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Capítulo 3

Author: Ferrari
A enfermeira que empurrava a maca de Isabella começou a chorar.

— Posso testemunhar que a Dra. Robinson fez um julgamento errado e não realizou o procedimento corretamente...

— Naquele momento, vimos os resultados dos exames e percebemos que havia algo errado. Nós até tentamos impedi-la, mas a Dra. Robinson insistiu em continuar...

Os soluços de Isabella ficaram ainda mais intensos.

— Meu bebê... Meu pobre bebê! Passei tantos meses fazendo de tudo para protegê-lo, só para finalmente conhecê-lo. Nunca imaginei que minha melhor amiga o mataria!

A Dra. Miller, a cirurgiã assistente, ainda vestia o uniforme cirúrgico.

— Como profissional da saúde, posso testemunhar que a Dra. Robinson cometeu um erro durante o procedimento, o que levou a essa tragédia.

— Não consegui impedi-la, então também compartilho a culpa. Estou disposta a aceitar a punição que mereço.

Isabella imediatamente segurou a manga da Dra. Miller.

— Não, Dra. Miller. Se a senhora não tivesse insistido no final, talvez não tivesse sido apenas o meu bebê. Eu talvez até...

Isabella não terminou a frase e voltou a chorar.

Suas palavras imediatamente provocaram um alvoroço entre as pessoas ao redor.

— Ela não só matou o bebê, como quase matou a mãe também?

— Qual é a diferença entre ela e uma assassina?

— Kayla Robinson é uma charlatã! É um monstro!

— Ela é uma assassina! Vamos fazê-la pagar por isso!

— Isso mesmo! Ela tem que pagar!

Magnus segurou a mão de Isabella, que tremia por causa do choro.

— Isabella, isso não foi culpa sua. Você só precisa se concentrar em se recuperar. Quanto à Kayla, eu vou garantir que ela pague pelo que fez.

— Matem ela! Matem ela!

Os gritos da multidão atravessavam meu coração como facas.

A enfermeira que empurrava minha cadeira de rodas levou um susto tão grande que caiu no chão.

— Aquela não é a Kayla Robinson? Lá está ela!

Mais de dez pessoas se viraram para olhar para mim.

Eu estava sentada na cadeira de rodas, com a cabeça enfaixada. Minha perna direita estava engessada, e meu jaleco branco ainda estava manchado de lama do poço de manutenção e marcado por manchas de sangue.

Magnus caminhou em minha direção a passos largos e imediatamente me agarrou pelo pescoço.

— Foi você quem matou o meu bebê! Vou fazer você pagar por isso!

Ele apertou sua mão com força, tornando impossível para mim respirar. Bati desesperadamente em seu braço e consegui me soltar.

— Eu nem entrei na sala de cirurgia! Não fui eu!

Expliquei às pressas.

Mas Isabella começou a chorar novamente.

— A essa altura, por que você ainda está mentindo para todo mundo? Eu confiava tanto em você! Por que matou o meu bebê?

Suas palavras fizeram a fúria da multidão explodir de vez.

— A Kayla ainda está tentando negar!

— Temos que ensinar uma lição a essa assassina!

Dois homens correram em minha direção. Um agarrou meu braço, enquanto o outro me puxou pelos cabelos para fora da cadeira de rodas. Minha perna direita, ainda engessada, bateu violentamente contra o piso de cerâmica.

— Ah!

Soltei um grito.

Uma dor lancinante percorreu minha perna fraturada, e lágrimas escorreram incontrolavelmente pelo meu rosto. Alguém pisou com força sobre meu gesso, que rachou com um estalo alto. A dor era tão insuportável que minha visão começou a escurecer.

— Vai em frente! Continue fingindo!

— Você matou o bebê de outra pessoa e agora quer bancar a vítima?

Alguém agarrou meus cabelos pela nuca e bateu meu rosto contra o piso de cerâmica. O ferimento com pontos na minha testa atingiu o chão, e sangue escorreu pela ponte do meu nariz.

A situação estava prestes a sair completamente do controle quando uma voz severa ecoou pelo corredor. O policial que havia acabado de colher meu depoimento correu para intervir.

— Parem com isso! Isto é um hospital!

Isabella ficou atônita. Claramente não esperava ver um policial ali. Mas logo recuperou a compostura e imediatamente começou a chorar diante dele.

— Policial, ainda bem que o senhor chegou. Essa charlatã cometeu um erro durante o procedimento e fez com que eu perdesse meu bebê! Prenda essa mulher!

As acusações recomeçaram. Um após o outro, todos disseram ao policial que eu era a responsável pelo incidente médico.

Ao ouvir aquilo, o policial demonstrou perplexidade.

— Vocês estão dizendo que a Dra. Robinson cometeu um erro durante a cirurgia de mais cedo, fazendo a Sra. White perder o bebê?

— Isso mesmo!

Ao ouvir essa resposta, o policial soltou um bufo de desprezo.

— Que absurdo. A verdadeira culpada não poderia ser a Dra. Robinson.

Então ele tirou o celular do bolso e mostrou a tela para todos.

— Olhem com atenção. Estão vendo isso?

Depois de verem o que aparecia na tela, a expressão de todos mudou instantaneamente, e o lugar inteiro mergulhou em silêncio.

Abaixei a cabeça, enquanto um leve sorriso se formava lentamente em meus lábios.

Os comentários flutuantes apareceram uma última vez.

[Quando a verdade vier à tona, o caso extraconjugal de Isabella será exposto.]

[Mal posso esperar para ver a reação do marido dela quando descobrir a verdade.]

[O espetáculo está só começando.]

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