocou a mão na borda da mesa, que estava pendurada ao seu lado. "Eu vejo! Por favor, peça para ele arrumar para mim
O "curtir" de Daniel significa que ele reconheceu a notícia.Como Suzi havia previsto, a captura de tela da notícia que ele havia curtido rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados.A conta pública de Alana foi inundada de comentários, com muitos internautas pedindo que ela respondesse.O telefone dela não parava de tocar, então ela simplesmente desligou todas as notificações e concentrou toda a sua atenção no trabalho.Suzi ficou em casa e não saiu, enquanto ela e Edgar saíram para trabalhar.Dentro da loja, o jeito como Wane e os outros a olhavam mudou.O ponto crucial é que nenhum deles fofocou; eles apenas a olharam com sorrisos cúmplices."Srta. Alana, devo agendar menos viagens de negócios no futuro?"A única ligação entre a vida amorosa de Alana e seu trabalho é se Daniel permitirá que ela faça viagens a negócios.Wane precisa resolver isso para evitar erros mais tarde.“Não precisa, organize como quiser.” Alana entendeu o que ele queria dizer e acrescentou: “Essa no
"Então você deve estar doente!" disse Suzi sem hesitar. "Em plena juventude, você não aceitaria uma mulher que lhe fosse dada de graça?"Edgar ficou atônito, sem conseguir encontrar uma única palavra para respondê-la por um longo tempo.Suzi estava em vantagem naquele momento e se sentia satisfeita consigo mesma. "A propósito, você já teve algum relacionamento na vida?""Não se meta na minha vida!" disse Edgar, irritado."Você está com raiva porque está envergonhada? Você nunca teve um relacionamento antes?" Suzi sorriu. "Pirralho, você já teve uma queda por alguém?"Edgar enrijeceu o pescoço: "Claro que eu... fiz isso!"Suzi ficou interessada. "Colega de classe ou de trabalho? Você está se saindo muito bem agora. Essa pessoa ainda está por aí?""Você nem o conhece." Edgar sentiu-se inexplicavelmente desconfortável."Você vai me conhecer melhor quando me contar, não é?" Suzi se inclinou para mais perto, parecendo preocupada. "Ela é bonita? Talvez você possa me apresentá-la algum dia?"
"Então você deve estar doente!" disse Suzi sem hesitar. "Em plena juventude, você não aceitaria uma mulher que lhe fosse dada de graça?"Henrique ficou atônito, sem conseguir encontrar uma única palavra para respondê-la por um longo tempo.Suzi estava em vantagem naquele momento e se sentia satisfeita consigo mesma. "A propósito, você já teve algum relacionamento na vida?""Não se meta na minha vida!" disse Henrique, irritado."Você está com raiva porque está envergonhada? Você nunca teve um relacionamento antes?" Suzi sorriu. "Pirralho, você já teve uma queda por alguém?"Henrique enrijeceu o pescoço: "Claro que eu... fiz isso!"Suzi ficou interessada. "Colega de classe ou de trabalho? Você está se saindo muito bem agora. Essa pessoa ainda está por aí?""Você nem o conhece." Henrique sentiu-se inexplicavelmente desconfortável."Você vai me conhecer melhor quando me contar, não é?" Suzi se inclinou para mais perto, parecendo preocupada. "Ela é bonita? Talvez você possa me apresentá-la
Alana não caiu na armadilha dele de testá-la."Você pode me emprestar um carro e eu mesmo volto dirigindo."A mão dela está quase totalmente recuperada e ela já pode dirigir.A mão de Daniel, com as veias claramente visíveis, repousava no corrimão da escada, encostada nele, olhando diretamente para ela.Alana contornou-o e desceu as escadas.Pensei que tinha escapado da ambiguidade e do constrangimento causados por aquela investigação.Para surpresa de todos, a sala de estar estava vazia; Henrique e Suzi não estavam em lugar nenhum.Daniel desceu lentamente por trás e parou nos dois degraus.Ele parecia completamente indiferente, parado ali casualmente com as mãos nos bolsos.O olhar dele fez Alana se sentir desconfortável mais uma vez.Alana pegou o celular e ligou para Henrique e Suzi, discando qualquer número que encontrasse.A chamada foi interrompida dois segundos após ser discada.A mesma coisa aconteceu quando eles atropelaram outra pessoa.O tom incessante do celular ressoava
Com a gaze amarrada atrás das costas, Alana agachou-se, ficando de frente para os ombros largos e a cintura fina do homem. Nas áreas não cobertas por gaze, havia grandes áreas de hematomas e inchaço. As pontas dos dedos frias dela percorreram suas costas bem definidas, e seus músculos se tensionaram instantaneamente. Daniel prendeu a respiração por um instante, suas mãos, que estavam ao lado do corpo, se fecharam com força, e seu olhar se tornou extremamente profundo. Alana desatou o nó, levantou-se, envolveu-o com os braços e desfez o embrulho, camada por camada. A respiração dela fez cócegas na nuca dele, e ele se endireitou ainda mais na cadeira. Não era por causa da dor da ferida nas minhas costas, mas sim porque meu corpo estava se tensionando involuntariamente e um fogo caótico estava se acumulando gradualmente na parte inferior do meu abdômen. Ao ver os ferimentos por toda a extensão de suas costas, Alana engasgou em choque. Duas cicatrizes feias percorriam toda







